quarta-feira, 13 de maio de 2026

Escrevendo à quinta_olhar de volta

 

Participando do projeto Escrevendo à quinta-feira 14 de maio, que nesta semana foi coordenado e inspirado pela Monica, que apresentou uma obra (Walt Whitman) e frases para escolha como inspiração para a criativa da historia.

Escolhi a frase: Eu me celebro e me canto, e o que eu presumo, você também presumirá, porque cada átomo que me pertence, pertence a você.

Aquele homem chegou na serra com pressa e laminas afiadas do ferro. Derrubou arvores, cercou cada metro do terreno, calou a cachoeira, matou e comeu os peixes. Caçou e matou os passarinhos. Achou que mandava em tudo, se sentia poderoso com aquele motosserra. Mas a terra ensina devagar.

Dona Iracema viu o rio virar fio. Viu o chão rachar. Uma madrugada, sentou na pedra fria e olhou para o morro pelado. Não com culpa. Com saudade do verde que ela ajudou a sumir. Foi aí que entendeu: *eu me celebro e me encanto com olhar na natureza*. Não quando exploro. Quando observo. Quando deixo ser.

No outro dia plantou um ipê. Só um. Regou com o resto da água e com paciência. Falou com ele. Os vizinhos acharam que era loucura de velha. Mas o ipê vingou. Floresceu lindamente amarelo num ano de seca. Chamou abelha. Abelha chamou flor. Flor chamou chuva. 

Hoje Dona Iracema não permitiu cercar mais nada. Ela anda descalça. Põe a mão na terra e escuta. A cachoeira voltou a cantar, baixo, mas cantou. A natureza não perdoa nem condena. Ela responde. E quando a gente olha para ela de verdade, sem querer tirar, ela olha de volta. Aquele homem hoje vive nesse olhar de encantamento, a gente se celebra e cantamos aquela canção que fala de alegria e liberdade em sintonia com a natureza.

 

Toninho

11/05/2026

Grato pela leitura


domingo, 10 de maio de 2026

Xiitas xenofóbicos.

 

Poetizandocom uma só letra um desafio de nossa amiga Gracita em seu blog sonhosepoesias, que nesta semana usa a letra X. Confira lá os participantes neste dificil desafio em fase final. Abaixo minha simples participação para atender ao convite da Gracita.



Xiitas xenofóbicos.

 

Xamanista xeretava Xexelenta

Xisto xingava Xexéu

Xexéu xerocava xilogravuras

 

Xangô xingando xerife

Xênia xale xadrez

Xeretava Xangai xepeiro

 

Xisto Xenia  Xexéu

Xadrezistas  xenofóbicos xingavam

Xerife xiita xilindró.

 

Toninho

10/05/2026

Grato pela leitura

 


quinta-feira, 7 de maio de 2026

Escrevendo às quintas

 


Escrevendo às quintas uma convocatória no blog do Leferura onde tem links dos participantes desta quinta-feira, com a proposta: a tecnologia IA x estupidez natural.

Previsão do tempo nos joelhos de Jurema.


O jovem Ubiraci de 19 anos deslizava seus dedos rápidos no celular numa pesquisa do tempo. Numa janela Vó Jurema, 80 anos, observava o céu se fechando em Salvador. Ubiraci se aproxima da vó e diz, que IA, vai informar hora certa da chuva, que não se preocupasse em fechar as janelas.

A IA responde que virá chuva forte em 1:40 hora e quarenta minutos, com risco de alagamento em parte da Cidade Baixa e próximos ao Dique do Itororó, Arena Fonte Nova e região da rodoviária. Ele disse que dava tempo de ir até a esquina comprar dois acarajés para eles.

Vó Jurema nada fala mas procura um cheiro pela janela vindo no vento, observa umas formigas na parede, sente os joelhos estalarem, como quem sente frio rigoroso. Então, diz para ele guardar seu celular, pois a chuva cairia logo.

Quando terminava de falar, o céu desabou nove minutos após o alerta da Jurema, o vento arrastara o sombreiro da baiana do acarajé, doces voavam pela rua. Ubiraci revoltava com a IA e jogou o celular no sofá.

Ficou curioso como a vó soube da chuva caindo. Vó Jurema disse que não sabia ler nuvem no celular, mas que ao vê-las no céu, sabia do que poderia acontecer e isto fazia muito tempo. Disse que a IA sabia tudo do mundo, mas não sabia nada daquele pedaço de lugar, que era seu mundo.  

Ubiraci fechou o celular.  Então Jurema disse, que ia ensinar ele a ler o vento, se ele a ensinar a conversar com a IA, para saber do mundo, enquanto a chuva caia copiosamente na cidade. O joelho de Jurema ainda tilintava, ela sorria para o neto, dizendo que seu joelho previa o perto.


