Bala perdida encontrada.
Ou uma bala no peito da sociedade.
Como que o senhor está se sentindo diante deste fato?
Foi a pergunta de um repórter ao pai do menino de 11 anos atingido por um balaço no peito em Costa Barros no subúrbio do Rio de Janeiro, durante confronto com a Policia Militar e supostos traficantes nas favelas da Quitanda e da Pedreira, zona norte da cidade maravilhosa.
- O que eu posso sentir?
- Meu filho será apenas mais um número na estatística de balas perdidas, na cidade do Rio de Janeiro e ninguém faz nada senhor, meu filho está morto.
Mais uma vitima da disputa de poder entre o trafico e a policia carioca, uma criança em sala de escola (CIEP), em plena aula de matemática, é alvejada com uma bala de fuzil, enquanto seu colega de 10 anos escondido debaixo da mesa da professora assiste a tudo com olhos que querem sair de órbita. Apenas uma bala, que tanto pode ser da policia como dos bandidos, porque a armas de uso exclusivo hoje estão tanto nas mãos da policia como no exercito do trafico naquela cidade como em outras.
A dor do pai diante daquela cena está se tornando um caso comum, como se estivéssemos aceitando como natural. Na reportagem a visível indignação daquele pai, que não derramava uma lagrima, talvez porque ainda não lhe tenha “caído a ficha”, como se diz no popular. O que certamente serão vistas, quando no ato de enterrar seu filho com apenas 11 anos.
Como confortar aquela mãe? Quando pela manha se dirigir ao quarto para acordar o filho para ir à escola? Como será a vida desta mãe acariciando cada coisa deste filho, como única maneira de ainda senti-lo? Imagine a dor desta mãe juntando as últimas lembranças materiais do filho amado, para doar a alguma criança pobre da área. É muita dor.
Chico Buarque numa canção de nome * Pedaço de mim, escreve que a saudade é o pior tormento, é pior do que esquecimento é pior do que se entrevar, mas adiante no ápice de sua definição da saudade, ele afirma que a saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu. Assim com esta canção pode-se explicar o que será a vida desta família.
E são muitos os casos, que já se contabilizam números anuais, comparações com anos anteriores, o que deveria ser uma coisa esporadicamente acidental, vai se tornando caso comum de rua, onde as balas passeiam livremente entre as pessoas como as moscas. Balas que ceifam vidas nos morros, como também nos imponentes edifícios com suas coberturas alvo fáceis às tais balas que se perdem. Que fazer? Onde se sentir seguro das balas esquizofrênicas, Alzheimerzadas (inventei, rsrs) que tanto saem das armas policiais como nas bandidas, nos deixando reféns das ações estabanadas e ou desastradas desta guerra. Sente-se que estamos numa verdadeira guerra, com o diferencial que recebe ataque de dois lados.
Em alguns casos destes confrontos, que são filmados pode-se perceber o desespero da população, na insegurança instalada, lembrando muito o dito popular de frango atirado em cisterna, por outro lado perceber da policia o mesmo desatino do crioulo doido, sem saber por onde começar.
Hoje num cemitério de Irajá num clima de revolta e tristeza, queima de pneus em vias publica o corpo de mais uma vitima das balas perdidas, desce a terra sob olhares lacrimejantes daquela comunidade, com os pais amparados por familiares e amigos.
Cristo Redentor que a tudo assiste, olhai por este povo, fazei com que cessem estas balas ou lhes ensinem o caminho das pedras.
• “Oh, pedaço de mim/Oh, metade arrancada de mim/Leva o vulto teu/Que a saudade é o revés de um parto/A saudade é arrumar o quarto/Do filho que já morreu.” Pedaço de Mim-Chico Buarque de Holanda (1977-78)
Toninhobira
17/07/2010
sábado, 17 de julho de 2010
Bala perdida
Marcadores:
cronica de Toninhobira Bala perdida
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Rosa Gotejante
Rosa gotejante
Uma linda rosa na chuva sozinha
Sedosa, exala perfume garbosa
Pétalas finas, rosa na tardezinha
Nela uma gota de chuva teimosa
A gota ali parada se embala
Da brisa recusa permanece presa
Sente a maciez daquela pétala
Sedosa Seduz na sua delicadeza
Naquela desnuda roseira sozinha
Sem folhas, ausente o verde manto
A roseira se esquece da ação daninha
Formiga encantada devoradora
Naquela marcha de desencanto
Livra a rosa da ação picotadora.
