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terça-feira, 2 de julho de 2013

Menino que eu vi II


Vi o menino junto a uma sepultura,
Ao lado da senhora de terço na mão.
E via nos seus olhos imensa candura,
Que contrastava com aquela situação.

Os ossos colocados naquele úmido chão
Pareciam peças de um quebra-cabeça,
Naquela dolorosa e triste exumação,
É a pintura gótica na minha cabeça.

Na sua inocência ele jamais saberia,
Que os ossos contavam a sua historia,
Naquela caixa branca sua mãe jazia.
Sem saber lhe fazer uma dedicatória.

A senhora nervosa um canto entoava,
Como a ninar sua irmã que ali dormia.
Em sintonia este menino balbuciava,
No mais triste coral que ouvi um dia.

Quando o sino anunciava o meio dia
Seguiram em silencio pelo cemitério,
Eu do meu ponto que a tudo assistia
Sofri sem saber a razão do mistério.

Toninho
15/06/2013

Tem inspiração que deixam meus olhos translúcidos, como algumas manhãs de Minas Gerais no inverno.
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Tive dias agitados, mas visitarei todos voces, que carinhosamente me acompanham com suas leituras.
 



18 comentários:

  1. Oi Toninho
    Que encanto de música é esta, linda demais.
    E os seus versos, tristes, meio macabros, mas ainda assim belos.
    Um abraço.

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  2. Poesia muito linda, chorosa, triste como o lugar , da inspiração! Cada uma mais linda ,inspirações diferentes, belas sempre! abração, bom te ver e tudo de bom, que volte a calma por aí! chica

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  3. Toni,

    Esse mistério, penso que todos conheceremos um dia... Se no corpo ou fora dele, não sei.
    Tua poesia aliada a esta linda canção realmente me emocionou e translúcidos meus olhos tb ficaram. Gr. Bj. e um forte abraço.

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  4. Seus versos são tao reais que até me espantei, fiquei imaginando completamente uma cena dessas, pois se já é difícil enterrar um ente amado, ainda mais fazer a exumação dos ossos.
    Ah meu Deus, nem quero pensar num momento desses!
    beijos cariocas


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  5. Olá Toninho
    As vezes um cenário de tristeza, pode trazer grande inspiração.
    Abraço

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  6. Olá, Toninho. Um poema quase gótico! Diferente do teu estilo, e eu gostei muito.

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  7. Este comentário foi removido pelo autor.

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  8. A morte que triste espereita do alto da sua guarida.
    Não tem dó... nem dor...nem perdão.
    Assim nos vai arrancando pedaços de vida.
    Como das ávores se arracam as trites tábuas de um caixão!
    O corpo apenas uma matéria...que tanta luta...nos traz no dia, a dia,só que ela chega quando a gente menos espera.
    Deixando os que cá ficam numa só triste agonia.

    Para vovê meu doce de amigo deixo estas palavras que útimamente me tem toldado a minha mente (tavez pura asneira, mas ainda não passou)Bbeijinhos mil.
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  9. Triste e belo poema.Ah! a música muito sofrida.
    bjs

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  10. Olá mineirinho,
    Uma poesia muito triste...Adoro o Milton Nascimento.
    Bons fluidos.

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  11. Puxa, amigo!
    Ler esta poesia ao som desta música quase me fez chorar. Senti muita emoção. Triste, mas lindamente versado.

    Obrigada pelo carinho.
    Por aqui já está tudo bem, graças a Deus.
    Espero que a serenidade esteja presente em seus dias.

    Grande e afetuoso abraço.

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  12. Olá Toninho, muito obrigada pela sua visita ao meu cantinho!
    Gostei imenso do seu poema que embora baseado num facto triste revela a sua sensibilidade maravilhosa. Há momentos assim em que se torna necessário deixar que a alma goteje. Um beijinho Ailime

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  13. Lindo e comovente...
    Boa tarde querido!
    Tem bolo lá no blog!

    Bjusssssssss

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  14. Meu amigo, há momentos que presenciamos e nos emocionamos, ainda que não tenhamos conhecimento de todos os fatos. Não há como fugir da tristeza diante deles.
    Obrigada pelo carinho. Graças a Deus, tudo correu bem. Que Ele o ilumine muito, também. Bjs.

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  15. Oi Toninho

    Um lindo poema triste condizente com a canção. De muita sensibilidade. Me senti assistindo a dolorosa exumação .

    Excelente.
    Um abraço.

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  16. Olá bom dia!
    Vim agradecer a sua visita,e já estou seguindo o seu lindo blog.
    Adorei beijos.

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