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terça-feira, 19 de setembro de 2017

Se não houver amanhã II.




E se não houver o amanhã real?
Se não houver flores no jardim?
Sem as frutas doces pelo quintal
os passarinhos cantarão enfim?

Apaga-se do rosto nosso sorriso,
fica aberta uma velha cicatriz,
que sangra e me rouba o juízo.
Alucinarei num velho chafariz.

Viver-se-á assombrosa ausência,
nos porões sombrios do infinito
com sentimento de impotência,
perante a solidão como um rito.

Pois que o amanhã fica distante,
e olha, o que não mais te alcança
perde-se o encanto neste instante
num inatingível passo da dança.

Toninho
20/06/2017

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Creio que esta inspiração seja reflexo do livro: 
"Não verás país nenhum" (Ignácio Loyola Brandão) lido nos anos 80


sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Sentimentos aflorados.



Luci naquela manhã acordou sorrindo ninguém viu, andou pelo quarto abriu a janela voltada para o mar, o dia estava azul e um Sol radiante no horizonte, que fez da manhã a mais linda das manhãs daquele Setembro.

Luci estava sobre efeito do encantamento hortênsia, que num sonho lhe veio num lindo buquê com umas iniciais FMAF. Sentou-se na varanda, olhou para o jardim, onde um beija-flor bailava no bebedouro com agua adocicada ali colocada todos os dias.

Nos seus olhos brilhavam as hortênsias do sonho e pensava curiosa com as iniciais. Por instante imaginou ser real, correu até a cozinha, onde apenas a secretaria Joaninha cuidava do café matinal com um bolo de laranja, que acabava de sair do forno. Questionada disse, que não apareceu ninguém na casa, nem flores foram entregues.

Luci voltou ao quarto, procurou seu livro de sonhos, que herdara de sua mãe. Folheou apressada na busca de uma resposta. Lá estava que receber buquê de hortênsias significava predição que terá muitos admiradores. Sorriu e fechou o livro e colocou de volta na gaveta. Voltou para a cozinha para saborear o bolo de laranja.

Ao sair para a universidade, parou no posto de gasolina perto de casa, quando já saia, um garoto nunca visto por ali lhe entregou um cartão de visitas. Jogou no porta-luvas como sempre fazia. Ao voltar da escola, abriu o porta-luvas para ver o cartão colorido e levou um susto. Uma lagrima caiu na sua mão. Estava escrito no cartão: ofereça flores para ela Floricultura Mamãe Adora Flores Ltda. Era nova a loja por ali, foi lá e silenciosamente comprou um buque de hortênsias, e seguiu para o cemitério onde a mãe jazia.


Toninho
15/09/2017 


Minha participação na BC_botando a cabeça para funcionar. Projeto da Chica aqui: chicabrincadepoesia


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Bom fim de semana
para você,


segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Verso pronto.



O teu sorriso será minha poesia,
em versos rebuscados lapidados,
numa inspiração feliz da elegia
daqueles poetas bem iluminados.

Que será a poesia na inspiração
linda como no pântano os lírios.
Como uma flor branca do sertão,
o mandacaru, como um colírio.

Ocultas tua face, na boca o doce
encontro. Nas entrelinhas beijo.
Misteriosa que em mim és posse,
desvendados segredos e regozijo.

Bem que te vi vir na elegância,
na rima romântica e sedutora,
tive delírios, ardi febril, ânsia,
o beijo da mulher encantadora.

Toninho
14/07/2017

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Semana feliz
para todos.



terça-feira, 5 de setembro de 2017

Sob um Céu de brigadeiro.



A Chica em sua BC_botando a cabeça para funcionar de hoje enviou esta imagem para livremente escrever sobre ela. Conheça e participe, eu viajei pelas coisas do sertão que meus olhos viram e gravaram e ofereço mais estra prosa. Visite e veja outras leituras chicabrincadepoesia




















Quando o Céu se veste em brigadeiro,
parece que para o tempo lá no sertão,
nem os répteis se arriscam no terreiro,
pois o sol parece, derreter aquele chão.

Debaixo da ultima arvore ele se deita,
na sua rede feita pela velha fiandeira,
mas fica sempre atento numa espreita
de ver uma nuvem negra na capoeira.

Sinal de chuva é festa para o sertanejo,
castigado pela seca vive de alucinação,
ali na rede na cabeça vive um só desejo,
da chuva que inunde o açude da região.

Assim que adormece, vive de um sonho,
um chuveiro que jorra agua milagrosa,
quando cai uma gota que o faz risonho,
livre dos pensamentos da vida dolorosa.

Da porta a mulher com carinho o espia,
e sabe que pode ser um delírio sonhador,
deste bravo sertanejo perante a carestia,
sob um céu de brigadeiro esquece a dor.

Toninho

05/09/2017

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05 de Setembro
Hoje Dia da Amazônia