segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Serra de Catas Altas em perigo.



A gente não entende até onde vai a fúria da mineração.
Uma empresa de mineração de nome Maybach vem causando um transtorno na vida dos moradores da pequena localidade de Catas Altas entre Santa Barbara e Mariana. A Maybach esta fazendo sondagens no sentido de explorar minerais nas serra que compõem o complexo histórico turístico de Caraças, mais precisamente na área das nascentes do rio Maquiné. Onde ainda se mantém o famoso convento do Caraça com seus capuchinhos e padres da Arquidiocese de Mariana. Serras não renascem, serras não gritam por socorro, mas a mãe natureza dá resposta terrível em forma de catástrofe à comunidade.

A serra é cartão postal daquela região tendo como ilustração velhos casarões conservados em seu sopé mantendo a histórica imagem. Ameaça terrível às nascentes dos rios e às cachoeiras do lugar. Temo pela exuberante fauna e flora, que meus olhos tanto se encantaram nas visitas.


Governo de Minas, onde anda sua autoridade e cultura? Como não intervir rapidamente, no sentido de frear estes loucos por minérios de ferro e outros minerais. Não basta o que se fez com a Serra do Curral no alto da Belo Horizonte? Vejam autoridades o visual daquela serra pelada agredindo os olhos, onde verde se via hoje uma mancha de cor avermelhada, com poeira espalhando pela cidade, tingindo o céu anil de Belo Horizonte, até não mais poder ver o belo horizonte. Até quando vamos assistir esta desenfreada corrida pelos minerais desta terra, sem nenhum critério?

A população se manifesta atos e protestos enquanto as autoridades apenas se dizem incapazes de veto, alegando que fará uma rígida fiscalização, como se isto realmente ocorresse contra estas grandes empresas de mineração. Não autoridades, o povo não lhes colocou no trono para esta apatia, este cumprimento cego das vontades dos poderosos.

Fico a imaginar o stress, o medo da família do Lobo Guará com as sucessivas explosões de dinamite na extração das jazidas. Com certeza sairão na busca desenfreada por lugar tranquilo e temo que não mais exista este lugar pela região, depois da fúria da Vale. Será que vale autoridades estes repasses em impostos como esmolas, ou mesmo um pagamento por algo errado que praticam? Amanhã quando não se vê serras, lobos, água, cachoeiras será que os royalties poderão recompor esse estrago?

Meu grito ao povo no sentido de acompanhar todo o processo, pois nossas serras não renascerão, nem os lobos preservados serão a sua atração daquele mosteiro incrustado entre serras. Hoje quando olho para as serras que os meus olhos tanto namoraram, que meus olhos nunca alcançaram o topo, sinto uma angustia danada de saber que o homem, não tem mais limites para com a natureza. Que o capital não pensa um mundo melhor no futuro. O progresso que eles pregam para a região é mesmo o fio da navalha, o abismo.

Povo simples, humilde, povo pobre que sonha com vida material melhor, que é enganado em sua simplicidade apenas para atender o capital. Eu penso, eu sofro, será que o capital vence mais esta maquiavélica batalha? Assim meu lobo Guará, o melhor a fazer é juntar todas suas tralhas e fugir, quem sabe para o Pico do Itambé, antes que do seu coro façam tapetes para expor em uma sala de uma empresa que representou seu fim. Oh, Minas Tão Gerais!


Reedição
Inspirado em relatos no jornal "uai on line" (Estado de Minas em 09/08/2010) sobre pedido de licença para exploração de minerais na região.

Toninhobira
10/08/2010.

Volta no tempo.em tempo

"Só quando a última árvore for derrubada, o último peixe for morto e o último rio for poluído é que o homem perceberá que não pode comer dinheiro." (Provérbio Indígena).

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Explico a reedição

Era o ano de 2010, precisamente 18 de Agosto, eu iniciava pela blogosfera, quando soube de um trabalho de pesquisa sondagem do subsolo em busca de minério de ferro e outros materiais, talvez o próprio ouro, na região de Mariana-MG. Como conhecia muito bem a região com sua reserva florestal, do patrimônio histórico e do habitat natural do lobo Guará (em extinção) protegido pela empresa CEMIG. 

O Governo mineiro fechou os olhos para o que todos temiam, ou seja, a exploração desenfreada das serras, como é comum das mineradoras. Nos anos subsequentes nas visitas à minha cidade natal Itabira-MG, ouvia noticias da exploração e expansão da mineração na região por meio de vários parentes alegres pelo trabalho na área da Vale do Rio Doce. Soube dos transtornos nas pequenas cidades e vilarejos da região. Devido circulação de caminhões pesados, causando danos às estruturas das construções antigas. Igrejas, casarões tiveram de ser escorados e recuperados. A boazinha da empresa fazia os serviços e doações em melhorias na região como a justificar sua presença no progresso da região. Mas o pior estava por vir como uma bomba relógio.

Lamentavelmente o pior aconteceu e o meu medo foi bem pior que os danos à natureza e historia. Agora choramos as vitimas a destruição de uma região no maior desastre ecológico conhecido em Minas Gerais. Um mar de lama partindo de Minas em direção ao mar do Espirito Santos e no seu caminho vai causando estragos irreparáveis por muitos anos aos rios, fauna e flora. É de doer, ver o povo expulso pela irresponsabilidade e perdendo tudo em material e historias, pois não tiveram de tempo de recuperar nada, apenas se livrar da morte, os que tiveram sorte.






