Saudades de Natal II.
Em minhas lembranças há um Natal,
Que nem nos sonhos o encontro mais.
Refém de uma saudade sobrenatural,
Perco-me na poeira das ruas das Gerais.
Meus olhos vagam pelas ruas da cidade,
Procuram pelas igrejas abertas em
festas.
Da missa do Galo restou apenas
saudade,
Ao ouvir o sino levo minha mão à testa.
Sincronizo as figuras da Santa
Trindade,
Como a encontrar as ultimas
lembranças,
Que reforçam toda a minha
religiosidade,
Numa clara benção de minhas
esperanças.
Vejo as casas de mesas fartas de
alimentos,
Noutras apenas o pranto das
necessidades,
Certo que ali todos celebram o
nascimento,
Mas há os que a fome clama
fraternidade.
Vejo um presépio na sala com uma
emoção,
Recordo um menino com brilho nos
olhos,
Atento a cada detalhe da sua construção,
O Pai, a mãe, filho, estrelas e Reis
Magos.
O pó de minério cola no pano de
aniagem,
Com seu brilho azulado da noite de
Belém.
Aquilo sempre me encantava na imagem,
Sobre a manjedoura onde dorme o Neném.
Lembranças resgatadas no bau de emoções,
Que me importunam numa distancia,
Que minha memória presa pelas tradições
Enraizou um Natal que agora é nostalgia.
Agora aquele galho de arvore com
algodão,
Com aquelas bolas multicoloridas a
reluzir,
Sobre os sapatinhos pobres ali numa
ilusão,
A lagrima cai e ensina em nunca se
iludir.
Naquele tempo que criança nunca
exigia.
A Bola de borracha ou boneca de
papelão,
Fazia felicidade das crianças da
periferia.
Sabiam os limites que impunha a condição.
Os olhos no quintal miram o peru a
correr,
A cachaça de rolha para a carne
amaciar,
São lembranças da mãe que me faz prever,
Que uma lagrima quente vem me lembrar.
Toninho.
Numa cidade de pedra num canto de
Minas,
Emolduram-se meus sonhos em paredes de
pedra, onde estão incrustadas as raizes de minha fé.
Desejo a todos amigos Um Feliz Natal de muita paz e alegria, que seja contagiante.
Meu carinhoso abraço sempre.
Uma linda canção para voces.
Informativo:
A literatura alagoana e a brasileira estão de luto. Morreu, na madrugada deste domingo (23), em Sevilha, na Espanha, vítima de infarto, o escritor alagoano Lêdo Ivo, de 88 anos.
A literatura alagoana e a brasileira estão de luto. Morreu, na madrugada deste domingo (23), em Sevilha, na Espanha, vítima de infarto, o escritor alagoano Lêdo Ivo, de 88 anos.
