Lá vai lentamente o
bicho, que atravessa a estrada, tem quem chame de lento, mas este é bicho-preguiça
sem pressa porque tem segredo. Nos carros gente apressada tocam suas buzinas,
gente que corre tropeçando nas horas, mas ele segue lento em direção a arvore,
para pendurar num galho como numa rede espreguiçar.
Sem pressa fico a
observar este bicho, que mastiga cada folha como quem reza, com suas unhas
cravadas na arvore sente o vento, olha lento para o chão, mas não ensaia uma
descida, sua coragem não o leva ao risco. A arvore é seu mundo, sua cama macia
e segura.
Eu
ali parado buscando entender a filosofia do bicho. A preguiça dele não é falta
de vontade, a mim parece protesto contra a pressa vazia de nós os humanos. Levo
comigo uma lição, saber ficar, sorrir mesmo de cabeça para baixo. Correr às
vezes nos faz esquecer para onde vamos, a produtividade pode vir da desaceleração
dos dias. Ligo meu carro e saio lentamente com a imagem na mente.
Toninho
25/04/2026
Grato pela visita
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