sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Para que serve a saudade?


A saudade é um sentimento, que nos acompanha por toda vida, desde que somos apresentados à luz. Neste momento é colocada uma caixinha em nossas vidas. É nela que vamos depositar momentos e emoções ao longo desta jornada. Basta um suspiro, ela se abre para receber mais uma saudade. 

Há quem diz que ela é má, outros vivem dela e ainda há os que delas inspiram e fazem coisas belas em variadas definições. A saudade é camaleão, veste-se das mais variadas formas e cores, para se apresentar aos seres humanos em seus momentos de alegria e ou mesmo de solidão. 

Há quem diz sentir saudade das saudades, este chamamos de saudosista, ele fica parado no tempo, que não volta mais. E canta esta saudade em forma de uma ladainha. Ah, eu sinto saudade dos tempos de crianças, de correr pelas ruas vazias, das bonecas de papelão, dos pirulitos no tabuleiro, dos primeiros filmes de televisão. Vivem fustigados pela caixinha sempre aberta a deixar escapara estas saudades. Quem já não sentiu saudades dos primeiros dias da escola, do horário do recreio, assim como o toque final da campainha para anunciar o fim das aulas? Ou quem sabe, sente saudades de um amor infantil, que ali nascera ou até mesmo o amor involuntário (?) pela professora que os meninos eram acometidos. Ah, isto eu lembro sim e ainda hoje vejo o rosto dela.

Mas tem saudades, que sangram e reabrem cicatrizes. Estas vêm como avalanche derrubando tudo como um trator às arvores. O compositor Chico Buarque disse que ela é como uma fisgada num membro já perdido ou mesmo, que ela é o revés de um parto, ao arrumar o quarto do filho que já morreu. Estas dificilmente poderão ser trancadas, isoladas na caixinha, pois volta e meia elas virão incomodar.

Então você que me lê, de vez em quando, faça uma faxina na sua caixinha de saudades e reveja quantas saudades, ainda moram lá e quantas devem ser libertadas. Mas não seja precipitado para não descartar saudades, que lhe farão faltas em momentos especiais da vida em que uma saudade nos reanima, estimula, depura a alma e todo o ser. 

Porém para aquelas que não temos ações e nem controles e que assanhadamente vêm nos visitar o coração com suas pegadinhas, para estas é melhor respeita-las e sentir calado no seu cantinho ou simplesmente fazer um embrulho delas com as metáforas e coloca-las nas entrelinhas de uma poesia destas bem apaixonadas.

Feliz dia da Saudade.

Toninho.
30/01/2015

domingo, 25 de janeiro de 2015

E pulsa.


Enquanto ainda sentir pulsar a saudade,
cresce em meu querer esta efervescência.
Viverá em mim um amor insubstituível,
repleto da pureza e leveza como herança,
de todo sentimento que se pensou eterno.

Morre em mim todo sentimento de magoa,
pois em mim o amor se fez em inatingível,
corpo e alma em equilíbrio perfeito na paz,
que impermeabiliza contra toda maldade.

E pulsa a vontade sempre avassaladora,
aliada a falta em forma de um abandono,
de quem na vida perdeu um ente querido,
mergulha-se em orações para alivio da dor.

Mas se pulsa em mim teimosas lembranças,
alimentar-me-ei da falsa sensação de amor,
pois o meu coração não cabe desesperança,
e luta de unhas e dentes. Desconhece a dor.

E quando não mais pulsar minha emoção,
meus olhos já cobertos pela nuvem turva,
restará apenas uma inspiração molhada,
pelas lágrimas que mancharam os versos.

Toninho.
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Uma boa semana para todos vocês.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Sufocantes lembranças.





Vêm saudades daquelas lamparinas,
Luminárias fieis nas noites sem luar,
nos poucos casebres ao pé da colina,
alivio temporário do medo do lugar.

Quando o sol se punha caia a noite,
com seu lençol negro e nada se via,
apenas aquela tímida luz de azeite,
em cada quarto a lamparina ardia.

No ar o cheiro do querosene reinava,
em contraste com o bom do alecrim,
que todo o dia na casa se respirava.
Minha vó o plantara ali no jardim.

As lembranças incendiadas no pavio,
que lembram as minhas locomotivas,
na fumaça que sobe vêm os arrepios,
meus medos das assombrações vivas,

Hoje distante ainda ouço seus passos,
da implacável e incansável sentinela,
que muito inspira os versos que traço,
um anjo na terra no céu uma estrela.

Toninho.
19/01/2015
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Notinha:  
Lamparina: pequena vasilha metálica com um pavio no centro, que boia no azeite, produzindo luz fraca. A sua fumaça impregnava toda a casa, eram as luminárias antes da expansão da energia elétrica nos lugares mais pobres.
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 Também escrevo por aqui: toninhobira.blogspot

sábado, 17 de janeiro de 2015

Pela claridade.


 



A noite cobre o dia lentamente,
Últimos raios de sol no fim do poente
Sinto a proteção do Onisciente,
Há um relaxamento do corpo e mente.

No Céu uma estrela solitária
Sintonia perfeita com minha solidão
Anjos vigiam minha travessia,
Onde caminho com meu aflito coração.

Sobre minha casa uma forte luz.
Como a de uma serra com seu vulcão.
É a luz que da vida e que seduz.
Claridade da alma contra a escuridão

Se nada de mal pode me atingir
Canto o canto dos Cânticos eloquente,
Pois Tua Presença Pai faz sorrir,
Como ensinou a todos os crentes.

Receber de Deus esta delicadeza
Que faz de nossa vida o jardim em flor
É viver diante da infinita leveza,
Que faz uma sintonia plena de amor.

Toninho.
05/01/2014
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Um bom fim de semana com paz no coração.

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