Escrevendoàs quintas com convocatória de Dafne com o seguinte tema:
“O lixo de uma pessoa é o tesouro de outra. ”
O Lixo Sagrado de Tia Geraldina.
Todos os dias Tia
Geraldina ia até a lixeira da feira do produtor em Belo Horizonte. Com seu
carrinho velho de supermercado para catar coisas, para aproveitar na
alimentação de seus netinhos. Mas catava flores, brinquedos e coisas pelo
caminho. Os feirantes diziam: "Lá vai a santa do lixo, que vê pelas ruas
aquilo, que a gente finge não ver, mas tudo tem uma história.
Na casa dela, de parede
azul descascada, o lixo acumulava, com caixotes velhos fez um altar e um
oratório. Um saco de aniagem coberto de purpurina era o manto para a imagem de
Iemanjá, que ela achou num terreno baldio, com algumas avarias. As flores
murchas iam para um copo d’água, ao lado da vela feita com resto de
parafina.
Seu neto mais velho
questionava porque ela levava lixo para casa todos os dias.
Ela respondia, sem
tirar o olho para a imagem, que lixo era um nome que as pessoas davam para tudo
que elas não queriam mais. Ainda dizia que tudo aquilo, foi Deus que fez e não
merecia ser descartado de qualquer maneira. Que ela dava nova vida a elas.
Olhou para um caixote e disse, que ele carregou alimentos para muita gente e
fora descartado. As flores tinham levado carinhos para muitas pessoas. Até’
aquela santinha estava na chuva, mas merecia um abrigo.
Tia Geraldina dizia
para eles que o lixo é sagrado, que sentia honrada em dar vida a tudo, que
catava pelas ruas da cidade. Que as pessoas jogam fora o que elas não conseguem
vender, mas para ela servia como cuidados. Ajoelhava em frente a imagem e fazia
silenciosamente suas orações sob os olhos dos netinhos.
Numa manhã o netinho
saiu com ela pelas ruas, olhando tudo e catava o que lhe chamava a atenção.
Toninho
15/04/2026
Grato pela visita.
Nota: A tia Geraldina existiu, mas a
história não espelha toda verdade.





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