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segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Flores de minha espiritualidade.


Vem de Pessoa:

Coroai-me de Rosas (Fernando Pessoa - in "Odes" )

Coroai-me de rosas, 
Coroai-me em verdade, 
De rosas — 
Rosas que se apagam 
Em fronte a apagar-se 
Tão cedo! 
Coroai-me de rosas 
E de folhas breves. 
E basta.          

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Comemoração dos 8 anos do blog Espiritualidade da Rosélia aqui idade-espiritual ofereço esta inspiração abaixo à esta amiga. Meus parabéns Rosélia por estar entre nós com sua fé e estimulo à espiritualidade.

Vem de Toninho















Corre em mim o rio, rega a esperança,
que deságua sobre minha fé florescida,
flores sem espinhos, ódio ou vingança,
numa elevação que colore minha vida.

Recrio o jardim nas flores que ofereço,
pelos meus caminhos bem aventurados,
espalho o bem, o coração tem endereço.
Há flores em mim sinto me abençoado.

Ainda que seja árduo vivo o intervalo,
pelas forças divinas florescidas pela fé,
coroa-me numa gentilezas como regalo
que me sustenta diante da baixa maré.

É possível ser eternamente primaveril,
e sereno como Jesus na Oitava estação.
Embriagar-me-ei sob uma coroa sútil,
sutilmente posta para minha elevação.

Toninho
27/08/17

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Feliz Semana
para você.



sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Pegadas para o tesouro.



Vi uma menina correr pela areia da praia. Encantada com sua sombra buscava prende-la, mas notava que corria e parava com seus movimentos, era linda a cena da menina em sua inocência.

De longe admirava sua destreza e equilíbrio numa areia, que já se sentia quente para uns pezinhos de pele tão fina e assim fiquei a filmar a menina e sua sombra deslocando pela praia, ela não demonstrava medo da sombra que brincava com ela, era toda curiosidade.

Percebi que próximo havia uma mesa com algumas pessoas para onde a menina sempre olhava e sorria. Notei que eles faziam gestos para a pequenina, que sorria e corria ainda mais na caça à sombra, era tudo um misto de ternura e vigilância daqueles, que estavam à mesa.

De repente notei que ela esquecera sua sombra. Vi que ela estava pisando nas pegadas deixadas sobre a areia. Ela pisava em cada uma como se soubesse brincar de Amarelinha. A menina parava em alguma das pegadas e olhava a do lado e mudava de pisada, de longe parecia que procurava um tesouro, pois se agachava e ficava minutos olhando e depois seguia outras.

A menina corria de pegada em pegada às vezes caia sentada, mas não chorava e os olhos da mesa esperavam a reação e ela levantava e seguia na sua busca pelo tesouro. Eu de longe já tinha certeza disso.  Com as pegadas se aproximando da mesa, notei que seu sorriso era mais estridente em sintonia com a festa do pessoal da mesa, quando alguém da mesa gritou:

_Vem Marina corre para vovó e vovô!

Assim foi que pisando nas ultimas pegadas, deu uma corrida mais veloz, pois a areia já esquentava seus pezinhos  e pulou nos braços da vovó, que fora ao seu encontro saindo de um sombreiro com uma mamadeira com agua gelada. Então vi que as pegadas, a levara para o seu precioso tesouro, que eram seus avós.

Toninho
25/08/2017  

Inspiração para o projeto Botando a cabeça para funcionar da amiga Chica com inspiração livre na imagem acima. Conheça e participe.

Um bom fim de semana
para você.


sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Gestação de Primavera.















Sob a sombra descansei.
Adormeci acordei velho.
Sob os pés as folhas secas
Da arvore agora despida.
Despi fantasias do verão.
Serei Primavera.

Toninho

18/08/2017

Minha participação na BC_#umaimagemem140caracteres de Mari e Silvana em toda Sexta-feira.

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Outras inspirações na imagem:

I
O vento desnuda as arvores,
as engravida de primavera.
Linda gestação da natureza.
O banco acolhe as folhas secas,
que o bronze inerte observa.

II
Tapete na praça.
Vestígios do Outono_
Árvores nuas.

III
Árvores despidas numa praça,
O bronze retrata um passado,
dos heróis na Inércia de vidas,
O banco se vestiu de amarelo.


Toninho.

Bronze: referencia às estátuas e bustos colocados em praças.
II é um Haicai.





terça-feira, 15 de agosto de 2017

Parada da fé.





Todos os dias por aquele caminho via passar umas crianças pobres do lugarejo das Duas Pontes, seguiam felizes cantavam canções, que aprenderam com seus pais. Era um caminho de pedras soltas no sopé de uma serra, várias vezes cortado por um regato, onde troncos de madeira serviam como rudes pontes.

No meio destas crianças tinha uma menina, que se destacava pelas longas tranças douradas, era muito clara e franzina, parecia doente. Muitas vezes parava pelo caminho como a recuperar a respiração, mas sempre apoiada pelos amigos, conseguia vencer a distancia para chegar até à escolinha numa fazendinha, onde a filha do fazendeiro alfabetizava as crianças daquela região.

Um dia da margem do regato onde pescava, vi o grupo de crianças, seguiam silenciosas na rotineira caminhada de volta para suas casas. Intrigado e curioso gritei para saber da falta da menina, a de tranças longas. Um garoto me observou e olhou para o céu dizendo, que ela foi morar com Nossa Senhora. Fiquei mudo e emocionado e baixei os olhos.

Algum tempo passou, voltei àquele lugarejo como de costume, para dias de folga longe da cidade e junto à natureza, pois lá morava minha avó. Numa manhã de volta da pescaria, notei que havia uma gruta bonita junto a uma nascente onde as crianças paravam para beber água. Percebi uma linda imagem de uma santa com manto azul.

Em conversa com a avó, soube que ali num dia após forte temporal, várias pedras deslizaram da serra, no momento que as crianças passariam, mas que uma forte luz surgiu na frente deles e no meio da luz, a figura de uma menina de trança com braços abertos os impediu de seguir, justamente quando as pedras no caminho. Desde aquele dia as crianças colocaram aquela imagem de Nossa Senhora na gruta.

Agora os moradores do lugarejo passam pela gruta e se benzem. Outros levam a água em garrafinha, pois creem num milagre de Nossa Senhora a pedido da menina franzina de longas tranças douradas.  Já as crianças todos os dias param junto à gruta, cantam o que a menina mais gostava , depositam flores brancas. E seguem na feliz cantoria, pois acreditam piamente, que no céu alguém cuida delas com carinho.

Toninho
15/08/2017 

Inspiração para a BC_botando a cabeça para funcionar projeto da Chica nos dias 5, 15 e 25. Conheça e viaje na imagem aqui: chicabrincadepoesia