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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Solidão e festa


As chuvas que devastaram Minas, deixando para trás cenas de filmes de guerras estúpidas e odiosas, que por longo tempo ficarão nas memórias de muitos e outros jamais se esquecerão das consequências. Águas que ceifaram vidas, que levaram casas, veículos, pontes e arvores. Estranha e furiosa força da natureza que parece cobrar ações efetivas contra as terríveis agressões impostas pelo progresso desenfreado.

Minas ficou para trás e as águas manchadas de sangue e barro e toda espécie de lixo que burramente são deixados nas margens dos rios, agora encontram o Rio São Francisco, para seguirem seu destino de encontro ao mar onde quedam cansadas e gloriosas da longa jornada. Pois bem, estas águas agora passando pelo estado da Bahia, causam novas devastações com o transbordamento do Velho Chico, recriando pequenos rios ao longo da sua passagem. Eu já vivi esta cena, assistindo a fúria deste rio inundando plantações e estradas e levando barcos, pessoas e pontes.

Assim nesta desenfreada descida para o mar, eis que na região de Malhadas o rio passou vociferando forte e deixando suas margens alagadas, desabrigando famílias, alimentando campos de plantações e ao mesmo tempo criando espécie de praia numa rodovia marginal onde varias pessoas aproveitaram para fazer do local uma praia temporária com direito a bebidas e petiscos numa verdadeira festa.

A tristeza dos desabrigados, a alegria dos agricultores misturada com a alegria liberada dos banhistas no remete à máxima de que a festa e a solidão estão sempre de mãos dadas no mesmo salão, como disse Gonzaguinha em uma de suas canções. Exageradamente entende-se que o sangue derramado em Minas, se mistura ao da Bahia, para lavar, refrescar e purificar os corpos sequiosos por um banho de farta água aos sofredores da seca nordestina.

Assim é na vida amigo, muitas vezes sua tristeza é a festa de outros tantos, por mais incompreensível que possa parecer. Funciona como lei da vida e ou da sobrevivência. Então façamos de cada adversidade uma maneira de recriar a alegria e manter a serenidade sempre.  

Toninho.
24/1/2012

Meu pai me dizia que durante o velório, que era realizado na própria casa do finado, podia se ver dois tipos específicos, um sentimental que fica chorando a perda e outro o vil espertalhão, que fica a remexer as gavetas e baús na procura de joias e bens do finado. Aqui também se percebe  a festa e a solidão de mãos dadas num mesmo salão.

Foto1 do Jornal Estado de Minas
Foto 2 do Jornal A Tarde on line da Bahia.

26 comentários:

  1. Relato triste e pungente que poderia ser ficção, mas é realidade nua e crua! Triste de ler, triste de saber, triste de ver! Meu coração se afligiu!
    Abração!

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  2. Infelizmente solidão e festa são companheiros...

    Uma tristeza o que aconteceu em Minas, deixo aqui a minha solidariedade para esse lindo povo Mineiro no qual me acolheram muito bem qdo morei ai, a Natureza está cobrando de uma maneira que nos assusta e muito.

    Um gde abraço amigo.

    beijooo.

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  3. Triste realidade, Toninhobira! Infelizmente em todos os lances da vida, até nos fenômenos naturais, há os ganhadores e perdedores. Senti a dor da tristeza no teu relato.
    Abraços.

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  4. Olá, Toninho!

    Sinto muito pelos que perderam seus pertences, mas principalmente suas vidas. Essas catástrofes são preocupantes. Pior que só se pensa nelas quando acontecem.
    Sei que é a vida, uns sorriem, outros morrem, outros choram, mas, é difícil entender como se fazer festas sabendo que tantos sofrem...

    Belo artigo, amigo
    Paz e Bem!

    Socorro Melo

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  5. Seu texto está maravilhoso, Toninho e é realmente muito triste... Sai ano, entra ano e é sempre a mesma coisa.Parece que nada muda nesse nosso país na época das chuvas.


    Beijinhos, querido.

