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sexta-feira, 7 de junho de 2019

Suplicio da espera


Poetizando e encantando em sua 85ª edição nos convida com suas belas imagens inspiradoras e não poderia ficar de fora e você? Vamos lá participar e ler nossos amigos com suas belas construções aqui filosofandonavidaproflourdes incentivar a poesia é a arte da professora Lourdes num processo sem concorrência.Confira.

Suplicio da espera

É noite a Lua vem com um clarão.  
Ansiedade é a aflição nesta espera.
Que o tempo murcha meu coração,
que sempre sonhou ser Primavera.

Imagina-se num abraço aconchego,
sente no ar perfume doce saudade.
Lembranças vêm com desassossego,
a noite é longa parece eternidade.

Olha bem longe, será que não vem?
Agora na noite pia uma criatura,
uma mariposa na janela vai e vem,
única amiga fiel nesta vilegiatura.

Veio a nuvem e desapareceu a lua,
é tão grande a dor, então o silencio.
Com o olhar vazio na estrada nua,
fecho a janela sobre o meu suplicio.


Toninho
06/06/2019   


Desejo feliz fim de semana
Grato pela visita.


quarta-feira, 5 de junho de 2019

O Vigilante cão.



“Na primeira noite eles se aproximam  roubam uma flor do nosso jardim. E não dizemos nada.  Na segunda noite, já não se escondem: Pisam as flores, matam nosso cão, e não dizemos nada. Até que um dia, o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E já não podemos dizer nada. ” (Eduardo Alves)

Botando a cabeça para funcionar é nossa BC de hoje, um projeto da Chica com seu neto Neno todos os dias 5,15 e 25, para uma imagem e inspiração livre, até mesmo uma frase ou pensamento. Confira e participe aqui chicabrincadepoesia

Dizem que vivemos num mundo cão, uma triste analogia para os dóceis animais na sua maioria. Mas pode ser também, visto por outro lado, ou seja, a vida ruim que muitos deles levam pelas cidades, com sérios maus tratos e todos os tipos de violências, inclusive a maior delas, que é o abandono pelo próprio dono, quando este já não atende à suas necessidades de vigilância ou por estar acometido de uma grave doença.


A inviolabilidade de nossa privacidade faz tempo, deixou de ser uma marca registrada, em todos os campos ela se mostra cada dia mais vulnerável, seja na propriedade, ou na sua vida pessoal com os avanços das tecnologias da informação, inclusive por órgãos que deveriam cuidar desta, ou seja, nossa vida é passou a ser um livro aberto numa praça pública.

Viver no mundo cão. Só nos resta é saber qual das duas vidas cão.

Morávamos em casas com jardins, quintais e todos os tipos de animais numa bela interação/educação com toda a natureza, desde os primeiros anos da infância e assim aprendíamos a amar os animais e os elementos da natureza, os cães tinha vida boa, de amor e de liberdade e ali exerciam uma atividade de vigilância principalmente noturna. É certo que alguns muitas vezes transgrediam a relação com suas mordidas pela vizinhança, nestes casos estes mais ferozes eram mantidos em correntes, mas com circulação livre nos limites da casa.

O tempo girou, o medo cresceu, o homem se perdeu e veio a violação da liberdade e do direito de ir e vir ficou restrito, foi retirado de nossos direitos primórdios. Assim nos enjaulamos em cubículos amontoados pelas cidades. Os que se arriscam em reviver o tempo de morar em casa, logo pensa no velho amigo cão e os busca como um guarda para sua propriedade. Assim vive-se com o mínimo de segurança, que ainda assim é sempre violada pelo bicho homem, desalmado, cada vez mais ousado e assim matam estes cães com seus venenos e ou mesmo com suas maquinas de tiros e adentram a propriedade para o requinte de terror.

Inviolabilidade perdida, cão adormecido para a eternidade, a criança que apegada chora a falta do cão e a volta aos cubículos de cimento e aço em andares cada vez mais altos, é a única saída na falsa ideia de segurança, pois a violência nos espreita em cada canto, em cada esquina e o pobre cão se limita a lugares restritos como alguns raros passeios pelas calçadas, praias e áreas dos condomínios.

Vida de cão confinado em meio ás gentes de olhares assustados reprimidos pelos olhares, que espiam e arrepiam cada dia mais na cidade.

Valha nos Deus!


Toninho
05/06/2019

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Grato pela
visita.