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Verão da Rua Sem Saída
O verão começava quando a escola fechava o portão desejando boas férias. E na Rua Sem saída o verão não era só calor. Era barulho desde as 7 da manhã já tinha alguém gritando: "Ei, hoje tem queimada!" E antes das 8, a rua inteira virava quadra. Dois chinelos marcavam o gol e a calçada era o mundo.
As manhãs com sol quente. A gente corria descalço na rua de terra, que recebera uma imitação de asfalto. O chão queimava a sola dos pés, mas ninguém ligava. Na rua a agua era sagrada. Seu Zé João regava seu jardim, mas ninguém podia receber um jato daquela agua. O tempo passava e só parava, quando a mãe de alguém gritava lá da janela: "Vem almoçar!"
Pela tarde era hora de olhar para o céu. Pipa no alto, linha esticada. Cortar outra pipa era a torcida como se fosse a última pipa do mundo. Seu Zé João abria a torneira e colocava a mangueira no muro e pronto: virava piscina. Os meninos viravam peixes e todo mundo ria com a água batendo na cara. Depois do jogo, todo mundo sentava no meio-fio. Alguém trazia picolé de 50 centavos.
Pelas noites de pouca luz, começava a brincar de Esconde-esconde. "Um, dois, três... já!" E as crianças sumiam atrás de muro, pé de manga e dos poucos carros na rua. Depois ouviam os causos e contos das velhas solteironas sobre mula-sem-cabeça, de fantasma na Quaresma, e de tesouro enterrado no quintal.
O verão acabava, as aulas voltavam. Mas a Rua Sem saída guardava tudo. Porque infância no verão não envelhece. Fica morando no cheiro de manga madura, no grito de "gol!", e na água fria da mangueira escorrendo no rosto.
Toninho
08/07/2026
Grato pela visita


Meu Deus, quantas as lembranças de tantas boas brincadeiras nas ruas e no teu caso, naquela sem saída... Toda criançada "fervia" e aprontava, gastando energias e sendo criuaanças de verdade... Quem nunca? Adorei as recordações! Pena, hoje é tão diferente pra criançada!
ResponderExcluirabração, lindo dia! chica
Los veranos así son: comienzan con las vacaciones y cierre de la escuela. Y ese grito desde la ventana "¡A comer!" es típico.
ResponderExcluirEl verano que nos dejas y esos juegos son la sal de la infancia; ¿qué seríamos sin ellos?
Muchas gracias por tu relato tan ameno y tan real. Un abrazo.
Feliz semana.
Perfeito, Toninho
ResponderExcluirSeu conto é tudo que já vivemos um dia.
E, como descreve maravilhosamente !
Obrigada por trazer a 'Rua Sem Saída' que todos gostaríamos de reviver.
Beijinhos e bom dia( aqui a manhã acordou nubladinha como um dia de inverno)
Que presente visitar as lembranças desta "rua sem saída" tão familiar, meu amigo.
ResponderExcluirEu também morei numa rua assim, na infância e foi desse jeitinho que atravessei muitas férias inesquecíveis: jogo de queimada, pular corda, pique-pega, pique -esconde, passa anel... Tempos sempre acesos em minha melhor memória.
Em tua narrativa me refleti sorridente.
Obrigada por esse presente!
Abração!
WoW, cuántos recuerdos me trae el juego del escondite. Esos veranos tan entrañables que dejaron una huella imborrable. Me emocioné. Un fuerte abrazo
ResponderExcluirHola Toninho,
ResponderExcluirBonitos recuerdos nos traes, esa época que podías estar todo el día en la calle que servía de campo de futbol, de cancha, de circuito y de lo que quisieras. Parece que esos tiempos se han perdido, pero son hermosos recuerdos.
Un saludo.
Olá Toninho,
Você me traz ótimas lembranças, daqueles tempos em que podíamos passar o dia inteiro na rua, que servia de campo de futebol, quadra, pista de corrida e tudo mais que quiséssemos. Parece que esses dias se foram, mas são lindas lembranças.
Atenciosamente.
