Sexta-feira da Paixão.
Não
menino!
Os
dias não eram assim!
Naquele
outono inverno neste dia santo, o céu se cobria de um manto escuro e o Sol
fugia para outras paragens. Os dias eram tristes, um roxo cobria as imagens dos
santos, que tanto me encantavam na perfeição. Era a Semana das Dores.
De
manhã era só um cafezinho, o jejum obrigatório até a ceia do almoço. Brincar
era proibido. Orações preenchiam o dia. Na vitrola um disco contava a
trajetória do menino Deus com vida, sofrimento e morte entre dois ladrões. O
menino sofria contrito incorporava a história ouvindo as chibatadas dos
soldados.
A
gente pobre da vila operária tinha mesa farta de iguarias neste dia. O
bacalhau, era coisa de pobre e estava presente nas panelas de ferro e de
pedra. Havia a tradição da goiabada com
queijo, farinha de amendoins, doce de batata doce. O fim do jejum era após uma
oração de agradecimento, que o pai rezava numa cabeceira da mesa.
Os
dias eram assim mesmo, fúnebres e chuvosos quase sempre. Mas havia a de ouvir o
disco, quando os discípulos em visita ao túmulo, não encontram Cristo e saem
gritando, que Jesus ressuscitara e voltara aos braços do Pai. A gente sentia a
felicidade e automaticamente fazia o sinal da cruz.
É,
os dias não eram assim com este sol incandescente, que vem dourando tudo como
uma bola de fogo desprendida do inferno.
Não,
não eram assim.
Toninho
29/03/2024.
Grato pela leitura
Inspiração ao amanhecer desta Sexta-feira 29/03
e
ver lindo Sol e as pessoas indo para a praia.
