segunda-feira, 30 de maio de 2016

O menino de brim cáqui.


Hoje veio lembranças do menino feliz,
vestido naquele brim caqui alinhado,
a caminhar por entre ruas de pedras,
aquele menino com o nariz empinado.

Andava como a desfilar pela calçada,
com sapatos engraxados na cor preta,
num o dedo chaveiro do *Mug rodava,
outras vezes dependurado na jaqueta.

Da escola SENAI era o jovem aprendiz,
Orgulhoso a exibir a bela engrenagem
pela mãe bordada num bolso do caqui.
Belo uniforme exibia na sua passagem.

Já não vejo pelas ruas estes meninos,
outrora uma elite da aprendizagem,
com o futuro assegurado nos ensinos,
daquela escola ainda tenho a imagem.

Toninho.
02/05/2016

Nota:

1-     “Mug da Sorte”, boneco em chaveiro que ganhou fama de ser o talismã nos anos 60 e 70.
2-     SENAI- Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial mantido pela Vale Rio Doce.
3-     Brim Cáqui: tecido usado para fardamento por sua resistência.
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Hoje vou indicar dois links que julgo muito interessante para reflexão:



Confiram.

terça-feira, 24 de maio de 2016

Canto ao tempo.



 




Vejo nuvens escurecidas, há impotência.
Suspiram nossas velhas inquietações,
há sempre uma duvida,
a que me assusta.

O dia que passa, arrasta-se pelas horas,
as horas levam ao marasmo.
Onde moram as mágoas
do coração estreito.

A  dúvida inquieta,
o não saber assusta e deprime,
numa força que sempre nos arrasta,
pelos descaminhos sombrios desta vida.

O perto se torna longe. De repente não é já,
já que tudo ficou frio, mortas esperanças,
o dia passou lento, já os passos lentos
levam os meus sentimentos.

Toninho.
Jan/2007
Tem texto novo lá: toninhobira.blogspot

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quinta-feira, 19 de maio de 2016

Entardecer na roça.


              (Google)

Quando o Sol se esconde na serra,
nos olhos vem uma fusão de cores,
uma bela saudade que se encerra,
neste peito que armazena amores.

Ouço cantos. Regresso aos ninhos,
são os únicos amigos nesta tarde,
no feliz encontro dos filhotinhos,
na copa da arvore há um alarde.

É muito bonito ver o entardecer,
aqui neste recanto da natureza,
sons de passarinhos me faz crer
que Deus está aqui com certeza.

Mas logo ouço uma Ave Maria,
vem daquela casinha do grotão.
Minimizo as dores e dou Gloria
ao Pai, pela paz do meu coração.

Toninho

03/05/2016
O outro blog: toninhobira.blogspot
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domingo, 15 de maio de 2016

Balanço das lembranças.



Olho para o campo e vejo flores em balanço de um suave vento, com elas balançam minhas memórias. É linda dança que elas ensaiam e atiçam minhas belas lembranças juvenis do meu cantinho de lugar ao pé da serra, onde num regato escorria água cristalina, que banhava horta, jardim que tinham mais vida e mais cores, antes de se lançar no rio onde corriam os meus peixes.

Aqui do outro lado do oceano vendo estas flores vermelhas cheias de viço, vem esta saudade em forma de perdas de tudo aquilo, que tanto amei e sonhava que fossem eternos, mas que o tempo e o progresso tudo levou, deixou apenas um rastro cinza de um verde concreto sem vida. Mas meus olhos se encantam com este campo e por instante entro em transe, revivo cada canto da minha memoria resgato pessoas, amores e adocico minhas saudades.

Toninho

15/05/2016 
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Uma boa semana 
para todos.

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Minha participação na BC da Chica_botando a cabeça para funcionar Nº 8 Ano II que acontece nos dias 5,15 e 25 de cada mês. Conheça e participe com inspiração livre. Confira aqui: chicabrincadepoesia

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Solidão no cais.



Foi numa noite estrelada,
Que o barco sumiu no mar.
Solitário espera sua amada,
E o barco não vem ancorar.
Reinventa uma esperança.
Poder sonhar.

Toninho

13/05/2016
Outras coisas:toninhobira.blog

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Participação na BC_uma imagem em 140 caracteres N º 94 na imagem escolhida pela Silvana em parceria com a Mari. Venha conhecer outros amigos e participar.Click nos nomes.