Bom dia , Toninho . Rua sem saída bateu record de boas recordações . Como é bom quando temos boas lembranças guardadas e podemos voltar no tempo mesmo em pensamento . São esses momentos guardados na memória vividos com intensidade que nos dá a impotância das amizades , dos lugares onde passamos nossa infância e ali deixamos raízes . Abraços .
ResponderExcluirhttps://kantinhodaedite.blogspot.com
Que delícia devia mesmo ser as brincadeiras da Rua sem saída. Você detalhou gostosamente pelas horas das tão esperadas férias, cada brincadeira que acontecia. Toninho, o tempo passou e cadê a criançada brincando. Eu cresci na fazenda de minha avó, mas brincávamos de manhã à noitinha. De manhã, inventávamos de tudo, tirando a palha do milho, no paiol para tratar as galinhas. De tarde íamos no pomar, eu tinha um navio pirata, num galho do pé de tangerina, à noitinha era bique esconde. Minha infância foi um sonho! Ainda bem que sempre aparece alguém nos blogues, fazendo-nos lembrar com carinho da infância querida. Amei sua participação mais que perfeita! Beijos!
ResponderExcluirEsos veranos de la infancia donde corríamos descalzos y la vida era una aventura y disfrute con amigos.
ResponderExcluirMe gustó mucho tu relato Toninho, tiene aires de nostalgia de una infancia feliz.
Un abrazo bendiciones.
PATRICIA F.
Cómo ha cambiado el mundo! Aunque queden lugares tranquilos, de vida sencilla y vecindad compartida, los juegos de la infancia hoy son muy distintos y es una lástima que aquellas costumbres hoy se hallan perdido. Un abrazo
ResponderExcluirBoa tarde, Toninho
ResponderExcluirO teu sublime e terno texto é um abraço de memória que transforma a Rua Sem Saída num cenário vivo onde o verão é , brincadeira e encanto. Cada detalhe, guarda a infância como algo que nunca envelhece, sempre presente no cheiro de manga madura e no eco de um gol improvisado..
Parabéns!
5*****
Beijinho e ótimo fim de semana com paz e saúde.😘
Qué bonitos recuerdos de la infancia, querido Toninho, me han encantado porque me han recordado a mis veranos, jugando en la calle al escondite, me encantaba ese juego. Y cuando dices lo de la manguera, también me has recordado ese agua que salía por la manguera que nos calábamos para refrescarnos. Pero qué felices éramos, lo peor era volver al cole después de tanto tiempo de vacaciones, qué mal sentaba.
ResponderExcluirUn placer leerte, querido amigo, que estés pasano n feliz día.
Un abrazo.
Pues sí es de esas cosas que han venido para quedarse,
ResponderExcluirSalud.
Ha llamado mi atención que estando tan lejos hayamos jugado a juegos iguales. Ni me acordaba del "balón prisionero" , ni de los riegos con las mangueras.
ResponderExcluir¡Qué curioso lo del balón, no me acordaba de ese juego...
Que lindo texto com um toque a poesia! Bj
ResponderExcluirAh, que delícia de crônica, Toninho, era bem assim aqueles anos, a nossa infância...
ResponderExcluirQuantas recordações, o tal "vem almoçar" me veio à memória, saudades de minha mãe!
A rua com luzes, árvores e vizinhança brincando... Deu saudades!
Maravilha, adorei, amigo!
Uma feliz semana, um beijo.
Meu nobre amigo botafoguense Toninho, você está mais difícil de achar do que nota de 200 Reais! Só te encontrando mesmo em uma rua sem saída. 🤣😅🤣
ResponderExcluirBrincadeiras à parte, passo para te deixar um grande abraço alvinegro!!!
Toninho, seu texto tem o dom de despertar lembranças que muitos de nós nem sabíamos que ainda guardávamos. A Rua Sem Saída acaba sendo a rua de toda uma geração, onde a simplicidade transformava qualquer pedaço de chão em aventura e felicidade. Foi uma deliciosa viagem à infância.
ResponderExcluirAbraços fraternos,
Daniel