segunda-feira, 30 de agosto de 2021

Na boca seca o doce das uvas.

 
no video cenas do filme Vidas secas.

Uma imagem em um conto é projeto da Norma para livre inspiração na imagem e a frase contida. Veja lá nossos amigos inspirados ou deixe seu comentário sobre a figura aqui pensandoemfamilia


Na boca seca o doce das uvas.


Juquinha um sertanejo que cuidava de bodes naquela dureza de vida na caatinga¹ do sertão. Sonhava com o mar, morar perto do mar, inundar os olhos com tanta agua, que só via nas revistas velhas vindas da capital.

Assistia tristonho as mortes dos animais, olhava a terra trincada, que parecia o engolir e nada sobrevivia além do mandacaru,² que alimentava os bodes. O sonho lhe dava resistência. Era constante o sonho de mudar, encontrar algum tipo de trabalho na capital distante.

Foi num dia de domingo, que passou pela caatinga o dono de uma vinícola irrigada, que o convidou para trabalhar. Pensou, conversou com os pais, que seria uma chance para melhorar de vida e dar uma vida melhor para eles.

Sentados na porta do casebre, ouviam atentamente o senhor falar do trabalho, num dado momento o interrompeu e disse: não discuto com o destino, o que pintar eu assino. Meus velhos merecem um final de vida digno, vou arrumar minha trouxa e vamos logo.

E assim se fez em excelente trabalhador. Tornou-se um exímio conhecedor das uvas e do processo dos vinhos, galgando cargos na empresa e foi promovido a enólogo, que lhe proporcionar ganhos e resgatar seus pais para morar próximo da vinícola. Viajava todo fim de semana para Recife onde comprou um apartamento e levava os pais, para sentirem a brisa do mar. Numa praia tirou esta foto com gesto de vitória e gratidão a Deus.

 

Toninho

20/08/2021

Notas:

1- Caatinga: Mata do Nordeste brasileiro, onde a vegetação possui pouca folhagem e é quase exclusivamente composta de espinheiros, cactos e gravatás.

2- Mandacaru:  Arbusto cactáceo, comum nas regiões de caatinga.


Grato pela 

visita

Feliz Setembro

com paz.

quarta-feira, 25 de agosto de 2021

Sonho de liberdade.

 


Botando a cabeça para funcionar na sua edição 24ª nos trás uma imagem de um monumento de Porto Alegre que conta uma historia de liberdade, assim a Chica a oferece para livre inspiração uma interação, seja nos comentários ou numa postagem. Vamos ver nossos amigos aqui chicabrincadepoesia logo após minha participação.


         Sonho de liberdade.

 

É bem antigo sonhar pela liberdade,

semente que para germinar demora.

Cada gota sobre ela é doce umidade,

na coragem do mais simples caipora.

 

Não existe receita além da coragem,

com bravos soldados com disciplina,

coesos se movem numa engrenagem,

como os da Campanha da Cisplatina.¹

 

Que a liberdade seja a nossa certeza,

sem derrame do sangue do inocente.

Quero os cravos da luta portuguesa,

para embriagar toda a minha gente.

 

A história se repete em monumentos,

onde reluzem nossos heróis estáticos,

na solidão da praça sem movimentos,

inspirem nos o exercício democrático.

 

Toninho

25/08/2021

Nota 1

A guerra da Cisplatina ou campanha da Cisplatina, conhecido na historiografia argentina e uruguaia como província em disputa[6] foi um conflito ocorrido entre o Império do Brasil e as Províncias Unidas do Rio da Prata, no período de 1825 a 1828, pela posse da Província Cisplatina, a região da atual República Oriental do Uruguai. Na historiografia argentina é denominada como Guerra do Brasil ou Guerra Contra o Império do Brasil. (Wikpedida)


 Grato pela 

visita





domingo, 22 de agosto de 2021

Meu Olhar Espiritual na Pandemia.

 

Meu Olhar Espiritual na Pandemia é um texto para participar da interação festiva do blog da Rosélia Reis pelo aniversário de 12 anos de seu blog idade-espiritual. Que ela possa por mais tempo manter o espaço com igual graça e alegria com seus textos voltados para a espiritualidade. Veja outros pensamentos por lá. Parabéns Rosélia pelo espaço que busca seres melhorados.


Meu Olhar Espiritual na Pandemia.


Viver em pandemia é como atravessar um abismo de olhos vendados e sobre uma corda bamba, o que tem exigido uma certa disciplina muito mais do que o medo. O medo é irracional a disciplina se adquiri e pode ser lapidada dia após dia e assim poder sentir-se um pouco seguro.

São válidas a fé cristã e o exercício diário de orações, que venham nos fortalecer o espirito e assim viver como multiplicadores da esperança e ainda ser elemento incentivador da obediência aos cuidados e protocolos, que permitem uma mais eficiente proteção.

A pandemia sacodiu a humanidade e colocou em cheque o poder de reação e até acordou o sentimento de solidariedade entre pessoas e nações, o que nos faz crer, numa nova mentalidade mundial na reconstrução do homem melhorado, com uma força espiritual mais elevada e sólida, onde os olhares se cruzariam e convergiriam para uma só direção, a proteção coletiva. Mas o que se vê, é uma séria e indevida falta de noção/intolerância dentro de um egoísmo desprezível das vidas ceifadas.

