Nas
minhas lembranças vejo um Natal, que nem em sonhos me visitam mais. Há uma
saudade perdida nos movimento da vida. Na noite de Natal nenhuma igreja aberta
para a missa do Galo, que já nem se fala mais. O que vejo são casas abarrotadas
de pessoas em volta de mesas fartas. Perdeu-se bastante da religiosidade e
magia daquela noite. Comemora-se estranhamente o nascimento, daquele que veio
ao mundo para libertá-lo de todas as mazelas, que enfrentava. Vinha com a
simplicidade contrastante com os excessos vigentes.
Era
linda a véspera de Natal uma festa contagiante, reunião de famílias para a ceia
natalina, agradeciam o alimento, trocavam presentes confraternizavam com
vizinhos Era uma noite alegre, reinava paz, riso solto das crianças com seus
brinquedos simples. Havia pão nas mesas, nos casebres mais simples. O presépio
feito pela família era o ponto de encontro das crianças.
Eu
me encantava com os presépios, ouvia historias do nascimento de Jesus, o céu
era sempre limpo e estrelado e eu menino ficava olhando o céu a procura da
estrela guia dos Três Reis Magos que via ali ao lado do menino na manjedoura. Os
meninos participavam na construção destes presépios e viviam aquele momento.
Eram os meninos da vila os fazedores de presépios com o barro do córrego e o pó
brilhante do minério de ferro da mina. Ainda vejo os meninos moldando
bichinhos.
A
árvore de Natal era feita de galhos das arvores que buscava na serrinha do
local, onde reinava os lobos noturnos. Arvore branca com uso de algodão
enrolado nas galhas e algumas bolinhas penduradas. Junto dela os sapatos das
crianças no sonho do presente. O sonho de menino era bem simples, os carrinhos
e bolas de futebol, bonecas feitas de papelão. As crianças da vila sonhavam
pequeno, a simplicidade os unia e os faziam crer que ao crescerem seriam como
os pais. A simplicidade os guiava para a fraternidade como pacto de vida, eram
todos por um e um por todos e foram assim que viveram as noites de Natal, até
que o tempo fez deles, adultos saudosistas.
Uma
estrela cruza o Céu de minhas lembranças na simplicidade de minha infância
religiosa, por ela é que me guio e vivo o Natal todos os dias, desde a
Anunciação onde nasce a aceitação do “faça a tua vontade”.
Toninho.
20/12/2017.
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Obrigado Roselia pelo convite na sua VIII Interação Fraterna de Natal aqui: idade-espiritual um pouco atrasado.
Ao
tempo que gradeço todas as manifestações de Feliz Natal.
Renovo
meu desejo de estar com vocês no Novo Ano
em
sintonia perfeita com um pensamento positivo







