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quinta-feira, 21 de abril de 2011

Por que fazer poesia?


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Por que fazer poesia?

Dizem que o poeta é um grande fingidor, mas diante de certos textos podemos penetrar na alma do poeta e de lá extrair toda sua essência.

Entender cada palavra que lhe dá vida na devida importância que muitas vezes parecem sair de suas entranhas num processo cirúrgico das dores e desencantos que ele vai colhendo pela vida sejam amorosas ou mesmo profissionais e ainda aqueles mais sensíveis que expurgam todas suas dores sociais num mundo desigual e desumano, pautado na exploração dos seres menos favorecidos do sistema.

São palavras às vezes que mais se parecem com um aparelho de detectar verdades, que às vezes cismamos em não mostrar e vai que pelas entrelinhas um mais atento leitor vem e expõe toda a verdade que se pensava oculta. Assim os poetas estão expostos e postos numa mesa de um centro cirúrgico das interpretações, assim anestesiado e pronto para uma devassa de suas emoções.

É linda esta capacidade que os poetas têm de esconder suas verdades e de como elas se afloram pela lente do leitor mais antenado. Muitas vezes fala-se na terceira ou segunda pessoa, ou mesmo coloca todos no barco com as pessoas do plural, para falar da dor que ora sente, para falar da decepção que ora lhe aplaca. A bela arte da poesia, ainda mais quando dela faz uma síntese contundente diante de uma grande tragédia da alma. 

Muito há que se reverenciar a estes seres de luzes, estes fingidores, que nos fazem repensar, a entrar por um labirinto na busca do entendimento e muitas vezes damos de cara a cara com como nossa própria vida nas palavras mágicas deles. Ai pensamos, será que ele escreveu para mim? Será que ele também esta passando ou passou por isto? 

Aos mestres da arte de fingir (?), eu rendo as minhas homenagens a todos vocês por esta magia, que se na poesia é pura fantasia na vida é a mais pura verdade que nos alimenta de reflexões e belas emoções.

Toninhobira
18/04/2011


terça-feira, 19 de abril de 2011

Se eu voltei.


 
Da série ouvindo música e viajando nas letras.

 
Se eu voltei.













Imagem do Google



 


Não, não fui eu o primeiro, mas voltei
Mas não sei quando pensei
Que poderia ter voltado,
Antes de pensar.

Mas a vida que seguia insistia nesta estratégia
Sempre me pedia para voltar e recomeçar
Mas não sabia onde foi que parei, apenas prosseguia.
Parece que na vida há sempre uma voz a ordenar.
E foi assim que me embrenhei pela estrada da vida.

Muitas vezes ficamos neste dilema de seguir ou voltar
Mas logo se percebe o quão é difícil a transposição    
Para o nada, para o não mais existente.
Sua vida mudou, o dia fugiu antes da Lua se exibir.
E você não viu o momento mágico do Pôr do Sol.

Agora já vem a noite pela frente
A mesma que se fez traiçoeira com suas armadilhas
Em cada esquina a lhe assombrar, ladra do sono
E as horas passam lentamente e você sofre muito.
Nas lembranças tantas que tanto pensou apagar.

E quando a manhã lhe surpreende em seus olhos
Seu corpo cansado, exausto neste alvorecer
Não atende suas vontades, em lentos comandos
E você se deixa levar por esta vontade de voltar
Mas nem sabe mais para onde voltar

Porque agora tudo já passou, acabou.
Mas se eu voltei...
Nunca saberei.


Da série ouvindo música e viajando nas letras.

“Tem dias que a gente se sente
como quem partiu ou morreu,
a gente estancou de repente
ou foi o mundo então que virou
a gente que ter voz ativa de nosso destino mandar,
mas vê que chega a Roda Viva
e carrega a tristeza pra lá...”(Roda Viva)
(Chico Buarque)

“O céu da ilusão
Que não se acaba
A música do vento
Que não pára
Será que a luz do meu destino
Vai te encontrar...” (Retrovisor)
(Fagner)



Toninhobira
10/04/2011