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  6. Sua amizade transformei na minha felicidade, Minha felicidade é ver sua
    visito no meu blog.
    Hoje não consigo expressar toda minha alegria, simplesmente levando
    uma colinha só para saber de você.
    Triste seria para mim se nem isso pudesse fazer mais ..
    Eu quero apenas estar sempre perto de você é esse o unico meio que
    no momento Deus esta me permitindo.
    Tem momentos que devemos entender nossas limitações.
    e acima de tudo agradecer a Deus pela vida.
    Cada lágrima ensina-nos uma verdade e
    nos tornamos mais fote no sofrimento.
    Paz e Luz.
    Beijos meus no seu coração..Evanir

    Quantas lagrimas amigo!!
    Quantas dor!!

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  7. Este comentário foi removido pelo autor.

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  8. Olá amigo,

    ... " a festa e a solidão de mãos dadas num mesmo salão". A expressão é interessante, mas condiz perfeitamente com a situação descrita.

    Alegria de uns, tristeza de outros. E assim vamos caminhando, tentando buscar o equilíbrio.

    Muita dor e sofrimento, causados por tragédias previsíveis e anunciadas, sem qualquer atitude governamental preventiva. Tudo muito triste!

    Meu carinhoso abraço mineiro.

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  9. Toninho meu querido, sou de Minas, mais propriamente de Santa Bárbara do Tugúrio em Barbacena, fico extremamente triste com tanto estrago em uma cidade tão bela... Estamos em época de chuva e vários Estados sofrem com elas... O um texto belo, triste e tão real escreveu aqui... E homem ainda não se deu conta, não se dá conta de tudo que faz... 1 beijo meu querido... Obrigada pelo carinho

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  10. Olá Toninho,

    Enquanto não nos reciclarmos e principalmente não reciclarmos os políticos, todos os anos estas cenas voltarão a assombrar as pessoas. Obrigado por seu comentário no meu blog, tenha um ótimo final de semana.

    Um abraço, paz e bem

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  11. Excelente texto meu amigo Toninho, a triste realidade daqueles que tiveram e/ou ainda enfrentando as adversidade, comove qualquer ser humano dotado de sentimentos de caridade e solidariedade. O outro lado da moeda existe sim paralelamente está muito bem traduzida no que expressa em seu belo texto.
    um abraço
    Celêdian

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  12. Nossa é os dois lados da mesma moeda amigo, tristeza e alegria pelo mesmo ocorrido...
    Assim é a nossa vida, hora estamos em Minas com água dimais, e hora estamos igual a Bahia na seca sem vida...

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  13. Toninho,eu me lembro dessa musica maravilhosa do Gonzaguinha!E vc tem razão: andam mesmo juntas a festa e a solidao nesse pais e suas catastrofes!bjs,

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  14. É AMIGO A VIDA SEMPRE FOI ASSIM,DEVEMOS APROVEITAR AS HORAS BOAS, NOS REFASENDO ENQUANTO NÃO CHEGA A VEZ DE SOFRERMOS, TODOS FICAMOS MUITO TRISTE COM O QUE ACONTECEU AOS NOSSOS IRMAÕS, QUANTOS PERDERAM A VIDA DEIXANDO UMA LACUNA IRREPARAVEL, AGORA CHEGOU A NOSSA VEZ DE ENFRENTAR AS FORTES CHUVAS, O PIOR É A ALTURA DA NOSSA CIDADE DO MAR, SÃO APENAS DOIS METROS , PARA ENCHER A CIDADE DÁGUA BASTA UMA MARÉ ALTA, NA AV. RECIFE, QUE LIGA O AEROPORTO A CIDADE UNIVERSITÁRIA, AS TRANSVERSAIS DAS RUAS FICAM INUNDADAS EM PLENO VERÃO, NISTO SE PARECE COM VENEZA.BASTA AS MARÉS DE AGOSTO. SE A CHUCA QUE CAIU EM MINAS TIVESEM SIDO AQUI TINHA SIDO UM ESTRAGO TOTAL.MAIS NESTA VIDA TUDO PASSA, VAMOS AGRADECER A DEUS PELOS QUI FICARAM. UM ABRAÇO CARINHOSO. CELINA.

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  15. Meu amigo, agora temos que torcer para que as autoridades façam sua parte.
    A chuva sempre existiu, o homem porém, sempre contrariou as leis da natureza e agora, pagamos um preço alto.
    Infelizmente, é como disse, as serras são loteadas clandestinamente, e as matas sendo devastadas, acabam deixando a terra nua.
    Vai dando nisso...
    Um abraço fraterno.

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  16. Boa noite!

