O que sentimos quando ninguém nos olha.
Olhando estrelas na solidão.
Era uma noite de
insônia, estava na janela observando o céu com suas mutantes nuvens, um
silencio reinava, apenas cortado pelo bater de asas de algumas criaturas
noturnas. Sentia o peso da solidão como uma sombra a me acompanhar independente
de permissão.
Sentia um vazio, um eco
sem som. Apenas um sussurro questionava o que eu era sem ninguém para me ouvir
e acolher. Parecia um convite para viajar pelo coração sem medo ou razão,
provocava um encontro comigo mesmo. A solidão não me parecia castigo, passei a
sentir meu próprio canto, a paz no silencio.
O tempo parece, que não
passava, então encontrei aquela criança curiosa, cheia de vida. As figuras
desfilavam à minha frente. Tomado de nostalgia, passeava pela casa da avó, junto
com meu cãozinho. Falei com os passarinhos, que cantavam felizes. Um cheiro de
jasmim me envolvia, quando um aroma delicioso escapou das panelas pretas do
fogão à lenha como uma sedução.
Um cheiro de óleo
diesel me resgatou do passado, num instante em que uma estrela cadente riscou o
céu. Assustado olhei para todos os lados, mas nenhuma alma viva presente na
madrugada. A rua agora silenciosa e lá no céu uma Lua curiosa me alumiava.
Ali na janela a sós
comigo, senti o peso das lembranças do menino em sua travessia e uma lagrima
escapou do olho e agasalhou-se no peito, quando os primeiros raios solares desvirginavam
a manhã.
Toninho
08/04/2026
Grato pela visita

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