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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Melhor é deitar nos trilhos






















Por muito tempo aprendi e cri que andar na linha, era estar em conformidade com os bons costumes de nossa sociedade, o que hoje politicamente correto chamaríamos de socialmente correto. E como todo mineiro sempre tem um trem que passa pelos seus olhos, esta afirmativa se tornava perigosa para os desavisados no iminente perigo de ser levado por uma composição férrea.

Ocorre que agora do outro lado do mundo na cidade de Jacarta. Capital da  Indonésia, um grupo de moradores vem usando literalmente as linhas de ferro para não caminhar, mas sim para deitar em sua transversal, apoiando pés e cabeça sobre os trilhos e assim ficar por um determinado tempo, em horário especifico do dia, para combater os males como dores de coluna, hipertensão, colesterol,reumatismo,diabetes e até insônia, devido a corrente elétrica que dizem passar pela ferrovia.

O grupo logo recebeu vários seguidores, tudo depois do depoimento de um taxista que afirmara ter se curado de um AVC com esta pratica. Embora sem embasamento medico e cientifico, o fato é que todos os dias no horário das 17 horas a policia tem tido maior trabalho para retirar as pessoas dos trilhos inclusive já estipulou multa de R$ 3.000,00 e na progressão mandato de prisão.

Fico a imaginar uma noticia dessa acontecendo no Brasil, como seria a confusão que geraria pela corrida de vendedores ambulantes oferecendo água gelada, pasteis, toalha descartável, geladinho, creme para pele e toda tranqueira, quando pessoas se reúnem em eventos de qualquer espécie. Sem se falar na imprensa sensacionalista com seus holofotes.

Só mesmo o Bom Deus para proteger este povo, quando o trem aparecer na curva apitando e soltando fumaça como um dragão,como diria Raul Seixas.

E ai alguém se arrisca a deixar de andar na linha e passar a deitar nos trilhos?

Toninho.
01/10/2011




Baseado reportagem da Revista Super Interessante-
 Ed.296 Outubro/2011.
Foto captada da revista.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Uma flor de meu jardim.







 Foto Google





 Hoje uma flor nasceu no jardim dos meus olhos
Com brilho do sol na cor dourada a pequenina,
Rosa menina botão na explosão da primavera
Formosa, bela a exibir pétalas tão miudinhas
Que meus olhos encantaram em aquarela.

Na jardineira embeleza a rosa menina em flor.
Nos primeiros pingos de chuva brilha como ouro,
Como os olhos vermelhos do garimpeiro sonhador,
Na ultima bateada o belo reflexo da pepita d’ouro.

Assistia aflito o balé da amarela rosa menina,
Perigosa dança no vento, caule a beijar o chão,
E as pétalas em desalinho nas minhas retinas
Que nos meus olhos criaram terna compaixão,

Lembranças das flores despetaladas do meu jardim,
Jogadas num lixo ou pisadas sem nenhuma emoção,
Que meu coração jardineiro nunca entende este fim,
Então, canto ao vento uma trégua ao meu coração.
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Interação da Franciette: Obrigado amiga.

Ó linda rosa viçosa
quem te fez assim tão bela
não penses que és rainha
só porque és amarela.
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Da poetisa Flor da Vida: Obrigado amiga.

Rosas amarelas
Enfeitando a janela
Faz do alvorecer a mais linda aquarela.
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Toninho.
27/09/2011.

Namorando o jardim de um Hotel a beira mar em Salvador, quando começou a chover e ventar forte e do carro assistia esta luta contra o vento.
Metaforicamente:
A cada dia flores pisadas e jogadas num canto qualquer, numa onda de violência, que se abateu sobre a mulher. Que não me cansarei de denunciar em todas as plataformas das quatro estações.

Foto da jardineira.
Origem: Celular  Galaxy 5


segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Um apito solto no ar.










Imagem Google




Passado alguns anos, numa manhã de Agosto, acordei mais cedo e preparava meu café, quando ouvi um barulho vindo do sótão. Pensando se tratar de algum gato, fiz um chamado tradicional bichim... bichim. , mas como resposta, apenas risos do meu pai, saindo do sótão com uma caixa de sapato escurecida pela fumaça do fogão à lenha da casa. Após lhe pedir a benção como tradição mineira, quis saber, por que ele tinha ido ao sótão naquela hora do dia. Mas ele apenas falou que estava à procura de uns papeis antigos. Tomamos café juntos e cada um foi para sua rotina. 

Durante o dia no escritório, lembrava da manhã com meu pai saindo do sótão, e pensava como velho tem manias, que a gente nunca entende. Aquilo ficou martelando na minha mente, pois fazia tempo que ele não subia por lá. Quando voltei do trabalho, minha mãe relatou que o pai passou varias horas no quintal, remexendo na caixa velha de sapato e que ela vez ou outra, ouvia um apito vindo do quintal, mas que não identificava e ele sempre afirmava, não ter ouvido nada e que ela minha mãe, deveria estar ficando maluca.

No dia seguinte uma ligação urgente vinda de minha residência, o que me preocupou, vez que isto não era comum na família. Rapidamente segui para a sala e ao ouvir a voz de minha mãe, senti que algo não estava bem, em meio a um choro ela dizia, que o pai tinha saído de casa após minha saída, que tinha tirado algo da tal caixa e que não tinha voltado para o almoço como de costume. Sai pelas ruas com a cabeça pensando mil asneiras. Veio a lembrança do pai remexendo na caixa e pensei que ele poderia ter cometido um suicídio, de tanto esperar o tal aumento da Previdência, que ele aguardava por mais de 10 anos. Mas, não constava que o pai, tivesse arma em casa, muito menos naquele sótão. Lembrei de passar pela estação, onde ele sempre voltava para ver os trens de ferro e conversar com velhos amigos.

Ao aproximar da estação, ouvi um apito que não cessava como se estivesse na boca de criança em dia de festa. Quanto mais aproximava, mais era audível. Quando cheguei ao muro da estação, avistei pessoas olhando para a via férrea, levei um susto, mas de longe vi meu pai, com um apito brilhante na boca e soprando e acenando com as mãos para os trens que vinham em manobras. Um funcionário logo me disse que meu pai invadira a pista com o apito e não reconhecia ninguém. Corri até ele, o abracei retirando dos trilhos. Ele me olhou deixou cair uma lagrima e afirmou que apenas queria mostrar que estava vivo e podia comandar as manobras dos trens, mas que não estava louco. 

No outro dia bem cedo, peguei o trem com ele e minha mãe e fomos para a capital onde ele fez vários exames comprovando sua sanidade mental. Que fora apenas uma crise emocional pela perda do irmão. Ele tirou do bolso o apito amarrado a um broche de Honra ao Mérito ao sair da clinica e falou que aquele apito atado ao broche, o acompanhava deste o dia da morte do irmão numa manobra naquela estação e que fora lhe dado como lembrança, mas o seu pai, meu avô, o havia escondido nesta caixa de sapato, para evitar lembranças emotivas, mas ao rever os objetos naquela manhã um filme passou na sua mente lhe empurrando para aquela estação. 

De repente um sorriso abriu em seu rosto era o trem que chegava à estação para nossa viagem de volta.

E hoje para evitar alguma recaída, o apito atado ao broche fica com a mãe.

Toninho

21/09/2011



Participação em  http://escritoslinguagemnocorpo.blogspot.com/  no Exercicio: uma caixa de sapato contendo vários objetos, que permanecia guardada no sótão.

Aí baixou esta coisa desta minha minerice e os trens que povoam meus olhos ouvidos e boca e que apitam no meu peito fez isto.