Previsão do tempo nos
joelhos de Jurema.
O
jovem Ubiraci de 19 anos deslizava seus dedos rápidos no celular numa pesquisa
do tempo. Numa janela Vó Jurema, 80 anos, observava o céu se fechando em
Salvador. Ubiraci se aproxima da vó e diz, que IA, vai informar hora certa da
chuva, que não se preocupasse em fechar as janelas.
A
IA responde que virá chuva forte em 1:40 hora e quarenta minutos, com risco de
alagamento em parte da Cidade Baixa e próximos ao Dique do Itororó, Arena Fonte
Nova e região da rodoviária. Ele disse que dava tempo de ir até a esquina
comprar dois acarajés para eles.
Vó
Jurema nada fala mas procura um cheiro pela janela vindo no vento, observa umas
formigas na parede, sente os joelhos estalarem, como quem sente frio rigoroso.
Então, diz para ele guardar seu celular, pois a chuva cairia logo.
Quando
terminava de falar, o céu desabou nove minutos após o alerta da Jurema, o vento
arrastara o sombreiro da baiana do acarajé, doces voavam pela rua. Ubiraci
revoltava com a IA e jogou o celular no sofá.
Ficou
curioso como a vó soube da chuva caindo. Vó Jurema disse que não sabia ler nuvem
no celular, mas que ao vê-las no céu, sabia do que poderia acontecer e isto
fazia muito tempo. Disse que a IA sabia tudo do mundo, mas não sabia nada
daquele pedaço de lugar, que era seu mundo.
Ubiraci
fechou o celular. Então Jurema disse, que ia ensinar ele a ler o
vento, se ele a ensinar a conversar com a IA, para saber do mundo, enquanto a
chuva caia copiosamente na cidade. O joelho de Jurema ainda tilintava, ela
sorria para o neto, dizendo que seu joelho previa o perto.
Toninho
07/05/2026
Grato
pela leitura.
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