Mulher e daí é mais do que uma canção é um grito de alerta do Gonzaguinha em 1981 indignado com o que vivia a mulher.
O texto abaixo é de agosto de 2010, quando a iraniana (Sakineh Mohammadi Ashtiani) foi condenada ao apedrejamento.
Com leve reedição resgato para homenagem e minha indignação em ver que os horrores persistem 12 anos depois.
Que um dia possamos comemorar este dia sem a triste contabilidade.
Quem são estas mulheres?
Quem são estas que vivem de amargura?
Caladas nas noites vestem uma armadura,
que não se rendem dos sonhos da felicidade,
à espera vã do mínimo de dignidade.
Quem são estas mulheres?
Sentidas falam de vidas sofridas, da solidão.
São filhas da ditadura machista que tortura,
que dá flores e mata na manhã seguinte.
Quem são estas mulheres?
São anjos Zuzus, angelizadas, angustiadas,¹
na dura espera do corpo do filho que já morreu
zumbis pelo mundo, mortas de cansaço, sonham.
Ainda ali exalam uma encantadora ternura.
Quem são estas mulheres?
Como as de Atenas esperam seus guerreiros,
mas que são reais algozes de suas ansiedades.
Soluçam num canto, ocultando suas dores,
Recebem pedradas, as feridas sangram.
Quem são estas mulheres?
São todas as Marias sem Penha sem nada.²
Joanas, Quitérias, Neri desejos abortados,³
são mulheres que sangram e o mundo se cala.
Quem são estas mulheres?
Queria entender como podem viver sob tortura.
Mulheres que fazem da vida ninho de ternura.
Ah, eu queria acordar, não ver mais este pavor.
Mirem-se nas mulheres, elas gritam e morrem.
Toninho
08/03/2022
Notas:
1- Referencia a Zuzu Angel estilista brasileira assassinada pela ditadura.
2- Maria da Penha enfermeira brasileira incansável luta pela prisão do seu agressor e a ela dedicada a lei de proteção às mulheres.
3- Mulheres Guerreiras: Joana d'Arc, Ana Neri, Maria Quitéria.
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