Participando do projeto Escrevendo à quinta-feira 14 de maio, que nesta semana foi coordenado e inspirado pela Monica, que apresentou uma obra (Walt Whitman) e frases para escolha como inspiração para a criativa da historia.
Escolhi a frase: Eu me celebro e me canto, e o que eu presumo,
você também presumirá, porque cada átomo que me pertence, pertence a você.
Aquele
homem chegou na serra com pressa e laminas afiadas do ferro. Derrubou arvores,
cercou cada metro do terreno, calou a cachoeira, matou e comeu os peixes. Caçou
e matou os passarinhos. Achou que mandava em tudo, se sentia poderoso com
aquele motosserra. Mas a terra ensina devagar.
Dona Iracema viu o rio virar fio. Viu o chão rachar. Uma madrugada, sentou na pedra fria e olhou para o morro pelado. Não com culpa. Com saudade do verde que ela ajudou a sumir. Foi aí que entendeu: *eu me celebro e me encanto com olhar na natureza*. Não quando exploro. Quando observo. Quando deixo ser.
No outro dia plantou um ipê. Só um. Regou com o resto da água e com paciência. Falou com ele. Os vizinhos acharam que era loucura de velha. Mas o ipê vingou. Floresceu lindamente amarelo num ano de seca. Chamou abelha. Abelha chamou flor. Flor chamou chuva.
Hoje
Dona Iracema não permitiu cercar mais nada. Ela anda descalça. Põe a mão na
terra e escuta. A cachoeira voltou a cantar, baixo, mas cantou. A natureza
não perdoa nem condena. Ela responde. E quando a gente olha para ela de
verdade, sem querer tirar, ela olha de volta. Aquele homem hoje vive nesse olhar de encantamento, a gente se celebra e cantamos aquela canção que
fala de alegria e liberdade em sintonia com a natureza.
Toninho
11/05/2026
Grato pela leitura


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