Escrevendo
as quintas desta semana apresenta a imagem de uma grade agredida pelo tempo e tomada pela vegetação, o que esconde esta grade é a convocatória que vem do blog somosartesanosdapalabra.
A
Casa que Virou Mata. Ninguém mais lembra quem morou ali.
O
portão de ferro, antes verde, virou laranja de ferrugem. As dobradiças gritam
quando o vento passa, mas ninguém empurra. O mato tomou conta. Trepadeira
abraçou a varanda, cobriu as janelas, escondeu o número. Só o telhado ainda
escapo.
Dizem
que foi a Dona Lourdes a última moradora. Criava orquídeas e esperava carta do
filho que foi tentar a vida em Salvador. As cartas pararam. As orquídeas ficaram.
O filho nunca voltou, mas tudo junho a casa se enche de flores roxas que ninguém
plantou.
Os
meninos da rua juram que à noite a luz da cozinha acende. Mas não tem energia
cortada há 20 anos. É só a lua batendo na ferrugem da geladeira velha, que
ainda está lá, de porta aberta, como boca contando segredo.
Outro
dia a prefeitura mandou derrubar. Chegou trator, chegou homem de prancheta. Só
que o trator atolou. O mato segurou. As raízes tinham virado alicerce. O homem
de prancheta escrevera que o imóvel havia sido tomado pela natureza e foi embora.
Hoje
a casa não é mais casa. Virou estufa. Virou ninho. Virou sombra para quem volta
da feira. Passarinho faz morada na chaminé. Gato de rua dorme no que restou do
sofá. E uma vez por ano, em dia de São João, aparece uma orquídea nova na
janela da frente.
Abandonada?
Não.
Ela
só trocou de família. Agora é mãe de tudo que precisa de abrigo.
Versosque guardam promessas é uma proposta de reflexão em poesia de passagens biblicas, criada pela amiga Lucia Silva do blog fepoesia, todos os dias 10, 20 e 30. Participe e leia os amigos com links no blog.
Para mim “Lava-pés
“é um dos momentos mais sublimes da fé cristã. Humildade, serviço, amor que se
ajoelha.
Escrevendoà quinta-feira deste dia 18 de junho vem da proposta da Sylvia no seu blog onde usa a leitura de um filme Sandman, baseado neste nos deu opção de escolher um dos sete Perpetuos ou dois ou mais, para nossa historia. Confira em palabras al abismo
O Fio do Destino
Jota agora entra na escola renomada. As figuras nas paredes parecem dizer: você
pode. Dedique-se que balão sobe quando a gente solta. Ele vem de família
simples. Estudar parece um luxo distante. Ele precisa ajudar a família, como
todos os meninos da vila. Um professor vê nele o brilho. Então diz a ele uma
máxima, que "Destino não é sorte, é direção".
Na sua turma de
rua é o primeiro a fazer uma faculdade de Engenharia.
Na capital trabalha de dia, estuda à noite. Às vezes questiona se era seu
destino. Vê colegas desistindo. Sentiu o medo de não suportar, longe de casa.
Anos depois formou-se.
O estágio naquela mesma empresa onde seu pai
trabalhava, era voltar ao ponto de partida, mas diferente. Logo fora admitido
pela empresa. Agora ele seria respeitado pela função e posição de hierarquia,
ainda reencontrou alguns amigos de sua infância, o que lhe facilitou adaptação.
Ele conseguiu
ao longo dos tempos várias promoções e formações, assim anos depois, se
aposenta dos trabalhos nas minas de minério. Mas destino não aposenta. Então começa
a dar assessoria em análises técnicas, para os novos gestores com projetos de
produtividade.
As vezes na varanda de sua casa lembra
da frase de um professor, que dizia, que destino não tem ponto final. Olha para
serra de minério onde o Sol desponta e deixa escapar um leve sorriso.
Botandoa cabeça para funcionar um lindo projeto da Chica de todos os dias 5, 15 e 25, apresenta a imagem de uma vidraça em dia de chuva no blog sementesdiaria, onde tem links dos amigos. Confira e apoie.
Escrevendo
à quinta-feira que para o dia 11 é proposto pela artesãodaspalavras, as imagens de tres janelas numa casa em um vale.
Um
chalé para repor as energias por vinte dias. Era inverno e uma névoa cobria
todo vale, que se via pelas janelas do chalé. Bebeto escrevia sobre o passado
deles.
Bebeto,
escritor, ocupava a mesa perto do vidro. Caderno aberto, mas a caneta falhando
de frio, era girada entre as mãos. Ao lado, a garrafa de vinho artesanal pela
metade, era o convite.
Da
Janela lateral via a Lia, chefe de cozinha, vindo da horta com três tangerinas
e folhas de alecrim. Usaria as cascas no vinho quente, para afugentar a
friagem. Era sua especialidade os drinks. Eles eram naturalistas.
O
vinho com casca de tangerina soltou vapor na chaleira. O cheiro trouxe a
infância para os dois junto da janela frontal ao vale. Bebeto apontou o vale
sumindo na neblina. Lembrou da bica d’água na casa da avó.
Lia
descascando outra mexerica, lembrou do fogão de barro da mãe, dizendo, que subia
com feijão-verde e descia com cheiro de alho no cabelo. A mãe ensinara sobre
comida de cada estação nas suas panelas de pedras.
Havia
um silêncio, mas poderia ouvir o correr das aguas do regato e os cantos
misturados dos pássaros. Dentro do chalé eles eram duas crianças crescidas com
lembranças vivas de um passado, movidos por gostos e sabores arraigados.
Bebeto
voltou ao caderno e escreveu a última linha do dia, onde dizia, que de sua
volta para escrever sobre o vale, mas que percebera, que o vale sabia mais
deles e escrevera sobre eles. Lia encostou a cabeça no ombro dele.
Naquela noite o jantar
seria simples com pão, queijo da serra, e as cascas de tangerina fervendo com
vinho, cravo e um fiapo de canela. Ele escreveria até os dedos doerem. Lia
olhava para o cesto com lã, lembrando da mãe. O inverno presente. A janela
translucida mostrava, que toda estação é uma poesia.
Toninho
09/06/2026
Grato pela leitura
segunda-feira, 8 de junho de 2026
Casa de Chão Batido
Participo com a Norma de sua série de Poetando, que nesta edição veio falando de saudades no seu blog pensandoemfamília. Lá ela inspirou em Toquinho e Vinicius de Morais com a canção Por onde anda você.
Casa de Chão Batido
Tenho grande saudade mansa
que mora lá longe numa roça,
de uma casinha branca simples
onde o tempo nunca apressa.
A água vinha de muito longe,
cantando em varas de bambu,
era fresca, descendo a grota,
o cheiro de mato sob céu azul.
Havia aceso um fogão a lenha
espalhava seu calor no recanto,
Penso na cozinha sem a senha
de um fumegante café pronto.
Casa de chão de terra batida,
o frio agredia os pés descalços.
lá a vida sem nenhum segredo,
vejo o sol riscando os caibros.
A simples vassoura de alecrim
varria a casinha com perfume.
Deixava a casinha perfumada,
espantava tristeza e azedume.
Hoje a vida tem muita pressa,
o conforto de piso, e torneira
Mas a doce saudade me leva
para aquela casa na capoeira.