terça-feira, 15 de outubro de 2013

Professoras de um tempo.

















Lembranças de minhas mãos travadas,
Que apenas brincavam naquele lugar.
Ai delas se não fossem as abençoadas,
De uma professora para me ensinar.

Longe muito longe vejo uma imagem,
Saias azuis as meninas bem vestidas,
Carregavam seus sonhos na bagagem,
As normalistas estudantes pretendidas.

Hoje perdidas nestas belas lembranças,
Eu as vejo nas escolas como invisíveis,
Sem um respeito perdem-se as heranças,
Da educação com valores inesquecíveis.

Hoje cada palavra que compõe o verso,
Há uma marca daquela sua dedicação,
Pois que ao me abrir para um universo,
Encantaram-se palavras na inspiração.

E hoje quando as vejo nesta humilhação,
Que foram submetidas pelos governantes,
Queima no peito uma grande indignação,
Com a educação de números alarmantes.

Então nos resta a elas uma homenagem,
Como um perdão diante a nossa inércia,
Em assistir das autoridades a sabotagem.
Professor você é tradução da sabedoria.

Toninho
15/10/2013

Em especial às minha amigas blogueiras e professoras.
Uma simples homenagem às professoras de todo o país, que mesmo sem valorização perseveram na missão de fazer do país uma grande nação.
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domingo, 13 de outubro de 2013

Ainda é outono em seu coração.














Não queria o outono em seu coração,
Pois já sinto perfume de primavera,
Com flores na explosão de cores belas
Encanto para as borboletas coloridas.

Sob seus pés crepitam folhas mortas,
No ar um cheiro de terra molhada,
A terra no processo da fecundação,
Mas seu coração é como queimada.

Ah, como queria alegrar os seus dias,
Como o bico do beija-flor flor em flor,
Com a mira certeira de seu coração,
E secar o veneno que provoca a dor.

Mas se as minhas asas não me levam
Para junto das borboletas que voejam,
Então me encanto no canto mavioso,
De um sabiá que pousa na laranjeira.

E numa pena que cai me deixo levar,
Para uma viagem de encantamento,
Pelos campos de jardineiras floridas,
Regresso com a rosa para lhe ofertar.

Toninho.
12/10/2013.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Tirou o fato da mulher.











Numa cidade do nordeste na sexta-feira à noite o casal discute, sobre que fazer para o almoço de domingo. Normalmente bebericando cachaça com tira gosto. Almoço mesmo só lá pelas 3 horas da tarde já com as cabeças em maresia. Às vezes ele ainda assiste o primeiro tempo do jogo da televisão se for o Flamengo, outras ele se joga pesado numa rede, sono profundo com roncos de trator. 

Sem chegar a um consenso, na manhã de sábado o marido saiu para a feira que fica atrás do mercadão. Lá bebeu umas doses de cachaça e resolveu comprar fato, tripa e bucho, colocou tudo na sacola e saiu cambaleando para casa. Em casa a mulher se estressou com aquela cosia suja para preparar, temperar para domingo. Cansado ele bêbado se jogou numa cama e desligou-se do mundo. A mulher com raiva juntou tudo aquilo e jogou dentro da geladeira sem nada fazer.

No domingo bem cedo, a mulher levantou e o viu estirado na rede. Então foi para o mercadão e para facilitar seu domingo, decidiu comprar uma galinha assada que vem acompanhada de um saquinho com farofa, então ela faria apenas arroz, feijão e salada de alface com tomates e cebolas e não perderia seu domingo com umbigo no fogão.

O marido acordou próximo do meio dia. Procurou logo a cachaça para abrir a sessão de bebedeira em companhia da mulher. Na sua mente se imaginava aquela buchada¹ suculenta com pirão e pimenta fresca amassada com azeite. Ligou a vitrolinha comprada na feira de produtos do Paraguai. O gosto musical variava com Roberto Carlos, Nelson Gonçalves, Zezé de Camargo e Mariano e alguma de forró do velho Luís Gonzaga. 

Quando já tinha tomado um bocado de cachaça, ele gritou pedindo um tira-gosto de bucho, para a mulher que tinha ido olhar as panelas no fogão. De longe ela gritou que não tinha preparado o bucho, pois estava cansada. Aquilo soou como uma bomba no ouvido dele. Ainda gritou que só tinha uma galinha assada, que não poderia ser cortada antes do almoço. Neste instante o homem virou bicho do mato. Furioso e aos berros, o homem parecia possesso do cramunhão² e a xingava de miserável e tudo quanto era nome feio e a chamava de filha duma vaca magra. Mas ela nem ligava e cantarolava junto com a vitrolinha, o que o deixava ainda mais furioso no terreiro.

