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sábado, 15 de setembro de 2012

Era tanta saudade.

Imagem Google










Um olhar perdido lá no horizonte.
Ali sozinho numa pedra da praia,
Sente uma brisa fria pela fronte,
Enquanto uma saudade lhe tocaia
Perde-se neste lindo azul do mar.

Sonha a amada vinda deste mar,
No barco que um dia ela partiu.
Alivia seu coração neste sonhar,
O vento amigo num desejo subtil.

Entoa a canção que fala de amor,
Em serenatas de noites enluaradas,
Real expressão da alma do cantor,
Agora apenas letras desabrigadas.

Logo os raios solares beijam o mar,
Derradeiros raios com rara beleza.
Fica o poeta a sonhar num velejar,
No pôr do Sol com sua nua tristeza.

Toninho.
13/09/2012


quinta-feira, 13 de setembro de 2012

A varanda testemunha.



Casarão de Itabira








As três cadeiras na varanda
Criam lembranças tão reais
Pois nelas eles viam a banda
Sinto saudades dos meus pais.

Era um casarão de dois pavimentos naquela rua do centro da cidade, junto da Casa de Tecidos Oriente. Lá moravam os Santos, que se dedicavam às coisas da igreja, a antiga matriz com suas duas torres agasalhando os sinos que badalavam todos os dias para anunciarem a hora da Ave Maria, quando todos em silencio faziam suas orações, ainda que estivessem nos seus afazeres ou mesmo aqueles ébrios frequentadores do bar do Chiquinho, um bar de balcão de madeira polida e piso de tabuas enceradas, que eles cuspiam suas cachaças ou as jogavam para o “santo”.

A casa com sua varanda debruçada sobre a rua mantinha sempre três cadeiras onde seus moradores recostavam nos fins de tarde para olharem as pessoas que circulavam no vai e vem circulando pelo pirulito da porta da igreja. Umas sozinhas, outras de braços dados, geralmente as moçoilas. Como formigas passavam e voltavam caminhando para o nada. Todos cumprimentavam o padre com sua austera batina preta. Ele tinha poderes como o juiz de paz da cidade e o delegado. Da varanda os Santos podiam ver as torres da igreja e também o Pico do Amor com seu cruzeiro de madeira, onde em época de seca, as crianças com eu, levavam garrafas com água e flores para molhar seu pé, pedindo chuva para a cidade.

Foi desta varanda que numa manhã chuvosa os Santos sentiram a maior tristeza ao não avistar uma das torres da igreja. Nesta manhã num instante toda cidade se alarmou com noticias do desmoronamento de parte da igreja que ficava para o lado da rua e da casa paroquial. Foi um alvoroço naquela cidade, com todas as especulações de fieis sobre a causa da queda. Estas eram as mais tenebrosas relatando pragas e castigos, muito comuns naquela época de crendices e supertições, mas sabia-se que a chuva fora o elemento causador, e que a igreja já tinha várias rachaduras provocadas pelas explosões de dinamites na extração de minério de ferro naquele Pico do Cauê.

Da varanda assistiram os primeiros ensaios musicais da Banda Santa Cecília com seus membros a desfilarem pelo centro tocando seus dobrados e marchas, preparando para a primeira participação nas procissões da semana da santa, sempre uma linda e emotiva festa. Naquele tempo uma festa grande com participação de todos nas varias cerimônias, inclusive todos se confessavam e comungavam. Ainda não tinha por lá as novas religiões, reinava o catolicismo pleno da arquidiocese de Mariana. Era festa de emoções, comandada pela eloquência do padre Jose Lopes, auxiliado por outros padres vindo do Mosteiro de Caraças. As pessoas choravam atrás das procissões principalmente na do encontro de Jesus morto com Maria. O som triste da banda ecoava pelas ruas de pedras com seus casarões.

Vêm destas varandas as estórias dos casos de assombrações perambulando pelas ruas nas noites da quaresma. Figuras como mula sem cabeça, o lobisomem, o Créu, a loura do cemitério, o cavalo andante arrastando latas. Estórias que abundavam as rodas de contadores e que causavam arrepios e medos nas crianças, que curiosas sempre ouviam e ainda pediam outras aos contadores. A referencia sempre era a família Santos usada como testemunha, pois teria visto as figuras relatadas. Agora aquela varanda, com suas cadeiras vazias e a varanda mostrando os estragos do tempo, parece mais uma cemitério de lembranças mortas de um tempo, que se perdeu nas lembranças dos que ali viveram.


Toninho.
Lembranças de uma infância feliz.

Inspirado na postagem de nossa amiga Beth Lilás onde numa brincadeira idealizada por ela, postei esta trovinha como interação,visitem e vejam outras inspirações de amigos por lá. No link abaixo.


*********************************************************Nomes de ficção, mas acontecimentos reais.












terça-feira, 11 de setembro de 2012

Haikais




Aves zelosas
Símbolos da eucaristia_
São Pelicanos.














  
Ave vistosa.
Lembrança da bandeira_
Ararajuba.





Dança frenesi.
Um balé da natureza _
No ar Beija-flor.


 
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Imagens do Google.
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 Uma bela semana a todos com cores e flores.
e canto de pássaros.