quarta-feira, 22 de abril de 2026

Escrevendo às quintas abril

 


Participando da convocatória escrendo às quintas-feiras sob coordenação da Tracy, que apresenta algumas musicas que falam do mês de abril, para servir como inspiração. Escolhi a música: Chuvas de abril de Pierre Simões.

Chuvas de abril

Quando o sol desponta espalha as nuvens
Quando o sol desponta espalha as nuvens
E as flores a desabrochar
Sua luz traz vida e traz perfume
Em abril não trará porquê


As chuvas vem, no mês de abril
Entristecer os corações
Mas nos caminhos, farão crescer
As violetas que irão
Em maio lindas florescer

No céu só nuvens, iremos ter
Por isso agora, devemos ver
No céu azul os passarinhos
E ouvir esta canção
Até que as chuvas venham em abril.


Fiquei esperançoso e com medo, quando abril chegou trazendo cheiro de terra molhada. Era mês da plantação básica, milho, feijão e amendoim. Vó Iracema me chamou para ajudar. O chão já estava pronto, úmido. Ela mergulhava o dedo na terra e sentia desta o convite aos grãos. Dizia que abril é mês que ensina ter paciência, porque a chuva apaga todo o sofrimento da seca maldita, que deixou a terra trincada improdutiva.

Na tarde anterior o céu parecia que desabava. A gente correu para dentro de casa com as cuias pela metade das sementes. Pensamos que tinha perdido tudo. Mas quando a chuva parou, as covas estavam prontas para a semeadura, parecia dia de festa na região, todos na plantação.

De noite, comemos biscoitos e outras comidas feitas do milho e da mandioca da última plantação, que já estava no fim e nos deixava preocupados. Vó Iracema sorria, dizendo que abril não é mês ruim e não estraga nada. Que abril escolhe para nos testar a paciência. Quem aguenta as tempestades vai sorrir no mês seguinte.

 

Desde então, todo mês de abril eu lembro de Vó Iracema com sua sabedoria, de que tem coisas que a agua leva mesmo, mas fica sempre uma história que só os fortes escrevem. Abril deixa sempre o essencial, a fertilidade do chão.

 

Toninho

22/04/2026

Grato pela visita

 


terça-feira, 21 de abril de 2026

Poetizando com uma só letra

 


Particiando do desafio Poetizando com uma só letra de nossa amiga Gracita em seu blog sonhosepoesias, onde estão algumas inspirações e links de amigos inspirados. Confira este belo desafio.

Veleiro valsante


Ventos velozes varrendo vales  

Vista vários vales verdejantes  

Vencendo véus, vãos, vagares  

Velhas vontades vêm vibrantes  

 

Vivenciando vida, ver, voar.

Volátil Vaga-lume vagaroso  

Vários voadores vão viajar  

Vem Valentim vestido vaidoso.

  

Vestindo vermelho Vicentina

Vê Valentim vindo venturoso  

Violeiro versando Valentina

Vistosamente vadio voluptuoso.

 

Viaja veleiro vencendo vazios  

Valentim Vicentina vigiados

Valentina vislumbra vozerios

Valsando vazios vivenciados.

 

 

Toninho

21/04/2026

Grato pela visita 





quinta-feira, 16 de abril de 2026

O Lixo Sagrado de Tia Geraldina.

 
Escrevendoàs quintas com convocatória de Dafne com o seguinte tema:

               “O lixo de uma pessoa é o tesouro de outra. ” 

O Lixo Sagrado de Tia Geraldina.

 

Todos os dias Tia Geraldina ia até a lixeira da feira do produtor em Belo Horizonte. Com seu carrinho velho de supermercado para catar coisas, para aproveitar na alimentação de seus netinhos. Mas catava flores, brinquedos e coisas pelo caminho. Os feirantes diziam: "Lá vai a santa do lixo, que vê pelas ruas aquilo, que a gente finge não ver, mas tudo tem uma história. 

Na casa dela, de parede azul descascada, o lixo acumulava, com caixotes velhos fez um altar e um oratório. Um saco de aniagem coberto de purpurina era o manto para a imagem de Iemanjá, que ela achou num terreno baldio, com algumas avarias. As flores murchas iam para um copo d’água, ao lado da vela feita com resto de parafina.  

Seu neto mais velho questionava porque ela levava lixo para casa todos os dias.  

Ela respondia, sem tirar o olho para a imagem, que lixo era um nome que as pessoas davam para tudo que elas não queriam mais. Ainda dizia que tudo aquilo, foi Deus que fez e não merecia ser descartado de qualquer maneira. Que ela dava nova vida a elas. Olhou para um caixote e disse, que ele carregou alimentos para muita gente e fora descartado. As flores tinham levado carinhos para muitas pessoas. Até’ aquela santinha estava na chuva, mas merecia um abrigo.

