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quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Desencontro



 
 














Volto ao mesmo lugar,
já não é uma rotina diária.
É a saudade saliente crescente,
em cada cantinho que sinto você.
Angustia num barco que vem do mar,
aos olhos da mulher que espera no cais.

Nada mais doloroso que esta saudade,
a ausência do perfume que exalava,
no jardim onde morreu uma flor.
Sem o néctar vaga o beija-flor,
para longe do meu quintal.
No varal apenas solidão.

Se não bastasse a ausência sentida,
vêm estas lembranças amorosas,
contidas em pequenos saquês,
dispostos junto da parede.
Ali amarelou a sua foto,
corroída pelo tempo.

Ainda sonha na esperança,
que alimente o sofrido coração,
que nunca entendeu o abandono.
Com as mãos juntas suplica ao céu,
com uma poesia em feitio de oração.
Uma lágrima cobre o rosto como um véu.

Apenas uma inspiração.
 Toninho.
22/01/2014.