O Projeto Escrevendoás quintas no blog do amigo Luferura vem com a proposta de uma máquina, que nos leve ao passado e nos devolva ao futuro com nossas esperanças, medos e sonhos. Confira os participantes. Minha maquina um moedor de café.
O Moedor de café.
Atrás da porta da cozinha, preso por um prego torto, ficava o moedor de café do meu pai. Ferro fundido, madeira gasta. Ninguém usava. Só atrapalhava a porta bater, mas era para os meninos uma diversão o uso semanal.
Hoje a porta emperrou de novo. Eu fui tirar o moedor do caminho e, sem querer, girou a manivela. Créc, Créc, Créc. Cheirinho de café queimado subiu. Não era café. Era o tempo moendo as minhas belas lembranças.
A cozinha rodou. Quando abri os olhos, a porta era a mesma, mas a tinta era nova. O moedor estava no mesmo lugar, só que brilhando. E uma voz lá fora pude ouvir:
- Deixa esse moedor quieto, menino!
Meu pai. De chapéu, com a camisa de brim caqui com logomarca da empresa Vale. Moía o café de verdade, na mesa. Cada volta da manivela soltava uma fumacinha que era uma cena comum naquelas casinhas da Vila Operaria todos dos os fins de tarde, quando os homens voltavam da mina de minério.
Nesta visão repentina entendia que cada grão que ele moía era um dia passado.
Eu disse para ele, que ia usar o moinho para moer
para frente. Ele apenas sorriu, dizendo que “para frente não tem grão ainda,
meu filho”. Só tem pra trás. E se moer tudo, acaba.
Eu peguei a manivela e girei com força e rápido, com saudade apressada. O cheiro ficou cada vez mais forte. Senti-me tonto ao som do Créc, Créc, Créc.
A porta bateu sozinha, acendeu os meus medos de assombrações.
Eu ali parado, com a mão na manivela do moedor ainda quente na mão. Na caixinha de baixo, onde deveria ter pó de café, tinha só uma coisa: um grão inteiro, ainda por moer. O dia de hoje.
Toninho
02/09/2026
Grato pela
visita


Hola Toninho,
ResponderExcluirNos presentas un texto muy bonito en el que la maquina del tiempo es un humilde moledor de café. Nos remontas a una práctica que hoy casi no existe y con ella nos haces viajar a un pasado donde recibes las lecciones del futuro. Una idea muy bien desarrollada. Me ha gustado mucho.
Y además no hay mejor café que el que se hace recién molido de la máquina. Mi abuela lo hacía así.
Un saludo.
Olá Toninho,
Você nos presenteou com uma bela obra em que a máquina do tempo é um humilde moedor de café. Você nos leva de volta a uma prática que quase não existe mais hoje em dia e, por meio dela, nos transporta para um passado onde recebemos lições para o futuro. Uma ideia muito bem desenvolvida. Gostei muito.
E além disso, não há café melhor do que aquele feito com grãos moídos na hora. Minha avó costumava fazer assim.
Atenciosamente.
Toninho, uma das mais belas histórias onde saudade e o tempo que passou se misturam.
ResponderExcluirTuas metáforas do tempo, a fumacinha, o crec, crec e os ensinamentos que tiveste... ADOREI! APLAUSOS muitos! abração, chica e vamois viver o grão de café que é o HOJE!
Bom dia, Toninho.
ResponderExcluirSublime conto , talvez o meu preferido!
Transformaste o moedor de café num elo vivo entre memória e tempo. Cada gesto abre uma fresta para o passado, lembrando que o que realmente nos fica é aquilo que se gasta, aquilo que se perde e o pouco que ainda podemos segurar : o dia de hoje.
Parabéns!
5*****
Beijinho e ótima semana com paz e saúde.😘
Ah, pero qué lindo lo del molinillo, me trajo mi infancia. Saludos
ResponderExcluirNo solo nos dejas esos recuerdos sino el aroma de ese café que tantas cosas vivió.
ResponderExcluirEse molinillo dando vueltas tantas hasta dejar ese grano tostado en un olvo tan suave que nos embriaga el paladar, y alrededor toda una historia que vivir y recordar
Muy bonito
Un abrazo, feliz semana