domingo, 31 de maio de 2026

Versos que guardam promessas.15 Salmo 19,1

 

Versosque guardam promessas é um convite de nossa amiga Lúcia todos os dias 10, 20 e 30 para interação em qualquer estrutura de texto sobre os salmos no seu blog feepoesia. Abaixo minha participação em prosa.




Salmo 19,1

"Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos."

Basta que eu olhe para cima. Não precisa de sermão nem de placa luminosa. O céu faz isso todo dia. Um olhar para a natureza é olhar nos olhos de Deus. A natureza é Deus.

A cada estrela que pisca, a cada nuvem que desliza no firmamento, a cada noite que vira dia, a chuva que levemente deixa a terra fértil, a criação inteira vira uma grande tela silenciosa. Não grita, mas não dá para ignorar: tem uma Mão por trás disso tudo, e sabemos é Deus.

O universo é uma assinatura de Deus no tempo. E o firmamento, seu poema mais lindo, ainda sendo escrito em luz.

Os raios de luz no horizonte furando as nuvens depois da noite. O instante de dourar o dia no Sol poente exatamente essa ideia: promessa cumprida, dia terminando e novo dia começando.

O Salmo 19,1 vem como  um lembrete, que a gente nunca está sem um sinal de Deus por perto. Seja nas estrelas ou no primeiro raio de sol. Deus por nós o tempo todo.

 

Toninho

30/05/2026

Grato pela visita


quinta-feira, 28 de maio de 2026

Ciúmes com gente nova na cozinha.

 

Aceitando a convocatória de Tracy para esta quinta-feira em seu blog Tracycorrecaminos onde ela pede, para ir até a porta da cozinha e escutar o que os utensilios e equipamentos estão conversando e escrever uma historia.

Ciúmes com gente nova na cozinha.

Segunda-feira os utensílios na bancada ouvem barulho de plástico. A colher de Pau resmunga: Valha me Deus, mais um para dar trabalho.

Então uma Air Frye é ligada pela primeira vez, luz acende e ela diz: Bom dia, plebe. Podem me chamar de Dona Air. O Forno a lenha tossindo fumaça, resmunga, dizendo que assava peru de Natal muito antes dela existir. Dona Air gira e responde, que trabalha com ar quente, sem usar óleo e garante coisas saudáveis.

Dona Frigideira vinda da Bahia diz: Oxe, desde quando gordura e dendê é crime? Dona Air zomba da frigideira dizendo que ela causa câncer e que ela faz pessoas fit sendo moderna, funciona apenas com toques suaves.

A Panela de Pressão solta vapor. Pede que Dona Air respeite sua capacidade de cozimento. Dona Air com risos diz, que faz batatas em 15 minutos sem dramas e ironiza, que eles são analógicos. Que ela veio para atender a geração sem tempo a perder na cozinha, nem chorar picando cebolas.

O clima esquentou, pois, a faca afiada na pedra sente-se ofendida, alerta para Dona Air cuidar de sua língua solta, para não se cortar. Já a Geladeira abre a porta com tédio e fala para Dona Air, que ela só faz porções minúsculas, que ela não encarava um pernil de Fim de Ano.

Dona Air Fryer retruca sobre qualidade e não quantidade, questão de conceito.
Com isso Sr. Liquidificador num canto quieto, surta e grita: Vamos todos sair daqui para ver o que esta exibida faz sozinha.

O Micro-ondas grita para liquidificador calar a boca. E vira-se para Dona Air e diz que esquenta qualquer coisa em dois minutos, entendeu?

Neste instante o humano entra na cozinha com congelados, para testar sua Air Fryer. Espanto geral e ciúmes na cozinha. Vaidosa Dona Air dá uma piscadela digital para os equipamentos e utensílios. Uma luz vermelha acende e a porta se abre.

Toninho

26/05/2026

Grato pela visita


segunda-feira, 25 de maio de 2026

Joaninha motoqueira.

 

BC-Botandoa cabeça para funcionar um projeto de todos os dias 5,15 e 25 criado pela Chica junto com seu neto, postando uma imagem para livre inspiração no blog sementesdiarias. Confira e participe em comentários ou postagem.

Joaninha motoqueira.


Vi uma Joaninha de capacete  

Montada na motoca a acelerar  

Com as sete pintas no colete  

Na balada do jardim vai dançar.