Tia Geraldina dizia para eles que o lixo é sagrado, que sentia honrada em dar vida a tudo, que catava pelas ruas da cidade. Que as pessoas jogam fora o que elas não conseguem vender, mas para ela servia como cuidados. Ajoelhava em frente a imagem e fazia silenciosamente suas orações sob os olhos dos netinhos.

Numa manhã o netinho saiu com ela pelas ruas, olhando tudo e catava o que lhe chamava a atenção.

 

Toninho

15/04/2026

Grato pela visita.

Nota: A tia Geraldina existiu, mas a história não espelha toda verdade.











sábado, 11 de abril de 2026

Versos que guardam promessas

 

Sejam alegres na esperança, pacientes na tribulação e perseverantes na oração.  Romanos 12, 12

Versosque guardam promessas é um projeto de nossa amiga Lucia sobre uma passagem biblica em seu blog feepoesia. Participe e leia os amigos.


Esperança pela fé.

 

Tem esperança que não faz barulho,

aquela que à noite acende uma vela

quando estamos em pleno mergulho

que tudo induz desistir por tabela.   

 

Perseverar em oração é saber da fé,

de quem no escuro planta a semente

para sentir o gosto bom de um café

sem ver a raiz rompendo belamente.

 

Sentir dores nos joelhos, perseverar.

A boca repetindo um mesmo pedido,

noite após noite o invisível a regar.

Para a graça alcançar o pretendido.

 

Orar é caminho único e mais longo,

Que te mudará enquanto caminha,

Entre o amém e o silencio do gongo

Que soará à esperança que é minha.  

 

Toninho

11/04/2026

Grato pela visita

 



quarta-feira, 8 de abril de 2026

Olhando estrelas na solidão.

 O que sentimos quando ninguém nos olha.

Participando da convocatória do projeto Escrevendoàs quintas 9 de abril, como promoção da nossa amiga Campirela em seu blog. Veja links dos amigos por lá.



Olhando estrelas na solidão.

 

Era uma noite de insônia, estava na janela observando o céu com suas mutantes nuvens, um silencio reinava, apenas cortado pelo bater de asas de algumas criaturas noturnas. Sentia o peso da solidão como uma sombra a me acompanhar independente de permissão.

Sentia um vazio, um eco sem som. Apenas um sussurro questionava o que eu era sem ninguém para me ouvir e acolher. Parecia um convite para viajar pelo coração sem medo ou razão, provocava um encontro comigo mesmo. A solidão não me parecia castigo, passei a sentir meu próprio canto, a paz no silencio.

O tempo parece, que não passava, então encontrei aquela criança curiosa, cheia de vida. As figuras desfilavam à minha frente. Tomado de nostalgia, passeava pela casa da avó, junto com meu cãozinho. Falei com os passarinhos, que cantavam felizes. Um cheiro de jasmim me envolvia, quando um aroma delicioso escapou das panelas pretas do fogão à lenha como uma sedução.

Um cheiro de óleo diesel me resgatou do passado, num instante em que uma estrela cadente riscou o céu. Assustado olhei para todos os lados, mas nenhuma alma viva presente na madrugada. A rua agora silenciosa e lá no céu uma Lua curiosa me alumiava.

Ali na janela a sós comigo, senti o peso das lembranças do menino em sua travessia e uma lagrima escapou do olho e agasalhou-se no peito, quando os primeiros raios solares desvirginavam a manhã.

 

Toninho

08/04/2026

Grato pela visita

domingo, 5 de abril de 2026

Botando a cabeça para funcionar

 


Botandoa cabeça para funcionar BC da Chica em sementesdiarias, apresenta a imagem abaixo para leitura livre, participe em comentários ou postagem.  

Menina flor


É tão lindo a criança olhar a flor,

na pureza do olhar, sem máscara

Encanta o ver a beleza, sem temor.

A bela flor se abre, tão bela e rara.

 

Na troca simples, o ensinamento,

simplicidade é verdadeiro encanto.

A criança aprende, sem palavras,

na beleza dos olhos que observam. 

 

Plantou a semente, viu a brotação,

acriança observa, coração floresce.

A flor se abre, em suas cores vivas,

a criança aprende, sobre sua vida.

 

No crescimento da flor, um espelho,

da própria infância ser como a flor,

nas esperadas mutações, que virão.

Vê a beleza do mundo, numa flor. 

 

Toninho

05/04/2026

Grato pela visita.

 

Uma Feliz Páscoa para todos.