Naquela
porteira
Era uma vez, sob o abrigo de duas
árvores que se abraçavam, havia uma porteira que dava acesso a duas fazendas.
Por ela passaram histórias, sonhos e segredos. Era comum ver sobre ela o
pequeno Julião, encantado com os vaqueiros guiando a boiada para o pasto.
Um dia, numa manhã nublada, lá estava o
menino sobre a porteira, para o mesmo ritual de todos os dias. Ainda sem ver
chegar a boiada, observou algo escrito numa das tabuas da porteira. Soletrou o
escrito, que dizia que: “A felicidade está onde o coração se sente em casa”.
Aquela frase ficava martelando na sua mente, quem poderia ter escrito aquilo
num lugar deserto.
A partir daquele momento, a porteira
nunca mais foi a mesma, pois agora guardava um pedaço de magia, algum segredo
ou um recado. Depois de anos, o menino cresceu e agora passava pela
porteira aboiando o gado de um pasto para o outro, mas a frase o perseguia. As
duas arvores seguiam abraçadas e floridas.
As velhas árvores guardam o segredo da velha
porteira de quem deixou aquela mensagem, que tanto intrigava o jovem menino, quando
passava pela porteira sob as arvores de Ipê Rosa, que agora recebera nova
mensagem misteriosa, onde se lia: “Viva o momento”. Quem passava por ali,
sentia o peso da decisão: seguir em frente ou permanecer.
A porteira testemunha silenciosa, via
histórias se desenrolarem, sonhos nascerem e outros se perderem. Mas as mensagens
permaneciam, imutáveis, lembrando que a vida é o que acontece, enquanto se faz
outras coisas. E aquele menino hoje faz poesia
Toninho
02/04/2026
Grato
pela visita






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