quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Quem espalha flores, planta caminhos

 

BC_Botandoa cabeça para funcionar da Chica acontece todos os dias 5,15 e 25 para uma imagem postada no blog sementesdiarias. Participe e leia os amigos com links. Desejo uma feliz férias para Chica e Kiko onde haja muito Sol e paz.

Sempre numa bicicleta ele vai,

Com um balaio de cor e cheiro,

E pela estrada de pedra deixa

o rastro de um bom jardineiro.

 

E lá vai pedalando com beleza,

sem pressa, mas com um destino,

Cada flor que cai pelas pedras

Já floresce o chão do caminho.


Perde pétalas, ganha a estrada,

perde pressa, ganha um verso,

Quem espalha flor no caminho

Faz florescer todo o universo.

 

Toninho

15/10/2026

Grato pela visita



Minha homenagem aos mestres
em atividades e os inativos,
com igual importância.



quarta-feira, 7 de outubro de 2026

O rascunho da criação.

 

BC_escrendo às quinta nesta semana vem do amigo Ibso do blog caminoutopia onde tem links dos amigos participantes, onde ele propõe que crie uma historia sobre o primeiro rascunho. Eu enveredei pela ficticia criação de uma canção.

O rascunho da criação.

Era o ano de 1978 o país vivia sob uma ditadura, que já tinha sumido com muitos artistas contra o regime. A censura era total e o silencio imperava, alguns artistas buscavam na música, críticas ao sistema, mas sempre eram fichados e barrados pelo sistema.

O pobre Zé Carlos consertava rádio no bairro de Nazaré na cidade de Salvador. No balcão, entre um chiado e outro dos rádios, ele teve um estalo. Uma melodia inteira na cabeça e duas linhas que vieram redondas, perfeitas.

Ele pegou um guardanapo de bar, e anotou. Mas, depois nada veio na cabeça para continuar aquela música. Triste buscava inspiração e esta não vinha. Zé Carlos ficou noites acordado. Acendia a luz, pegava o violão emprestado do vizinho, tentava puxar o resto. Mas a música não vinha. Era como lembrar de um sonho pelo cheiro.

Com raiva e vergonha, amassou o guardanapo e jogou numa caixa de válvulas e parafusos. "Se não vem inteira, não presta para nada esta música." Aquela caixa enferrujada ficou por 23 anos num canto daquele cômodo.

No longínquo ano de 2001 Zé Carlos cansado aposentou e fechou a loja de conserto de rádios. O filho dele vasculhando as coisas da oficina, achou o papel amarelado, quase pó, e colou na geladeira só porque achou a letra do pai bonita.

Um amigo violonista que vivia no Pelourinho viu aquele rascunho, e ali mesmo sentado num banquinho de madeira colocou os acordes que faltavam, e a coisa tomou forma e chegou até o Caetano Veloso, que logo assumiu gravar.

Quando Zé Carlos ouviu numa rádio de Salvador pela primeira vez, ele não chorou, porque estava fazendo sucesso. Chorou porque, pela primeira vez em 23 anos, aquela agonia da criação na cabeça fez um silêncio, dormiria em paz.

 

Toninho

07/10/2026

Grato pela visita

 

domingo, 4 de outubro de 2026

Uma viagem obsoleta

 

BC_Botando a cabeça para funcionar de Chica acontece todos os dias 5, 15 e 25 para uma imagem postada no blog sementesdiarias. Confira e participe. 

Uma viagem obsoleta

O foguete em partida é, no fundo, um espelho do nosso tempo: muita potência para sair, pouca paciência para ficar e resolver. Poderíamos estar indo para frente, mas não se aplica esta metáfora, como também aconteceu com os cata-ventos em verde e amarelo em tempos cinzas idos.

Para subir, ele precisa queimar combustível descartado. Vai deixando sua fumaça e uma plataforma chamuscada. O lançamento deixa mais um buraco no orçamento, um recurso que bem poderia ser aplicado na saúde e educação. Ou quem sabe no combate à fome mundial ou contra a degradação da natureza

O que mais estranha é esta busca desenfreada pela colonização do espaço como Marte, ao passo que aqui nada se aprendeu do cuidar da Terra. Porque no fim, o que importa não é até onde o foguete vai, mas o que a gente decide não deixar para trás. E o foguete sobe e cai num mar agredido com tantos lixos do espaço.

 

Toninho

04/10/2026

Grato pela visita