Um novo tempo de uma normalidade diferenciada pelos novos seres mascarados, mas espiritualmente consolidados e do outro lado os sem noção com suas caras limpas, desprovidos de conhecimentos do que é uma pandemia, que dificultou os sucessos no controle do vírus, até que se concebesse um método mais eficiente pela ciência que foram as vacinas.

A pandemia acelerou-me o processo de meditação no uso de maior tempo sem atividade num isolamento jamais visto, que contribuiu para um autoconhecimento espiritual. A pandemia está tendo um papel importante no olhar para dentro e expurgar sentimentos, que até então eram difíceis. Assim creio no retorno melhor da normalidade, com o espirito em calmaria diante o vendaval que passa, posso levar com dignidade e resignação, mas com um peso no lado esquerdo das perdas, que venho acumulando nesta pandemia.

 

Toninho

21/08/2021


Grato pela visita

Paz e bem.



sexta-feira, 20 de agosto de 2021

Na tela vazia.

 



Uma imagem em 140 caracteres projeto de síntese de inspiração numa imagem que semanalmente a Marina visite seu blog e veja outros participantes deste projeto maravilhoso aqui devaneiosedesvarios


Olhar I

Acordou angustiado como retirante,

como caramujo isolando-se no sótão,

mergulhou numa paleta em instante,

desceu refeito com bela tela na mão.

 

Olhar II

Perdido entre façanhas amorosas,

Perdeu-se na inspiração da musa,

Diante da tela as dores silenciosas,

Perdeu entre as cores, viu medusa.

 

Olhar III

Era uma tarde linda de um verão,

A tela branca diante um pôr do sol,

Olhos admirados pinceis numa mão,

No fundo do branco vê belo girassol. 

 

Toninho

20/08/2021 


Grato pela visita

domingo, 15 de agosto de 2021

Tapete lilás.

 

Botando a cabeça para funcionar a BC da Chica de todos os dias 5, 15, e 25 para uma imagem com inspiração livre. Confira chicabrincadepoesia



Tapete lilás.

Quando findou a chuva foi assim,

a alameda se vestiu com belo lilás.

Parecia passear em lindo jardim,

a embriagar-me o perfume fugaz. 

 

As flores caídas em lindo tapete,

quando piso parece a aquarela,

lembrou-me da Rua Ramalhete,¹

com os ipês roxos na Primavera. 

 

O outono deixou para o inverno

desfolhar das flores das arvores,

que nuas escondem o sempiterno,

nas quatro estações sem as dores.

 

Agora é a estação mais querida,

perfume nos dias com delicadeza,

que faz meu viver ter mais vida,

a manhã renova-me com pureza.

 

Toninho

15/08/2021

Nota 1: Referencia à uma rua pacata e familiar de Belo Horizonte nos anos 60.

Em tempo parabenizo nossa amiga Carminha 
pela passagem de seu aniversário, desejando que o novo ciclo
 seja de paz, alegria e muita saúde.

Gratidão
por sua
visita

segunda-feira, 9 de agosto de 2021

Recordação nebulosa.

 

Parabéns Norma por manter este belo espaço onde muito colhemos de sua poesia e profissão como terapeuta. 12 anos a espalhar o melhor de si, para nós. Veja mais outros amigos por lá pensandoemfamilia


Recordação nebulosa.

 

É inverno rigoroso pelo Nordeste.

da janela vejo espigões encobertos.

Só a luz de um para-raios aparece

Sinto Itabira tão longe e tão perto.

 

A cidade que translucida se veste.

É manhã com cerração pela serra,

uma lembrança vem sem tristesse,

aconchegante inverno que impera.

 

Alenta-me recordar na felicidade,

das noites junto ao fogão a lenha,

a família reunida eterna saudade,

do bom mingau quente da azenha.

 

Recordar os momentos de alegria,

olhando o cinza que faz a neblina,

na manhã úmida que tanto esfria,

é alegre viajar pela minha colina.

 

Toninho

08/08/2021 

Nota:

Moro em Salvador desde 1986 nunca tinha visto neblina como neste inverno atual, isso faz me recordar a Itabira, que pela manhã é coberta por densa neblina e assim penso que atende a proposta da Norma que é sobre Recordar. 

Grato pela visita

e comentário.



quinta-feira, 5 de agosto de 2021

A casa branca.

 

Botando a cabeça para funcionar é uma BC da Chica que nasceu de um exercício dela com o netinho Neno (hoje na UFRGS) onde uma imagem era usada para interpretação e inspiração, acontece todos os dias 5, 15 e 25 no seu blog chicabrincadepoesia vamos lá ver nossos amigos para a imagem abaixo.


Minha casa na serra é um refúgio,

onde posso aquietar o meu coração,

que vive aos trancos como repudio

ao que desagrega e faz a exclusão.

 

Lá o Céu parece tão mais próximo,

que ergo minhas mãos na emotiva,

que encanta meus dias num átimo,

mas que refaz minha perspectiva.

 

É cercada pelas arvores frondosas,

que fazem um frescor na varanda,

Ali cantam as maritacas ruidosas,

aos olhares do sabiá no jacarandá.

 

As noites estreladas e cintilantes,

como camisa de lantejoulas azuis,

a lua se faz mais bela. E radiante

adormeço, com o balé de colibris.


Toninho

05/08/2021


Grato pela visita.