 

Tem linda capa vermelhinha  

Contra o vento vai a passear  

Buzinando para formiguinha  

Que foge assustada do lugar.

 

É pequenina, mas tão ligeira  

Cortando o campo sem temer  

Numa motoca companheira  

Faz até o chão estremecer.

 

Se chover, ela vai abrir a asa  

Sempre tenta com o guidão  

Pousa na flor como sua casa  

É o fim de uma nova emoção.

 

Toninho

25/05/2026

Grato pela leitura.


sexta-feira, 22 de maio de 2026

Poetizando com uma só letra- Z

 

Poetizando com uma só letra um desafio de nossa amiga Gracita no seu blog sonhosepoesia, poetizando todo o alfabeto. Com a letra Z fechamos esta proposta desafio. Parabéns Gracita pela ousada proposta com sucessos. E parabéns a todos os amigos, que aceitaram a proposta e concluiram o ABC.


Zoada zombeteira.

Zéfiro zombeteiro  

Zanzando ziguezague.  

Zelador zela  

Zimbro zelosamente.  


Zodíaco zune,  

Zarabatana zumbe.  

Zabelê zangado?  

Zagaia zumbindo zarpava


Zoeira? Zero.  

Zenaide zomba Zeneide

Zenaide zomba  Zezé.

Zacarias, zelador zangado.


Ziguezagueava zuando zona.

Zacarias zarolho,

Zum-zum zumbindo, zanzava zen.

Zebra zombeteira zombava,


Zangão zumbia, zoada zunia.

Zeus zangado, zagaia zarpou.

 

Toninho

22/05/2026

Grato pela leitura 


Tem poesia nova lá no outro blog: poemaeolhares


quarta-feira, 20 de maio de 2026

Escrevendo às quintas-feiras

 
O Projeto escrevendo às quintas nesta semana sob coordenação da Campirela, pede que falemos das ausências em qualquer estrutura de texto. Conheça e participe lendo os amigos. 

Café matinal.

Destravei a porta da casa da vó depois de dois anos. O pó cobria tudo, menos a memória. Fui direto para a cozinha. Ela estava vazia, fria. Abri a janela e o vento mexeu numa cortina amarela que ainda tinha manchas de mofos.

 Sem pensar, coloquei água para ferver. Peguei a cafeteira velha dela, aquela de alumínio amassado. Quando o pó de café caiu na água quente, o cheiro subiu.

E aí ela voltou, pude sentir seu cheiro, seu arrastar de sandálias. Não em corpo. Em jeito. Senti a mão dela tocando meu ombro, enquanto eu, criança, esperava o pão de queijo sair do forno. Ouvi o “tá com fome, Fiotim? ” Era assim que ela me chamava por ser o neto mais novo.

 O vapor embaçou meus óculos. Quando limpei, vi minha mão sozinha segurando a xícara. Mas na mesa havia duas. Tomei o café devagar. Quente, forte, com pouco açúcar. Do jeito que ela dizia que “para sentir o sabor do bom café”. 

 Por tempo fiquei ali naquele transe da presença da minha avó. Antes de ir, lavei a xícara dela também.

Lá fora, o pé de manjericão que ela plantou ainda vivia. Passei a mão e trouxe o cheiro comigo. A casa continuou vazia. Mas eu saí cheio da sua ausência sentida.

 

Toninho

19/05/2026

Grato pela leitura.


domingo, 17 de maio de 2026

Tardes perfumadas

 





A Chica com a frase abaixo nos convida  no seu blog sementesdiarias, a inspiração livre;

“Haviam vários cravos perfumando o jardim...”












 Abril chegou e passou sem avisar,  

Haviam cravos perfumando o jardim.  

Aquele vermelho espalhado pelo ar  

Quando todo meu silêncio fala enfim.  

 

Nas tardes mansas, o vento dançava,  

Haviam cravos perfumando o jardim.  

Em cada suspiro o desejo acelerava  

Adorava aquele perfumar sem fim.  

 

Hoje sobre o jardim vazio, tarde cai,  

Inexistem cravos perfumando o jardim.  

Nossa casa é a mesma, mas não mais:  

Encontro cheiro de flor, falta de mim.


Neste fim de tarde a cadeira vazia,

Vermelho no ar, um cheiro que pesa.

Caminho sobre pétalas adormecidas

É a tal melancolia na noite que vem.


Toninho 

17/05/2026

Grato pela visita