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sábado, 13 de outubro de 2018

Aura da paz.



Uma inspiração para o projeto poetizar e encantar da professora Lourdes, que mesmo preocupada com doença em família, veio nos convidar para espalhar poesias pela blogosfera confira filosofandonavida.


Inesquecíveis os olhos abandonados,
perdidos no tempo foi-se a inocência,
reviver agora momentos sepultados,
lança o olhar no além em clemencia.

Há dentro do olhar uma suavidade,
que se irradia pela face por instante,
n0 resgate da doçura é credulidade,
alivio que é refrigério no já distante.

Ainda lembro aquela tua suave voz,
delicada numa deliciosa sonoridade,
como o exorcismo ao passado algoz,
teima reencontrar a tua jovialidade.

Havia no teu olhar algo que atraia,
que perto me envolvia numa calma,
alisei tua face como da Mãe Maria,
ela se irradiou de paz sob uma aura.

Toninho
13/10/2018

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Feliz domingo para você
numa semana de paz.
Grato sempre.




quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Itabira: Uma sombra de saudade





Uma lembrança a minha cidade Itabira-MG no seu aniversário de 170 anos de emancipação em 09/10/2018.

De Itabira carrego saudades, que me seguem como sombras. Saudades de minha catedral com sua praça com o obelisco, que chamávamos de pirulito, por onde as procissões contornavam, ou referência para separar homens de mulheres na procissão do Cristo Morto na Semana Santa. No adro um paredão com inúmeros furos onde se escondiam as andorinhas, mais tarde expulsas pelos pardais na usurpação dos ninhos para reprodução. Minhas andorinhas nunca mais apareceram.
Saudades das procissões na Semana Santa, mãos queimadas pelos tocos das velas que escorria. Vivia uma profunda emoção, lágrimas nos olhos ao ouvir o Sermão das Sete Palavras na procissão de Encontro na voz emocionada do Pe. Lopão(José Lopes) e daquele dilacerante canto entoado pela Verônica, eu vivia tudo, sentia, sofria na pele.


Saudades das ruas de pedras de minério de ferro escorregadias, que me fazia perder as pontas dos dedos no futebol diário. Saudade da dor, de ver o dedo sendo curado por minha mãe, com apenas sal e limão. Doía, mas no outro dia estava curado. Saudades das risadas dos passos desengonçados das moças quando perdiam os altos saltos nas pedras de minhas ruas.
Saudade do brilho do Pico do Cauê a sua imponência azul naquela serra, onde todos os dias, assistia o tingir do céu da poeira vermelha após as explosões com dinamites, que tremiam o chão e agitavam meu coração de menino, que achava linda toda àquela agitação de sirenes, pessoas correndo, cachorros latindo, vidraças vibrando, às vezes quebrando, eram como se o Pico gritasse como um leão na barriga daquela serra. Eu menino nem sabia que ali estava processando esta saudade que agora sinto.

Saudade dos comícios animados e engraçados dos dois partidos, de andar de carroceria de caminhão de bairro em bairro e eram tão poucos, que se faziam numa noite, menino seguindo gente grande na noite sem perigo da cidade, tudo era festa.


Saudade de colher as Gabirobas na serra de frente de casa onde hoje fica a casa restaurada de Drummond. Saudades de nadar nos rios e lagoas sem medo da xistose, passear pelos pomares na procura de Jabuticaba na chácara da Cia Vale do Rio Doce ou lá na fazenda Pontal da família de Carlos Drummond. Ah, esta saudade que sinto, desta Itabira que me faz hoje viver nesta distancia, coletando fragmentos, que minha mente insiste em servir no prato de barro, que buscava naquele brejo que não mais existe.
Ah, eu não queria sentir esta saudade dolorida, mas não tem jeito, pois cada vez que me vêm estas lembranças, há uma certeza, que há uma degradação pelo progresso sem controle de processos, nada preservou, resta apenas esta parede sem brilho, este buraco, esta serra careca, esta velha Maria Fumaça sem apito, sem fumaça, mal cuidada na entrada de minha cidade. São estas constatações que doem muito mais do que estas recordações que agora me acompanham.

Ah, eu não queria, mas como podem ver, eu não sei viver sem estas lembranças de uma Itabira que talvez só exista em minhas memórias, mas como dói.






Toninhobira