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sexta-feira, 29 de abril de 2011

O menino e seu trem












 

O menino e seu trem.

E lá vem o amigo trem apitando soltando fumaça como a chaminé das casas.
Serpenteia pela serra, carregando esperanças e sonho de quem aguarda na plataforma daquela estação naquela cidade de pedra esquecida entre serras. Dizem que ele carrega todas as dores do mundo e o menino fica a lhe contar os vagões, sentado ali naquele banco de madeira com seu balaio de pasteis, outras vezes andando de um lado para o outro oferecendo as delicias dos pasteis de Dona Xandrina (Alexandrina). Mas a estação só se agita quando este trem chega com seu estridente apito num som ensurdecedor que faz as pessoas se apressarem, um cão vira lata ficar a latir sem parar, os cavalos amarrados se inquietarem empinando em suas patas traseiras e relinchando. 

É o trem que já vem, sente o cheiro da fumaça, ouve-se o apito.
Agora o povo se agita, gritam, balançam seus lenços, vêem-se olhos molhados e avermelhados tristes e perdidos numa melancolia sem fim, outros molhados, mas por uma alegria de espera que parece infinita. As pessoas nas suas melhores roupas e sapatos engraxados fazem a festa desta plataforma em que grita o menino, para vender os seus pasteis e assim observar a vida deste pacato lugar.

Mais ao fundo vê-se uma senhora com lenço preto na cabeça ao lado de um jovem de olhar triste, sentados quietos, ela chora e suas lagrimas vão até o chão, o menino fica a imaginar que é mais uma mãe a despedir do filho que pode estar de partida para a cidade grande, para estudar e se formar em doutor, uma cena muito comum naquela estação, mas desta vez era comovente aquele choro copioso. E segue gritando pelos pasteis de carne e de queijo, que sempre são bem aceitos pelos carregadores de sacas de alimentos que chegam para os armazéns da cidade.

Então depois de toda uma seqüência de manobras, o trem pára e desliga,deixando agora apenas o barulho e agito local, de pessoas saindo esticando pernas e remexendo o pescoço, como a colocá-los no lugar devido. Outras com olhares de busca por alguém que estaria pela plataforma na espera. Era lindo este rebuliço todos os dias daquela cidade, que penso mesmo que a vida acontecia somente ali naquela estação naquele horário. E sentia que o menino vivia ali toda sua emoção, com o sonho de um dia se soltar naquele trem e viajar para a capital e conhecer as coisas belas, que somente ouvia contar com os olhos esbugalhados de curiosidades nas rodas de homens em praças e boteco da cidade.

Agora os carregadores com seus braços fortes começavam o lindo jogo de sacos de um para o outro numa verdadeira sintonia sincronizada até alcançar os caminhões, que aguardavam para levar a carga de alimentos, eles pareciam uma tropa de exercito. O menino maravilhado sonhando.

Num lance o menino olha para o fim da composição, vê assustado alguns homens saindo a carregar um caixão com uma mala antiga sobre ele, e seguiam pela plataforma a procurar por alguém, seguiu assustado seu passo, quando os viu parando de frente para a senhora que chorava junto do filho. Um deles entrega um papel e neste instante o choro da mulher se transformou em grito triste e dolorido e o jovem abraçado a ela parecia não querer acreditar no que via seu querido pai sendo devolvido num caixão depois de anos trabalhando na capital. Não era a volta que ele sempre prometera à família. Naquele instante toda plataforma ficou silente calada na dor daquela família, que saía com seu caixão em direção a uma carroça com destino a alguma sua roça perto daquela cidade da estação.

Mas o trem precisava seguir seu caminho e logo se ouviu o roncar dos motores a fumaça que subia e o agito das pessoas a se embarcarem, agora os novos olhares lacrimosos de quem partia e de quem ficava perdido naquela plataforma de estação.

Ouve-se o apito e o trem partiu e foi sumindo naquela curva deixando sua fumaça branca e para trás as dores e alegrias daquela cidade. E o menino volta para casa com seu balaio vazio e com muitas historias para contar, para amanha recomeçar seu dia naquele mesmo lugar dos seus sonhos.

Era assim a manhã daquele lugar. A vida toda naquele alto de estação, onde o menino passava horas na observação com a certeza que um dia tornaria real sua viagem naquele trem e assim recriar toda sua ambição.


“O trem que chega é o mesmo trem da partida, a hora do encontro é também de despedida.” (Milton Nascimento & Fernando Brant)

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O mineiro assim como eu, tem sempre esta coisa do trem na sua vida, onde quer que esteja estará sempre ouvindo o apito e sentindo o cheiro da fumaça. E assim cantando seu trem com suas historias.


Toninhobira
28/04/2011

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Saudade que vem e fica

















Saudade que fica.

 
Ás vezes esta saudade vem se estaciona
Como uma destas viroses atuais
Com suas febres e dores insuportáveis
E se não cura deixa no corpo os sinais.

Conviver com esta saudade de alma aflita
Que mesmo em calmaria vive-se em agito
Incomod0 total naquelas noites malditas
Em que seu coração desespera num conflito.

Como não viver estas delicia amorosas
Que vira ao avesso em caricias alucinado
Refazendo a anatomia em mãos carinhosas
Mas que deixa no coração amargurado

Ah, esta saudade que se apossa
Que embala as belas lembranças
Em finos pacotes de folhas sedosas
Impregnadas com suas fragrâncias

O que faz esta saudade que nos abraça
Para viver lembranças tão ardentes
Que mesmo em face desta falta de graça
Ama-se esta saudade como parte da gente.




 
Durante a nossa vida:
Conhecemos pessoas que vem e que ficam,
Outras que, vem e passam.
Existem aquelas que,
Vem, ficam e depois de algum tempo se vão.
Mas existem aquelas que vem e se vão com uma enorme vontade de ficar...



Toninhobira
14/04/2011

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Herança amorosa






















Herança amorosa.

Nos teus seios meus desejos
Encontro de corpos ardentes
Se na boca tu cala os beijos
É porque te amo docemente

Em tuas mãos as carícias 
Nos momentos apaixonados
Onde vivo nossas delicias
Em nossos corpos entrelaçados

E amanheço nesta sintonia
Com desejos em forma de rajada
Que embala dispara minha poesia.

Mas a vontade que rouba minha calma
É doce lembrança de ti amada
Herança que adorna minha alma.

Toninhobira
24/04/2011