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sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Transbordar


BC_Uma imagem em 140 caracteres de nossa amiga Marina nos oferece hoje uma imagem de um copo com água antes do transbordar. Vamos ver os olhares dos amigos sobre a imagem e como criaram aqui: devaneiosedesvarios e abaixo minhas versões na linda imagem.



Versão I

Que bom seria a água abundante,
para saciar sede do sequioso chão.
Grãos morrem sob sol causticante,
Há fome e desespero numa solidão.


Versão II

Num copo transbordante cristalina
bendita água que o meu corpo sacia,
vem em tubos de bambu lá da mina.
Ouço seu correr como linda melodia.

Versão III

Quando vejo jorrar a água límpida,
sinto a gratidão pela mãe natureza.
Mas o homem em sua ação estupida
mata os mananciais numa bruteza.




Homenageando saudosa 
Bibi Ferreira




Versão IV

O próximo instante é um copo cheio,
basta aquela gota, logo transborda.
Viva o instante sem nenhum receio,
sacie todo prazer no beijo da borda. 



Toninho 
29/11/2019 




Um bom lindo fim de semana com paz.
Feliz Dezembro das festas
e de repassar a vida
e rever os acertos.
Que sua contabilidade
seja positiva.

Grato.

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Um apito estridente.





Numa manhã de agosto Jota acordou cedo, preparava o café, quando ouviu barulho vindo do sótão. Pensou nos gatos da vizinhança, fez o chamado tradicional bichim... bichim. Como resposta ouviu risos do pai, descendo do sótão com uma caixa escurecida pela fumaça do fogão à lenha. Após a benção quis saber, o que ele tinha na caixa. Disse que estava à procura de papeis antigos. Tomaram café e foi para seu trabalho.

Durante a manhã pensou no pai saindo do sótão, e dizia baixinho, que velho é cheio de manias, mas entendia. Aquilo ficou martelando sua mente, fazia tempo que ele não ia ao sótão. Quando voltou do trabalho, a mãe relatou que o pai passou várias horas no quintal, remexendo a caixa e que vez ou outra, ouvia um apito, mas que não identificava e que ele afirmava, não ter ouvido nada.

No dia seguinte Jota recebeu ligação urgente. Reconheceu a voz da mãe.  Logo imaginou coisa ruim, pois ela não ligava. Ao falar notou que ela chorava, dizendo que o pai havia sumido após remexer a caixa e não aparecera para almoço. Jota saiu pelas ruas a procurar e perguntar às pessoas. Pensou em suicídio, já que o pai estava chateado com a demora de um processo de ajuste da aposentadoria junto à Previdência, já uns dez anos. Lembrou de passar pela estação, onde ele ia sempre rever as locomotivas e velhos amigos.

Ao aproximar da estação, ouviu um apito estridente e continuo. Quanto mais se aproximava, era mais alto. Quando chegou junto ao muro, levou um susto ao ver o pai com um apito brilhante, soprando e acenando para um trem em manobra. Um funcionário disse, que ele invadira a pista com o apito. Correu sobre a linha e abraçou o pai, retirando dos trilhos. Ele chorava e dizia a Jota, que queria mostrar, que podia comandar os trens.

No outro dia cedo com a mãe e o pai pegou o trem para a capital para consulta ao psiquiatra. Vários exames e testes comprovaram sanidade mental. Que fora apenas uma crise emocional pela perda de um irmão num passado distante. Então o pai tirou do bolso o apito amarrado a um broche de Honra ao Mérito e disse que aquele apito, o acompanhava deste a morte do irmão numa estação e que rever o objeto naquela manhã do sótão fez um filme passar na sua mente.

E com um sorriso largo viu o trem que chegava apitando na curva da estação, para leva-lo de volta ao seu interior de calma, longe das buzinas e fumaça da capital.

Agora aquele apito fica escondido com a mãe para evitar alguma recaída.


Toninho.
Reedição de outro blog
Em 21/09/2011.

Grato pela visita.