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quarta-feira, 16 de junho de 2010

Violencia que aflora lá fora.

Violencia que aflora lá fora.




Onda violencia se abate sobre as cidades .Todo mundo rouba todo mundo. Ninguem sabe mais quem é o ladão ou quem é a policia. Cada vez pior o dia a dia.”


Assim cantava o poeta e cantor *Gonzaguinha lá pelos tempos da Abertura, mas a gente não entendia ou não acreditou, no que aquele inconformado previa.


E foi assim, que todos nós depois de nove meses presos com toda segurança e carinho dentro de uma bolsa feminina, tivemos a liberdade forçada seguida de choros já na primeira tapa em nossas nádegas. Em pouco instante faríamos parte do exercito de libertos que crescia astronomicamente, quebrando todos os números de estatísticas.


Alguns mais otimistas diziam que nasciam mais soldados do que morriam. Percebia que os mais esclarecidos não se sabe bem como, pisaram no freio e se limitaram a uma prole mais reduzida. Em contra partida, nos guetos, favelas e recantos o que se via, era um crescimento assustado. Crianças nasciam a cada dia, a cada hora, a todo instante, onde justamente deveria haver maior controle da formação deste exercito de seres humanos desprovidos de tudo. Ao mesmo tempo, se assistia a famigerada idéia de reduzir este numero, com as mães lançando seus futuros soldados em lagoas, pântanos, rios e até lixeiras, após passarem por uma carnificina abortiva em algum falso posto medico. Ali começava a banalização da morte.


Num processo gradativo e altamente destrutivo, assistíamos aos soldados se deserdando da rota natural e esperada, para se alistarem ao mal, numa nova força estranha e esmagadora, que se criava naquele instante diante nossos olhos sem que fizéssemos nada. O mal prevalecia sobre o bem, a dona violência estava adotando aqueles soldados, e suas raízes passaram a ficar fortes encravadas lá nos morros, onde estrategicamente, montava e formava sua base. Lá já não se acreditavam, que estariam bem perto de Deus, pois o diabo era o porteiro, dono de todas as ações, saúde,escola, trabalho, diversão que a tudo o diabo controlava, enquanto que os governantes não as forneciam ou nem se preocupavam. Ali nascia a força geradora do medo, do terror.


Os soldados do bem passaram de libertos defensores da paz, a condição de acuados em seu próprio território. Foi neste momento que alguns se perderam, ao negociar com exercito do mal, o seu próprio direito de ir e vir. Sociólogos, estudiosos acordaram para re-estudar o que o poeta **Eduardo Alves Costa previa, quando de seus escritos em “No Caminho com Maiakovski” onde ele nos via como flores que foram arrancadas, pisadas, sem haver resistência. Foi o momento em que se percebeu, que todos estavam dominados e passamos a viver como presos em nossas casas, clubes, carros, trabalhos. O visual de grades de ferro passou a ser coisa comum, retiraram os bancos das portas das casas. Implantou-se o medo. Aos poucos nosso quintal, nosso jardim, nossas praias foram tomados, de nossas posses, de nosso domínio.


Não se encontrou a saída é bem verdade. Estudos não surtiram os efeitos desejados, esperado, não frutificaram. Passamos a eleger os culpados, e foram tantos, como melhor divisão da renda, o sucateamento da rede de ensino publico, o capitalismo selvagem, o FMI, os governantes em geral. Mas a violência sem saber ler e escrever, nasceu surda e assim foi se alojando onde a falta é gritante e valente, lá onde a miséria, a fome, rege uma orquestra de sons terríveis e destoados, oriundos das barrigas vazias. Já os menos credos passaram acreditar, que não tinha solução, apenas amenizações controladas.


Hoje a sociedade paga o preço de sua apatia e de sua cegueira diante das diferenças gritantes que crescia e não se via, por aprovar a tudo, em nome de uma normalidade, por deixar sempre, que outros fizessem o que todos poderiam ter feito. Inclusive a família a base de tudo, foi colocada num processo degradativo, e assim fomos colocados num túnel escuro, onde o ultimo a sair, apagaria a luz no final.

Mas que luz? Que túnel? Mas que saída?


Se todos já acreditávamos, que não existia luz alguma.


E assim foi, que nos sentimos impotentes trancados, presos em nossa comodidade e apatia.





*Musica de Gonzaguinha: A cidade contra o crime.

** “Na primeira noite eles se aproximam e roubam uma flor de nosso jardim. E não dizemos nada...” (Eduardo Alves Costa-1964)


Publicado no Recanto das Letras.
Toninhobira.

22/03/2010

2 comentários:

  1. Pois é, meu amigo, a gradativa saída do estado da vida das pessoas através da privatização de tudo também abriu espaços para que isso acontecesse. De repente, os defensores do mercado livre queriam um estado mínino (inclusive em segurança pública), agora há um preço e muito alto para pagarmos. E o pior é que é sempre para os mesmos pagarem este preço quando se trata de dividir mazelas. O que não acontece na divisão das benesses. Muito bom , excelente texto. Abraços. Paz e bem.

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  2. Amigo, vim te visitar, trazer meu carinho
    e me deparei com esse magnífico e reflexivo
    texto! Tens sempre a minha adimiração...
    Deixo aqui pra você um carinhoso e fraterno
    abraço junto ao desejo de que tenhas uma
    linda e abençoada noite.

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