Inspirado seduzido na foto de uma rosa no quintal da minha tia (Itabira-MG-março/2010)
Toninhobira
15/07/2010
Uma linda rosa na chuva sozinha
Sedosa, exala perfume garbosa
Pétalas finas, rosa na tardezinha
Nela uma gota de chuva teimosa
A gota ali parada se embala
Da brisa recusa permanece presa
Sente a maciez daquela pétala
Sedosa Seduz na sua delicadeza
Naquela desnuda roseira sozinha
Sem folhas, ausente o verde manto
A roseira se esquece da ação daninha
Formiga encantada devoradora
Naquela marcha de desencanto
Livra a rosa da ação picotadora.
Inspirado seduzido na foto de uma rosa no quintal da minha tia (Itabira-MG-março/2010)
Toninhobira
15/07/2010
Marcadores:
Poesia de Toninho Rosa Gotejante
terça-feira, 13 de julho de 2010
Homem debaixo da pia
O homem debaixo da pia.
(imagem Google- Ouro Preto-Igreja das Merces-MG)
*Sozinho debaixo da pia/santo homem se cura/Do delito da sacristia/Sua alma se apura.
Naquele dia Tom acordou cantando suas musicas apaixonadas. Quase não tomara seu café, apenas sorriu para sua mulher, pernas no mundo e sumiu. Às vezes tinha estes repentes, que bicho homem acomete, quando em vez. O velho cão no terreiro apenas o seguiu até o portão e se assustou, quando este bateu forte. Não estava bravo, nem triste apenas cantarolava,voava e assobiava suas musicas. E assim seu vulto magrelo sumiu naquela rua de pedras de casas semelhantes.
Tom passou pelos bares e não se quedou a primeira do dia, nem aos convites saídos do bar. Seguia resoluto na sua caminhada para lugar nenhum entre ruas e ladeiras. Parou em frente à igreja se benzeu com o nome do pai, olhou para cima como se buscasse ver as mãos de Deus, mas apenas o sol forte a lhe queimar as vistas, agora protegidas pelas mãos. Não viu aquele tradicional cego com seu pandeiro a esmolar, nem o velho barrigudo padre que sempre pela manha ficava observando a passagem dos fieis.
Deu a volta pelo lado da igreja, no sentido da casa de moradia do padre, silenciosamente foi entrando,quando o gato o encarou como lhe condenando,maldito gato pensou Tom, mas seguiu sob os olhos verdes daquele felino. Simulou bater palmas anunciando a chegada, mas ao ouvir sons vindos da igreja, mudou seu trajeto no sentido desta, quando percebeu, que uma mulher trajando preto e véu saía meio assustada da sacristia. Imaginou milhares de coisas que a cabeça humana e de homem possa imaginar sobre os padres, mas aos olhos de tanto santos naquele lugar, deu uma engolida seca e foi entrando.
Ao chegar sentiu um cheiro forte de álcool espalhado pelo ar, andando pouco mais observou caídas umas garrafas rotuladas vinho do padre. Sem entender ao certo pensou, que poderia ter havido algum tipo de roubo, mas aquela mulher apenas saiu apressada não carregava nada, apenas o véu a lhe cobrir parte do rosto. Não vendo movimentos de pessoas passou a verificar o lugar, quando se viu na sacristia. Circulou, olhou e não vendo nada, preparava para sair, quando ouviu uma espécie de ronco. Voltou-se como identificar de onde saía tal coisa.
Chamou pelo nome do padre e do sacristão e não obteve respostas. Homem macho, bravo não se intimidou. Quando se preparava para sair, encontrou o padre, que vinha com cestas de verduras frescas doadas por algum fiel, correu a seu encontro, fez suas reverencias e logo disse que algo estranho havia acontecido na sacristia, que exalava cheiro de álcool e tinha uma garrafa caída no chão, mas não falou da figura da mulher.
