Lucas desceu do ônibus em Salvador com uma mochila nas costas, um comprovante do Programa de financiamento escolar no bolso e o nome da mãe tatuado no braço esquerdo, para não esquecer, o que muito o motivou estar ali.
Era o primeiro da família a entrar na universidade. A rua inteira fez festa quando saiu o resultado e no jornal estava o nome de Lucas. Só que ninguém contou para ele que a universidade também cobra, e não é só em prova. Seriam cinco longos anos de muita dedicação e aplicação até a formatura.
Primeiro dia. Anfiteatro lotado. O reitor fala de "futuro da nação", o microfone falha, o ar-condicionado também, um dia de muito calor. Aos calouros é desejado boas vindas e afirma, que a reitoria está sempre aberta para eles. Lucas anota tudo, até o que não precisa. Medo de perder alguma coisa. Se sentia deslocado na turma.
Na fila do restaurante de preço baixo, ele conta as moedas. Ainda dá. Ao lado, um veterano reclama, que aumentou neste ano. Lucas pensa: "para mim, é o preço de um sonho estar aqui e ainda poder alimentar neste preço". Mas ficou temeroso com os preços dos livros e que não tinham na biblioteca.
À noite, liga para a mãe: "Tá tudo ótimo, mãe. Aqui é enorme". Não conta que está com dor no pé de tanto andar a pé à procura de livraria com preço mais em conta da sua lista de material. Entendeu porque muitos desistem no primeiro ano.
Ele
desliga e abre o caderno. Na primeira página, escreveu só uma frase: "Não
vim aqui para ter diploma na parede. Vim para tirar minha família da condição
de vulnerabilidade". O ano letivo começou. E eu não desistir, nem vou embora.
Toninho
17/09/2026
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