Quem são estas mulheres?
Quem são estas mulheres que vivem de amargura?
Caladas nas noites escuras vestem uma armadura.
Espremem-se e não se rendem dos sonhos da felicidade.
Quem são estas mulheres?
Que sentem e falam de vidas sofridas, de solidão.
Filhas da ditadura milenar, que torturam noite e dia,
pensam nas flores se matam nas manhãs na eterna busca,
da felicidade que lhes dêem o mínimo de dignidade.
Quem são estas mulheres?
Mulheres Zuzus, que angelizam nas madrugadas tristes,
esperança tardia, vidas revestidas de fantasias a cada manhã,
zumbis pelo mundo, mortas de cansaço, apenas sonham.
E ainda ouvem canto de pássaros em festa matinal
Quem são estas mulheres?
Como mulheres de Atenas, já não esperam seus guerreiros,
que se tornaram algozes de suas vontades e ansiedades.
Soluçam num canto de angustia pelos seus amores,
que lhes negaram vidas. Apenas pedras, feridas sangram.
Quem são estas mulheres?
São Joanas, Quitérias, Penhas, grávidas desejos abortados,
são as mulheres que o sangue persegue e o mundo se cala.
São Marias e pensam na Penha que lhes dê vida e paz.
Quem são estas mulheres?
Queria entender como podem viver sob esta tortura.
Mulheres que fazem da vida um ninho de ternura.
Que apenas sabem conjugar o verbo amar e sonhar.
Ah, eu só queria acordar e não ver mais este pavor.
Mirem-se nestas mulheres que elas gritam e morrem.
Toninhobira
Este texto vai completar dois anos, mas diante das
queixas sobre a violencia contra mulheres e com mais
este caso horrivel em Minas Gerais ele fica tão atual.
Precisa de um basta para esta coisa.
Penha tenha pena,mas proteja.