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Um bom fim de semana
Haja paz e alegria. 

terça-feira, 10 de maio de 2016

Poema pequeno


Havia uma imensa angústia
de um coração aflito,
nenhum grito esboçou
neste labirinto.
Pensou que fosse o fim,
era apenas o começo,
de uma saudade
infinita e crua
alojada no peito.
Sem mais jeito
como o Filho sob a cruz,
seguiu resignado.

Toninho.
08/05/2016
Meu outro blog toninhobira.blog

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Uma nova semana
Muita paz e luz
para todos.

sábado, 7 de maio de 2016

Dia das mães.



Sempre me vêm às lembranças,
a sua ternura a paz sorridente.
Era ela sinônima de esperanças,
força da fé no Deus Onipotente.

Quando a via naquela cadeira,
o seu olhar carinhoso aos netos,
sentia emoção na voz rasteira,
expressão máxima do seu afeto.

Quisera a estranha força da fé,
que possa me fazer o protegido,
em mar revolto vencer a maré,
sinto sob seu manto um ungido.

Hoje olho o céu, vejo as estrelas,
lá entre elas sei que já descansa.
A estrela cadente vem à janela,
sinto a benção. Vejo-me criança.

Toninhobira
07/05/2016
Mais sobre mãe: toninhobira.blogspot

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A todas as mães desejo uma explosão de carinhos,
Neste dia e em todos os dias de suas vidas.Parabéns mães. Feliz dia todo dia!


terça-feira, 3 de maio de 2016

Revoadas em minhas memórias.


Todos os domingos lá pelos anos 60 era dia de ir à missa na catedral, na pequena cidade de Itabira, para o povo do bairro da poeira vermelha. Era dia de vestir a melhor roupa e até calçar sapatos. Era também dia de comer macarronada feita com sardinha, acompanhada de lombo de porco ou a famosa galinha caipira com quiabo e angu. Era especial.

Os meninos das ruas de poeira, adorávamos ir à missa na catedral no centro da cidade era o passeio em nome da religiosidade de nossos pais. Sabíamos da presença junto ao pirulito no adro da igreja, de um velho senhor com o carrinho de pipoca e outro com carrinho de algodão doce branco como as nuvens que às vezes passeavam pelo Céu. Era para nós um dia de festa.

Ao lado da catedral um paredão de cimento com vários furos onde as andorinhas faziam seus ninhos e chocavam seus filhotes, que vinham aumentar esta família, que faziam revoadas quando os sinos badalavam ou quando alguns fogos de artifícios eram queimados nas festas religiosas. Mas todos os dias às dez horas aconteciam as explosões com dinamite pela Companhia Vale do Rio Doce na Mina do Pico Cauê. As explosões faziam tremer a cidade, as janelas de nossas casas faziam uma bateria e muitas vezes quebravam. Era lindo ver as andorinhas por toda a cidade, principalmente juntinhas pelos poucos fios de eletricidade da cidade, naquele severo frio da época.

Nós os meninos das ruas de poeira exímios caçadores de passarinhos, nunca usávamos nossos estilingues contra elas, eram como pássaros abençoados vindos do paredão da catedral. No catecismo as irmãs de caridade sempre alertavam para não maltratar as andorinhas e nós os meninos em grupo brincávamos dizendo, que as freiras eram como as andorinhas com aquela roupa preta e o peito branco.

Mas um dia as andorinhas começaram a sumir dos fios da cidade, poucas ainda revoavam pelo adro da catedral. Devia ser porque no centro da cidade mais carros surgiam, mais agitações que espantaram as andorinhas. Numa madrugada chuvosa uma noticia correu a cidade sobre a queda de um lado da catedral com as andorinhas voando revoadas para não mais voltarem por lá. Nossa catedral interditada e fim de nossas festas semanais. Muito se especulou da queda da igreja e podia notar a tristeza de seu famoso padre José Lopes, por nós conhecido como Padre Zé Lopão devido sua fúria diante nossos pecados confessos.

No nosso céu e ruas da cidade apareceu um estranho passarinho de cor estranha parda, que logo disseram que era Pardal, passarinho comum na capital, que alguém trouxe acasalado e soltou em seu quintal e este procriava rápido e espalhou pela cidade. O pardal não construía ninho e se apossava dos ninhos alheios quebrando os ovos e pondo os seus. E foi assim que as andorinhas foram sendo expulsas sem conseguir reproduzirem até sumirem de vez dos nossos olhos. Os pardais venceram as nossas andorinhas, que hoje fazem revoadas nas minhas memórias de menino das ruas de poeira vermelha lá no alto da cidade.
Toninho.
25/04/2016 
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Que a semana esteja a fluir belamente.


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Para quem é saudosista pode curtir abaixo.