
O Projeto escrevendo às quintas nesta semana sob coordenação da Campirela, pede que falemos das ausências em qualquer estrutura de texto. Conheça e participe lendo os amigos.
Café matinal.
Sem pensar, coloquei água para ferver. Peguei a cafeteira velha dela, aquela de alumínio amassado. Quando o pó de café caiu na água quente, o cheiro subiu.
E aí ela voltou, pude sentir seu cheiro, seu arrastar de sandálias. Não em corpo. Em jeito. Senti a mão dela tocando meu ombro, enquanto eu, criança, esperava o pão de queijo sair do forno. Ouvi o “tá com fome, Fiotim? ” Era assim que ela me chamava por ser o neto mais novo.
O vapor embaçou meus óculos. Quando limpei, vi minha mão sozinha segurando a xícara. Mas na mesa havia duas. Tomei o café devagar. Quente, forte, com pouco açúcar. Do jeito que ela dizia que “para sentir o sabor do bom café”.
Por tempo fiquei ali naquele transe da presença da minha avó. Antes de ir, lavei a xícara dela também.
Lá
fora, o pé de manjericão que ela plantou ainda vivia. Passei a mão e trouxe o
cheiro comigo. A casa continuou vazia. Mas eu saí cheio da sua ausência
sentida.
Toninho
19/05/2026
Grato pela leitura.






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