Tragedia anunciada.

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Uma boa semana a todos.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Encontro marcado.



Minha participação na BC_ Botando a cabeça para funcionar Nº 25 que a Chica nos desafia com uma imagem para livre inspiração sempre nos dias 5, 15 e 25 de cada mês. Para ver outras inspirações visite aqui: chicabrincadepoesia. Agora a imagem do dia e minha leitura.


Aquilo já era um ritual de alguns anos na vida de Iracema, sentar-se numa cadeira trançada e ficar a olhar o jardim. Ali lhe era servido o chá. Permanecia absorta em pensamentos ao som de canto de pássaros no cair da tarde. Somente se retirava próximo à hora da Ave Maria para junto de um pequeno altar, onde fazia suas orações. Desde que Artur seu companheiro havia partido deste mundo. Desde então perdera seu entusiasmo e brilho. Mas estar no jardim, lhe devolvia um ar sereno, às vezes brotava um leve sorriso no canto da boca, sempre quando carinhosamente acariciava as flores do jarro posto sobre a mesa. Parecia que em transe acariciava a cabeleira branca do Artur.

Numa manhã de Setembro estava na janela do quarto, como sempre fazia ao acordar, olhar o jardim. Pela janela entrava a brisa fresca, vinda do rio que descia solto, bem como amava ouvir a sinfonia da passarada na laranjeira. Sua empregada de longos anos colhia hortaliças para o almoço. Ela percebeu que Iracema, acenava as mãos na direção do pomar. Não viu ninguém na direção. Curiosa ficou a observa-la, que após um aceno recuou da janela. Aproximou-se da janela e a chamou, para saber se ela estava bem. Iracema veio à janela com um sorriso e disse que Artur a estava esperando para passear. Então se deslizou sobre a cama e recostou-se com um olhar perdido até se fechar para sempre na imagem de Artur.

Agora todas as tardes durante a Primavera, a empregada com consentimento das duas filhas coloca a cadeira no jardim junto da mesinha de Chá e sobre esta o mesmo jarro com as flores que ela mais gostava, permanece ali silenciosamente em oração. É sua foram de manter vivas as lembranças de sua amiga. Assim elas têm um encontro marcado todos os fins de tarde, antes que ao longe o sino da capelinha anuncie a hora da Ave Maria.


Toninho
Novembro/2015

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Numa semana curta desejo a vocês eu bom fim de semana com paz e alegria.






sábado, 31 de outubro de 2015

Lá vem saudade!


Lá vem saudade!











Vem uma saudade desvairada,
assim como a rajada de vento,
às vezes entra pela madrugada,
arrasta as horas contra o tempo.

Quisera saber definir este vazio,
que tanto devora minha mente,
sinto na carne da navalha o fio,
que sangra e dilacera friamente.

Esta saudade vem como um lobo,
que faminto desconhece os medos,
seus olhos acesos pulam do globo,
saudades desvendam os segredos.

Para a saudade não há cirurgia,
que faça suavizar toda esta dor,   
vem impiedosa e sem anestesia,
quando se vive um grande amor.

Toninho
Outubro/2015

Tô aqui com outras inspirações: toninhobira.blogspot
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Um bom feriadão para vocês.



sábado, 24 de outubro de 2015

O menino das estrelas.



O menino das estrelas.

Quando o Sol se punha no infinito,
via sempre a imagem do menino,
com varinha de condão num rito,
era a hora de arrebanhar estrelas.

Na sua veste azul com toda graça,
calçado com suas Botas reluzentes,
no seu Pégaso com linda couraça,
galopar atrás de estrelas ausentes.

Lindas suas manobras iluminadas,
Deixando longo rastro multicolor,
Com várias figurinhas encantadas,
Para delírio do jovem observador.

Mas naquela noite era Lua cheia,
não vi a figura do pastor menino,
apenas as figuras soltas e luzidias,
que luziam difusas num desatino.

De repente vi um brilho no azul,
como uma estrela cadente a cair,
que fez rodopiar Cruzeiro do Sul
sobre ela o pastorzinho a sorrir,

Naquela noite enamorou-se a Lua,
por um satélite que se desgarrara,
da companhia da estrela ingênua,
então luziu no céu a estrela Dalva.

Toninho
Outubro/2015
Meu outro blog
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Bom domingo a todos e que a semana seja maravilhosa.




segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Quando a cidade amanhece.




Nada visualizo além do véu cinza.
  Luzes difusas atrações de mariposas,
bem longe a vista alcança a igreja,
aonde repousa a minha fé religiosa.

Da serra a cidade é uma brancura,
os olhos buscam pontos a desvendar,
que na lembrança é uma aventura,
que numa poesia busco reinventar.

Os caminhos da cidade onde cresci,
nos olhos agora a emoção ardente,
emoções que me vêm num frenesi,
surge um menino coração valente.

Seu dedo em riste o infinito aponta,
o ponto reluzente é a desconfiança,
a pedra que brilha jaz sem a ponta,
agora uma serra nua é lembrança.

Amanheceu a cidade sob a neblina,
sinto todo o meu corpo a congelar,
da minha janela vejo como cortina,
sobre lembranças que vêm açoitar.

Toninho.
Junho/2015
Minas Gerais.

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Uma semana maravilhosa para todos.