O
açude cheio dá vida às terras do sertão. Vem me lembranças das férias com arvores
nuas semimortas, o açude agonizante. Um riacho seco que no leito os carneiros
pastavam. Os meninos alheios catavam seixos no leito seco. A vovó de olhos
tristes lembrava dos peixes, que pescava no riacho, mas ocultava sua tristeza, diante
da nossa alegria.
Quando
o açude transbordava, o riacho corria seus peixes. Suas aguas quase tocavam a
pequena ponte, que ligava a casa à horta, onde nós meninos brincávamos vigiados
pela lavadeira, que esfregava roupas numa tabua junto ao riacho e as estendiam no
chão gramado sob um sol, que tudo secava, onde as lagartixas descansavam
preguiçosamente.
Fecho
os olhos na imagem gravada na retina, revejo tudo como num videoteipe. As
mesmas arvores renascidas, os peixes no riacho, a vovó alegre a pescar. Era a
vida de volta em cada canto do lugar. Vejo a linda flor do mandacaru, sob um céu
todo azul. Há saudade aninhada no meu peito. Um tempo que revejo na foto emoldurada
na parede. Mas é alegria ter vivido uma infância feliz e livre, que deixou este
brilho nos meus olhos.
Toninho
08/07/2021
Grato pela visita