Toninho

07/05/2026

Grato pela leitura.



 

 


domingo, 3 de maio de 2026

Versos que guardam promessas e trovas

 
Versos que guardam promessas um chamado de nossa amiga Lúcia em seu blog feepoesia sobre passagem biblica nos dias 10, 20 e 30. 


 

Do nascer ao pôr do sol,  

Louvemos o nome do Senhor.  

Na corrida diária desde o arrebol,  

Ele é nossa luz, o guia e amor.

 

Sol sempre levanta sem avisar,  

Pintando todo céu de claridade.  

O dia inteiro vamos trabalhar,  

Venha de Deus a sua bondade.

 

Quando a tarde cai serena,  

O belo poente vira um altar,  

Toda alma que é pequena  

Sabemos quem devemos louvar.

 

Toninho

03/05/2026

Grato pela leitura

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Uma imagem, uma trova um desafio de nossa amiga Lúcia todo fim de semana com uma imagem no blog brincadeirasdepoetas.  

Trova I

Galhos abertos ao céu,  

Verde abraça o chão quente.  

Sombra boa muito tropel  

Há calma docemente.

 

Trova II

Sob a copa se juntar,  

Prosa, riso, violão.  

Passante vem descansar  

Bar do Preto é sugestão.

 

Toninho

03/05/2026

Grato pela leitura

 




 


sábado, 25 de abril de 2026

Lições com bicho-preguiça

 

Participando do projeto Botando a cabeça para funcionar de nossa amiga Chica, para sua postagem no blog sementesdiárias.


Lá vai lentamente o bicho, que atravessa a estrada, tem quem chame de lento, mas este é bicho-preguiça sem pressa porque tem segredo. Nos carros gente apressada tocam suas buzinas, gente que corre tropeçando nas horas, mas ele segue lento em direção a arvore, para pendurar num galho como numa rede espreguiçar.  

Sem pressa fico a observar este bicho, que mastiga cada folha como quem reza, com suas unhas cravadas na arvore sente o vento, olha lento para o chão, mas não ensaia uma descida, sua coragem não o leva ao risco. A arvore é seu mundo, sua cama macia e segura.

Eu ali parado buscando entender a filosofia do bicho. A preguiça dele não é falta de vontade, a mim parece protesto contra a pressa vazia de nós os humanos. Levo comigo uma lição, saber ficar, sorrir mesmo de cabeça para baixo. Correr às vezes nos faz esquecer para onde vamos, a produtividade pode vir da desaceleração dos dias. Ligo meu carro e saio lentamente com a imagem na mente.

 

Toninho

25/04/2026

Grato pela visita



quarta-feira, 22 de abril de 2026

Escrevendo às quintas abril

 


Participando da convocatória escrendo às quintas-feiras sob coordenação da Tracy, que apresenta algumas musicas que falam do mês de abril, para servir como inspiração. Escolhi a música: Chuvas de abril de Pierre Simões.

Chuvas de abril (Pierre Simões)


Quando o sol desponta espalha as nuvens
Quando o sol desponta espalha as nuvens
E as flores a desabrochar
Sua luz traz vida e traz perfume
Em abril não trará porquê

As chuvas vem, no mês de abril
Entristecer os corações
Mas nos caminhos, farão crescer
As violetas que irão
Em maio lindas florescer

No céu só nuvens, iremos ter
Por isso agora, devemos ver
No céu azul os passarinhos
E ouvir esta canção
Até que as chuvas venham em abril.



Fiquei esperançoso e com medo, quando abril chegou trazendo cheiro de terra molhada. Era mês da plantação básica, milho, feijão e amendoim. Vó Iracema me chamou para ajudar. O chão já estava pronto, úmido. Ela mergulhava o dedo na terra e sentia desta o convite aos grãos. Dizia que abril é mês que ensina ter paciência, porque a chuva apaga todo o sofrimento da seca maldita, que deixou a terra trincada improdutiva.

Na tarde anterior o céu parecia que desabava. A gente correu para dentro de casa com as cuias pela metade das sementes. Pensamos que tinha perdido tudo. Mas quando a chuva parou, as covas estavam prontas para a semeadura, parecia dia de festa na região, todos na plantação.

De noite, comemos biscoitos e outras comidas feitas do milho e da mandioca da última plantação, que já estava no fim e nos deixava preocupados. Vó Iracema sorria, dizendo que abril não é mês ruim e não estraga nada. Que abril escolhe para nos testar a paciência. Quem aguenta as tempestades vai sorrir no mês seguinte.

Desde então, todo mês de abril eu lembro de Vó Iracema com sua sabedoria, de que tem coisas que a agua leva mesmo, mas fica sempre uma história que só os fortes escrevem. Abril deixa sempre o essencial, a fertilidade do chão.



Toninho

22/04/2026

Grato pela visita