    Com licença,

    Seu blog é show!

    E se me permitir estarei sempre por aqui.
    Sou novato nesse negocio de blog ,mas deixo
    Um convite para conhecer o meu canto!



    http://confissoesdomalandro.blogspot.com/

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  17. Chego e encontro a emoção narrando teus sentimentos profundos, de pesar, de profunda reflexão...emocionada, te conto que voltei, e deixo um grande e forte abraço, admiradora que sou desta dicotomia que descreveu.

    Desejo que neste ano possamos compartilhar muitas emoções e alegrias!
    Beijos!

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  18. Fizeste um par de sentimentos opostos, mas completamente gêmeos na situação que se deu.Foram sim, as águas furiosas que provocaram tanta dor, porém,não por maldade própria, mas pela centenária omissão dos poderes públicos de cada região, que as culpam na falta de um vilão mais à mão.
    Que a solidão se vá e que a festa perdure para todos em qualquer situação.
    Um forte abraço,
    Calu

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  19. Toninho seu texto me deixou emocionada e a pensar.
    Essas águas da chuva muitas vezes provocam dor em grande intensidade.
    As imagens são lamentáveis.

    Boa noite amigo.
    Xeros

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  20. Quanto paradoxo nisso tudo!
    E o velho Chico segue seu percurso, porém tudo seria normal se não houvessem as invasões de suas margens, o lixo nele jogado, o descaso dos governantes, a falta de educação de todo um povo para aprender com as desgraças e melhorar daqui pra frente. Mas, sabemos que isso não vai ser tão cedo, ainda veremos muito sangue sujando as águas dos rios e ele reagindo com a força da Mãe Gaia que o rege.
    Toninho, parabéns pelo seu belo texto!
    um super beijo carioca

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  21. Bom dia,Toninho!!

    É uma tristeza isso meu amigo,mas é verdade e em todos os lugares...pra mim é insensibilidade(muito da barbária ainda vive na maioria dos seres humanos...)
    O problema do lixo(que as próprias pessoas jogam...)da falta de estrutura, é crônico!!!
    Por aqui bem perto(Em porto Alegre, na avenida Assis Brasil qualquer chuva inunda a pista!!Imagina no inverno que chuveu quase todos os dia!!!Foi um caos!)Sem contar na periferia qua a água invadiu casas...
    Infelizmente é tudo igual em todo o lugar(TODOS OS ANOS!!), e o governo não resolve os problemas...só tapeia...
    *Quem faz algo(sempre) é umas poucas pessoas que se unem para ajudar o próximo...Com o básico...mas e as casas????Onde estas pessoas vão morar???

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  22. Bom dia meu querido e amado amigo!
    Cheguei aqui cheia de alegria,mas fui surpreendida com o tamanho dessa tragédia...fico sem palavras,pois todas que tenho para falar são poucas...texto reflexivo para quem ainda tem coração...
    Deixo meu beijo de bom dia!

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  23. ...a festa e a solidão estão sempre de mãos dadas no mesmo salão, como disse Gonzaguinha em uma de suas canções.
    Você tem um ótimo espírito contextualista, e realmente esta 'frase' de Gonzaguinha condiz com o que descreveste aqui!
    Já percebi que aprenderei muito contigo!
    Abraço!

    Aline Santos

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  24. Tristezas e alegrias mesclam a vida, mas lamento que a midia pontue com ênfase e repetição as desgraças.
    Somos surpreendidos com as tragédias, refletimos sobre nossa vulnerabilidade e tentamos como vc bem assinala
    "façamos de cada adversidade uma maneira de recriar a alegria e manter a serenidade sempre."

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  25. Caro Toninho
    Essa postagem me fez lembrar da poesia postada no Blog "Pássaro Impossível"

    A Morte das Palavras

    As lembranças perdidas dormem
    sob a pedra.
    A borboleta se abaixa sobre
    a rosa morta.
    As faces do ódio cortam
    as palavras

    Sem forças
    e sem cor
    as palavras morrem
    na noite
    que se desfaz em lágrimas

    Sônia Brandão.

    Infelizmente temos que conviver (impotentes sem saber muito o que fazer) com essas cenas que se sucedem e parece não sensibilizar muito aos que
    deveriam tomar enérgicas providências.

    Um carinhoso abraço.

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Meu abraço de paz e luz.