A terra trincada naquele
longínquo sertão onde nada mais nascia, um sol que parecia descer na terra,
assombrava os lagartos que morriam nas entranhas da terra a procura de sombra e
agua.
Otaviano olhava tudo
aquilo com olhos d’água, que se voltavam para o céu como a implorar um
pouquinho de chuva, para aliviar as mortes de tudo que respirava, as cabras, os
bois e até sua cadela caçadora, eram esqueletos cobertos por urubus.
Quando o sol se punha
sobre os mandacarus, a noite vinha como um refresco. Otaviano se ajoelhava diante
do rustico altar de Santa Barbara e São José que acolhiam suas orações. Foi
numa noite dessas, que ouviu ronco de trovões e viu no céu raios e nuvens
escuras. Tirou do embornal alguns grãos, semeou na terra remexida nos fundos do
casebre na mesma noite.
Amanheceu com barulho
de goteiras no casebre. Viu o terreiro coberto de agua onde pequenas flores
brotaram como milagre. Saiu sob a chuva, acariciou as plantinhas, sentindo cheiro
da terra molhada. Colheu algumas e depositou aos pés da Santa Barbara, que teria
pedido a São José pelas chuvas.
Foram cinco dias com a
chuva vindo pela noite. E foi assim, que viu surgirem os primeiros pés de milho
e feijão na roça, seu coração não cabia de alegria. Imaginou a colheita e sobrevivência
garantida até outra estiada. A vida renascia, para aquela gente devota de São
José e Santa Barbara.
Toninho
15/06/2023
Grato pela visita.
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