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sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Os meninos da vila.

Viajar em imagens é a proposta da Chica e seu neto Neno aqui: /chicabrincadepoesia, acontece nos dias 5, 15 e 25 então com a imagem de hoje uma viagem critica com um retorno ao passado de feliz idade. Vamos lá nesta imagem abaixo, mas sem cinto de segurança, sem capacete, sem "air bag", pois era bem assim e sobrevivemos.

“Eu daria tudo que tivesse, para voltar os dias de criança”.
Trecho de uma canção, que conheço desde criança e percebi que a saudade do compositor é a mesma minha de uma infância livre num pequeno interior de Minas Gerais. A imagem dos carrinhos embora mais estilizados veio despertar a saudades dos meus carrinhos feitos com os rolamentos usados da Cia Vale, os meninos da vila ganhavam para brincar.

Carrinhos sem freios pelas ruas de terra e de pouquíssimos veículos, o que deixavam as mães menos preocupadas. Também construíamos as patinetes. Nossos brinquedos eram frutos da criatividade no aproveitar materiais, pois brinquedos prontos eram inacessíveis exceto por época do Natal, distribuídos pela Vale aos filhos dos operários das minas.  

Os carrinhos variavam entre o de sentar como os da imagem e os feitos com caixotes, usados no transporte de coisas ou mesmo as compras feitas no armazém da vila, que geralmente era uma atribuição dos meninos, usando uma caderneta de anotação da divida.

No tempo viajei pelas ruas vermelha, a poeira encobriu meus olhos, que resgatavam emoções daqueles meninos em algazarra, buzinando com as bocas nas manobras arriscadas pela rua. A poeira abaixou, voltei ao presente com todas as tecnologias. Cabisbaixo desci pela rua, agora asfaltada e sinalizada, sentado no carrinho, e vi os novos meninos da vila, compenetrados nos seus celulares, em suas varandas gradeadas trocavam mensagens, jogavam “On line”, pareciam meninos robotizados,  eram tristes.

Assim eu cheguei à casa onde nasci abri o pesado portão de ferro e vi ali no canto do muro os restos de um carrinho feito de rolamento e madeira. Meu olhar fez uma varredura e outros brinquedos espalhados pelo chão cimentado, pareciam peças de museu de minha infância incrustada numa mangueira no fundo do quintal, cercada pelas arvores frutíferas onde os passarinhos faziam seus ninhos indiferentes aos alçapões, que ali armava.

Fechei a porta que adentra a casa e também meus olhos sobre o passado. Pensativo e hoje lento subi contando os degraus da escada e repousei numa poltrona em frente à moderna radiola e coloquei um velho “long play” a girar sobre ela, depois a agulha desceu sobre ele e me trouxe uma canção do passado, que me fez adormecer nos braços das saudades com um desfile de imagens de minha doce e bela infância.

Toninho
15/12/2017

Desejo a você 
o melhor de bom
Grato sempre.
Nota: devido fim de ano estou atrasado com vários amigos que amo ler, mas pode ter certeza, que passarei por lá e deixarei meu carinho. Desculpe.

domingo, 10 de dezembro de 2017

Entre espinhos e flores.
















Vejo uma mulher alegre pelo caminho,
vem com um canto suave enternecido,
que ecoa lindamente até os filhotinhos,
em ninhos à espera dos pais em alarido

É sempre assim nas tardes da floresta,
na despedida dos últimos raios solares,
sombra a deslizar da mulher modesta,
que faz lembrar aquelas de Palmares.

Mas esta vem na liberdade destemida,
nem olha para trás imune aos perigos,
junto dela duas razões desta sua vida.
Fez rotina sua visita diária ao jazigo.

Hoje já não vem com os olhos úmidos,
nem o rosto catando forças pelo chão,
superou sua dor pela perda do marido,
extirpou toda tristeza do seu coração.

Bem dita seja esta mulher que supera,
e reencontra sobre espinhos os passos.
Sangrar sua dor pela prole a tempera,
por certo Deus a acolhe no seu regaço.

Toninho
10/12/2017


Minha participação na 13ª imagem do projeto poetizando e encantando da Lourdes. Confira os participantes: filosofandonavidaproflourdes