sexta-feira, 30 de junho de 2017

João valentão.





João é recolhido numa casa de detenção por homicídios. Lila a assistente social o gerenciou na ala dos mecânicos. Sem dados dos pais era um sem teto. Agora sai na condicional para trabalhar. Abre a porta, sorri para Lila, acena com a mão direita.  À noite Lila ansiosa olha para o caminho, para o relógio, eis que João surge na esquina sorrindo com um bonito arranjo de rosas brancas nas mãos. Seria mais uma arte do João?


Toninho

30/06/2017

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Minha participação no Desafio de Portugal :Historias em 77 palavras projeto de Margarida 

Desafio: 

Hoje é dia de grande maldade.
Vou dar-vos uma ideia (não precisa aparecer, é só o empurrão de início):
Reencontrou o seu caminho. Saberia segui-lo até à próxima tempestade?
 Pegando neste tema, contem-me uma história em 77 palavras sem usar duas letras…
As letras proibidas são F e V ― que tal?

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Bom fim de semana
para todos.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

A casa das sete janelas.





















Vejo a casa fortaleza de sete janelas,
ali era a moradia das sete mulheres,
isoladas da sociedade como donzelas,
repressão confinamento de cárceres.

Cada janela uma donzela de tranças,
todas douradas como o Sol nascente,
mas uma não me sai das lembranças,
quando passava sorria furtivamente.

A sétima janela é testemunha muda
dos nossos olhares cheios de ternura,
suplicantes aos deuses só uma ajuda
que nos livrassem do fogo da tortura.

Mas a guerra nos separou friamente.
Hoje estas janelas fechadas ao mundo,
selam minha paixão hermeticamente.
Fecho o portão com olhar moribundo.

Toninho

25/06/2017 

Inspiração em imagem da BC.botando a cabeça para funcionar. Projeto da Chica Aqui. Confira/participe e veja outros participantes.

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Semana de paz
para você.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Uma noite assim.




















Na taça sobre a mesa jorra saudade,
que sorvo na noite sem a esperança.
Beijo a borda da taça na ansiedade,
como Sócrates na cicuta fez aliança.

A garrafa testemunha meu padecer,
ora tomba e despeja outra dose fatal,
que a boca se delicia em puro prazer,
de quem se entrega ao mundo irreal.

Sobre a mesa alumia o velho lampião,
que a mariposa está preste a suicidar,
nem imagina minha dor na decepção,
ver inúteis batidas de asas para voar

Mas a garrafa declina-se sobre a taça,
derrama fumegante a derradeira gota.
Olho para a foto no sorriso sem graça,
a luz se apaga, ouço batidas na porta.


Toninho
20/05/2017

Inspiração em fotografia.
coincidência 30 dias após.


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quinta-feira, 15 de junho de 2017

Enamorando a Lua Cheia.



Meus olhos que a tudo assistem encantados,
levam-me para uma viagem pela transição
da noite para o dia com as lembranças sutis,
de um tempo feliz de uma vida interiorana
quando via sumir a Lua numa serra negra,
e o Sol surgir por entre arvores gigantescas.

As mariposas já se recolheram às arvores,
outras já se suicidaram junto às lâmpadas.
De minha janela vejo vir um Sol bocejante,
para substituir a esta Lua cheia seresteira,
já exausta da sua permanecia inspiradora,
dos notívagos poetas das madrugadas frias.

Ultimas luzes sistematicamente se apagam,
sobre as ruas já em movimentos acelerados.
Lanço o meu olhar por entre arranha-céus,
ainda vejo a Lua desaparecer num infinito.
Lá no horizonte azul como uma bola de fogo
o Sol dourado desponta enamorado pela Lua.

Toninho.
15/06/2017

Minha participação na BC_botando a cabeça para funcionar que a Chica promove todos os dia 5. 15 e 25. venha participar na leitura da imagem 

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Um bom feriadão para você.


quarta-feira, 7 de junho de 2017

Voa coração.















Eu teimo em seguir meu coração,
que nada sabe destas artimanhas,
que pela vida entre o sim e o não
do beija-flor às flores nas manhãs.

Vai coração cantarolar a canção,
que fala dos amores já esquecidos,
no poema inspirado na desilusão,
com versos melancólicos esvaídos.

Vai coração pelos jardins floridos,
espalhe sobre folhas secas sua dor,
como anjinho do coração de Cristo
arranca espinhos, implanta a flor.

Ah, coração que não se sintoniza,
com meus lamentos nesta agonia,
saber que, o que esboça a pitonisa,
voa nas entrelinhas desta poesia.

Toninho
20/05/2017

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Tem sempre coisas novas lá Mometos e Inspirações

sábado, 3 de junho de 2017

Maldita seca sem fim.



Quando você solta sua voz em critica ferrenha e discriminatória sobre a transposição, talvez não conheça ou ignore o que é a seca, que avança sobre os sertões, com um rastro de mortes já descrito por Graciliano Ramos em Vidas Secas em 1938. Há uma degradação moral dos sertanejos e nordestinos sempre ocultos pelos meios de comunicação, preocupados mais em enaltecer a beleza da orla para o turismo.

Dar as costas para a vida dos sertanejos queimados e estragados pela fome, pela falta de água com certeza não vai ajudar em nada tão pouco a minimização da fome que se espalha pelos sertões do país, que ainda convive com o polígono da seca como fonte de recebimento de recursos que sabemos são desviados e perdem seus objetivos. O Brasil não é só litoral é muito mais do que qualquer zona sul, já dizia um cantor.

As imagens da seca são filmes de terror, ferem os olhos, inundam o chão estorricado com lagrimas. O sertanejo persevera na teimosa fé pelas chuvas, que cada vez mais se escasseia. A chuva parece se esconder deste povo teimoso, que se delira por um carro Pipa com a sagrada água milagrosa.  Mas ele muitas vezes se desvia para uma fazenda de um politico ou apadrinhado. Nem mesmo São José com as chuvas de Março tem privilegiado a região e fechando o verão sem uma gota no chão.

Pense num chão estriado como feridas abertas, ansioso pela miraculosa agua, que lhe dê vida, que faça florescer o Mandacaru com sua linda flor, que alimenta os últimos animais e assim o sertanejo vê seu gado morrendo sobre a terra árida. A água salobra que ele busca num açude longínquo, pouco serve para o que resta de família e que ainda compartilha com os últimos animais.

A seca é perversa e cada vez mais com os desmandos sobre a natureza, ela toma uma forma de mensageira da morte. O país precisa pensar grande um combate aos horrores das estiagens cada vez mais agressivas. O êxodo antigamente era solução para alguns que muitas vezes abandonava sua família com promessa de volta e hoje com crescente desemprego que assola todas as regiões ricas do Brasil, frustra esta perigosa saída em fuga.

Que transponham esta água possa efetivamente. Façam chegar ao pobre sertanejo, que em cantos desesperados faz promessas á todos os santos do oratório, aos deuses da chuva, ao Padre Cícero implora por um pouco de água, que faça a terra fecundar, que façam os grãos germinarem e assim acender a esperança, antes de enterrar o seu ultimo animal, um velho jumento companheiro fiel neste miserável chão.

Tende piedade deste povo, que dizem ser um forte, mas na realidade agoniza diante da terrível seca como em 1932.


Toninho.
18/04/2017
tem brincadeira por lá: momentos e inspirações.

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Tenha um bom e 
feliz fim de semana.