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sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Saudade em velocidade.

 


 Imagem Google






Viajo pelo pensamento em alta velocidade,
Que sincroniza com as batidas do coração,
Rastreio cada ponto onde mora a saudade,
Quando ouço no radio esta nossa canção.

 Que fala do amor de verão com emoção,
Que sobre as folhas secas jaz agonizante,
Pelas águas de Março que findam o verão.
Ali vi o nosso amor desfalecer suplicante.

Olho no retrovisor e vejo o pó da saudade,
Quero me afastar desde amor e fracasso,
Sem freio nas lembranças com docilidade
A ironia acelera na direção de teus abraços.

Tua silhueta se funde nas curvas sinuosas,
Fixada numa bela imagem no Para-brisa,
Que te faz numa deusa linda tão formosa,
E eu vulnerável aos desígnios da pitonisa.

Viajo nesta velocidade que me fascina,
Por onde passo vejo todos pássaros livres
Pela estrada num verde que me alucina.
Da relva lembranças vêm no deslumbre.

Ah, como voam estes meus pensamentos!
Presos na velocidade tonta para te saber.
Por um instante a cantiga vem no vento,
Que me desacelera neste louco querer.

Toninho.
18/01/2013

O excesso de velocidade é permitido somente para viajar com os pensamentos.
Então, acelere fundo com todos seus sentimentos para viver um grande amor.
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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Poço das recordações.

 
 Ainda mora na minha mente uma casa,
Orlada por frutíferas e frondosas arvores,
Pelas manhãs variados pássaros em festa,
Na mais linda e harmoniosa cantoria.

Lenta a mente vê uma varanda florida,
Onde repousa a imagem terna da mãe,
Ali com seus olhos já cinza observam,
Ao longe o verde campo ao pé da serra.

Viagem dos pensamentos como resgate,
São belas lembranças de minha infância.
De encantamento no seio da natureza,
Que na distancia resta apenas a imagem.

Uma fumaça branca ao longe anuncia,
Com aquele cheiro que vem e alucina,
Do bolo de fubá grosso com erva doce,
Assado em folhas verdes da bananeira.

Num forno caseiro que absolve o pecado,
Com os olhos da gula com sofreguidão.
Bebia da água que nascia das pedras,
Que girava moinho e regava a horta.

O café maduro que secava pelo terreiro.
Café preto era adoçado com rapadura,
Da cana de açúcar moída na engenhoca,
Ainda sinto prazer na boca da doçura.

Vejo meu pai na distancia acenar o lenço,
Sempre montado no belo cavalo alazão,
Fiel companheiro na dura lida da lavoura,
Ouço ao longe o cavalgar no trote certeiro.

Como não se lembrar daquelas senhoras,
Com longos vestidos e avental com bolso,
Que entoavam cantigas na colheita do café,
Como a oração que agradece pela fartura.

Quando um cheiro intimo de bom café,
Vem anunciar para novo dia na cidade.
Então me agarro às ultimas lembranças,
Com aquele olhar inquieto na realidade.

Toninho.
10/01/2013
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Tira duvidas:

1-Engenhoca: maquina rudimentar de moer cana, feita com dois troncos de madeira com entalhes para criar atrito no esmagamento da cana é movida por duas pessoas.
2- Fubá grosso é obtido em moinho rudimentar onde a moenda é de pedra, é girado pela força da água. Também conhecido como fubá de moinho d’água.
3- Rapadura açúcar mascavo em forma de tijolo feito do caldo da cana de açúcar.
4- Alazão: cavalo com cor de canela.
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Uma bela semana para todos nós.