Assim bêbado e furioso ele ameaçou para a mulher:
- Sua vaca não pense que você ainda fazer tira-gosto para seus pariceiros³, pois eu te arrebento e levo o fato, a tripa e o bucho e jogo tudo no riacho para os peixes, sua filha de uma peste.

Neste instante um vizinho que ouvia tudo, imaginou que o homem mataria a mulher e arrancaria seu bucho e assim, invadiu a casa pela cerca que os separava, chegando à cena da briga com respiração ofegante, muito assustado. Foi então que ele caiu numa gargalhada ao ver seus vizinhos num estica e puxa disputando uma bacia cheia de fato, tripas, com já com um cheiro nada agradável e saiu de fininho pedindo desculpas.

Toninho.
27/09/2013

Bom fim de semana com um pouco de humor.
 

Notas
¹ Buchada: Bucho, fato, tripa: diz-se do estomago do mamífero no caso bovino.
² Cramunhão: Satanás, diabo, capeta. Belzebu. O coisa ruim.
³ Pariceiro: Corruptela de "parceiro", porém usada em sentido pejorativo, termo usado mais pelo nordeste. 
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segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Outubro Rosa






Definição:
“Outubro Rosa é um campanha de conscientização realizada por diversas entidades no mês de outubro dirigida à sociedade e as mulheres sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama.”

Historia:
“O movimento começou a surgir em 1990 na primeira Corrida pela Cura, realizada em Nova York, e desde então, promovida anualmente na cidade. Entretanto, somente em 1997 é que entidades das cidades de Yuba e Lodi, também nos Estados Unidos, começaram a promover atividades voltadas ao diagnóstico e prevenção da doença, escolhendo o mês de outubro como epicentro das ações. Hoje o Outubro rosa é realizado em vários lugares”. (Historia: fonte Google)

Comentário:
Pelo segundo ano vejo no blog da Severa Cabral sua entrega literal na campanha contra o câncer de mama, então convoco todos em unicidade, divulgar e incentivar as pessoas que amamos, para os devidos e necessários exames das mamas. Como formiguinhas vamos nesta corrente, fazer conscientes todas as mulheres deste país, sejam lá onde elas estiverem. Vamos cobrar das autoridades, entidades e estado uma participação efetiva facilitando transportes em deslocamentos de profissionais e multiplicadores àquelas mulheres esquecidas em favelas, guetos, brejões e caatingas.

Que as várias religiões espalhadas pelo país assumam este papel de resgate de vidas e façam sua parte criando multiplicadores para ingressarem neste exercito de combate ao câncer, que tem ceifado vidas e mais vidas na sua ação fulminante.

Nós como blogueiros façamos nossa parte com divulgação desta bem como do seu símbolo em destaque na pagina.

Acredita-se, que assim procedendo, possamos num futuro próximo colher números menos assustadores nas estatísticas, que possamos deixar de contabilizar amigas e parentas mortas por esta doença. Assim então podemos viver um Outubro cada vez mais rosa, com a alegria estampada no rosto de cada mulher neste grande país. 

Que assim seja.

Toninho.
06/10/2013.

sábado, 5 de outubro de 2013

Chuva de verão.













 Aconteceu num verão. Foi numa praia esquecida do continente, onde o mar se vestia de azul tocando o céu na mesma tonalidade, os coqueiros balançavam suas folhas na dança do vento, quando aquela figura veio deslizando sobre a areia, cheia de graça e encantos, que por instante o vento, as aguas pararam para reverencia-la. Não me sai do pensamento aquela mulher vinda do reino de Tupã, com suas tranças negras caídas sobre os ombros deixando à mostra a beleza de seus seios. Para um pescador seria a Sereia protetora em noites traiçoeira do mar.

Em volta nada além das aguas, os coqueiros e um farol como testemunha. Eu ali estático admirado sem encontrar palavras, que descrevessem a beleza daquele lugar paradisíaco, quando ela se aproximou e tocou minhas mãos. O meu corpo gelou por instante na contra mão da emoção. Então ela pousou dois dedos sobre meus lábios e assim nos deixamos levar num longo beijo. Juntos naquele lugar de magia, os deuses em festa, uma chuva fina de verão caiu sobre nossos corpos, como um ritual de batismo para consolidar uma união ao mar.

Quando a emoção estava no frenesi de uma dança sob a chuva, uma onda de agua fria tocou meus pés e me tirou do sonho lindo e profundo deitado nas areias brancas daquele lugar, que hoje ao ver a imagem daquele casal pela praia, um filme invadiu meus olhos e pensamentos, para reviver uma linda historia de amor, que com o tempo acabou. Mas que deixou a certeza, que o mais importante é à emoção que sobrevive.

Toninho.
04/10/2013
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Um desafio do blog pensando em familia, contar um historia inspirado na imagem acima.
Participem: