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terça-feira, 3 de outubro de 2017

Nas asas do passarinho.




Vivo a ouvir cantos dos passarinhos,
na delicadeza receptiva à Primavera,
que em Setembro se vê tantas belezas.
É o tempo de jardins campos florido.

Voo nas asas do passarim encantado,
com o seu canto estridentes na mata,
vejo pássaros de regresso aos ninhos,
na velha mangueira de meu quintal.

O sobrevoo sobre frutíferos pomares,
ar aromático de bons frutos maduros,
sinto escorrer no peito o doce caldo,
que adocica minhas belas recordações.

Em êxtase por toda beleza primaveril,
pouso na margem do regato cristalino,
sorvo  da nascente a refrescante agua,
que vai livremente para o rio corrente.

Vejo operoso pedreiro João de Barro¹,
que faz de barro em barro a casinha,
no galho do secular majestoso jatobá²,
onde o caxinguelê³ se farta de frutas.

Então o Sol se esconde atrás da serra,
guio-me pelos últimos raios dourados,
a seguir a fumaça do casebre branco,
onde estão minhas pueris lembranças.

Toninho
28/09/2017
Outras historias: https://toninhobira.blogspot.com.br/


Nota 1:
João de barro  ou forneiro é um pássaro que constrói seu ninho com barro, conhecido como construtor da mata.
Nota 2:
Jatobá ou jatai é arvore frutífera frutos em favas
Nota 3:
Caxinguelê ou serelepe é um pequeno roedor, que sobe em arvores, coqueiros para roer os frutos.

Inspiração na postagem de Zizi na BC. Botando a cabeça para funcionar Nº 25 aqui: Zizi 

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Lembranças vazias.



Revejo com saudades a praia.
A brisa não suaviza tua falta.
As cadeiras vazias é uma fria
tradução desta minha solidão .
Ah, que saudade de ti.

Toninho
29/09/2017

Projeto #umaimagemem140caracteres de Mari e Silvana de toda sexta-feira.

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Feliz fim de semana
Um Feliz Outubro 
para você.



domingo, 24 de setembro de 2017

Assim ela Chegou















Assim que a vi chegar floridamente,
ainda com os ventos frios do inverno,
vi um beija-flor bailar divinamente,
com olhos vestidos do amor materno.
vi o Céu vestir-se azul. É primavera.

Ouvi dos fios cantos dos passarinhos.
Vi no verde das árvores a elegância,
que é o abrigar nos galhos os ninhos,
às vezes destruídos pela ignorância.  
     
Da janela ouvi o canto do Bem-te-vi,
na sua caçada aos insetos do jardim,
onde a roseira vermelha volta florir,
senti daqui perfume do belo jasmim.

Viajei pelo campo da velha infância,
lá recolhia para mãe flores amarelas,
dos ipês que floriam em exuberância,
que no domingo enfeitavam a capela.


Toninho
22/09/2017

Tem poesia lá também: toninhobira.blogspot

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Feliz Primavera
no seu coração.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Se não houver amanhã II.




E se não houver o amanhã real?
Se não houver flores no jardim?
Sem as frutas doces pelo quintal
os passarinhos cantarão enfim?

Apaga-se do rosto nosso sorriso,
fica aberta uma velha cicatriz,
que sangra e me rouba o juízo.
Alucinarei num velho chafariz.

Viver-se-á assombrosa ausência,
nos porões sombrios do infinito
com sentimento de impotência,
perante a solidão como um rito.

Pois que o amanhã fica distante,
e olha, o que não mais te alcança
perde-se o encanto neste instante
num inatingível passo da dança.

Toninho
20/06/2017

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Creio que esta inspiração seja reflexo do livro: 
"Não verás país nenhum" (Ignácio Loyola Brandão) lido nos anos 80