Rapidamente os dois se dirigiram para o local, quando novamente o som do ronco se ouviu, Tom tremeu como vara verde e deu uma parada como carro freado bruscamente, mas o padre seguro no crucifixo, logo gritou bravamente, que se fosse o demo, que se afastasse em nome do Pai. Mas sem resposta ou outro tipo de repulsa, circularam pela sacristia,quando percebeu, que debaixo da pia estava o sacristão a dormir como uma criança, ao seu lado uma garrafa do vinho. Tom balançou a cabeça em sinal de incredulidade,pensou naquela mulher e nada disse, pediu bênçãos ao padre e seguiu sua caminhada assobiando a canção "Cachaça Mecanica" do Erasmo Carlos, como se nada houvera acontecido.
Quem era a mulher?
Ninguém sabia ninguém viu apenas o Tom teve a infeliz idéia de segredar a uma Candinha da cidade. O que se sabe naquela cidade das Minas tão Gerais, que depois deste fato o sacristão fora internado numa clinica em Barbacena, mas a candinha da cidade espalhou que a mulher era uma loira solteirona, que havia morrido há muito tempo apaixonada pelo sacristão, que naquele dia teria vindo e o seduziu e tomaram todo o estoque do vinho da igreja.
*Inspirado nesta interação de trova postada no Recanto das Letras (Código de texto T2312300) pelo magnífico Roberto Rego, na qual fiz a interação referida.
Toninhobira
12/07/2010
(imagem Google- Ouro Preto-Igreja das Merces-MG)
*Sozinho debaixo da pia/santo homem se cura/Do delito da sacristia/Sua alma se apura.
Naquele dia Tom acordou cantando suas musicas apaixonadas. Quase não tomara seu café, apenas sorriu para sua mulher, pernas no mundo e sumiu. Às vezes tinha estes repentes, que bicho homem acomete, quando em vez. O velho cão no terreiro apenas o seguiu até o portão e se assustou, quando este bateu forte. Não estava bravo, nem triste apenas cantarolava,voava e assobiava suas musicas. E assim seu vulto magrelo sumiu naquela rua de pedras de casas semelhantes.
Tom passou pelos bares e não se quedou a primeira do dia, nem aos convites saídos do bar. Seguia resoluto na sua caminhada para lugar nenhum entre ruas e ladeiras. Parou em frente à igreja se benzeu com o nome do pai, olhou para cima como se buscasse ver as mãos de Deus, mas apenas o sol forte a lhe queimar as vistas, agora protegidas pelas mãos. Não viu aquele tradicional cego com seu pandeiro a esmolar, nem o velho barrigudo padre que sempre pela manha ficava observando a passagem dos fieis.
Deu a volta pelo lado da igreja, no sentido da casa de moradia do padre, silenciosamente foi entrando,quando o gato o encarou como lhe condenando,maldito gato pensou Tom, mas seguiu sob os olhos verdes daquele felino. Simulou bater palmas anunciando a chegada, mas ao ouvir sons vindos da igreja, mudou seu trajeto no sentido desta, quando percebeu, que uma mulher trajando preto e véu saía meio assustada da sacristia. Imaginou milhares de coisas que a cabeça humana e de homem possa imaginar sobre os padres, mas aos olhos de tanto santos naquele lugar, deu uma engolida seca e foi entrando.
Ao chegar sentiu um cheiro forte de álcool espalhado pelo ar, andando pouco mais observou caídas umas garrafas rotuladas vinho do padre. Sem entender ao certo pensou, que poderia ter havido algum tipo de roubo, mas aquela mulher apenas saiu apressada não carregava nada, apenas o véu a lhe cobrir parte do rosto. Não vendo movimentos de pessoas passou a verificar o lugar, quando se viu na sacristia. Circulou, olhou e não vendo nada, preparava para sair, quando ouviu uma espécie de ronco. Voltou-se como identificar de onde saía tal coisa.
Chamou pelo nome do padre e do sacristão e não obteve respostas. Homem macho, bravo não se intimidou. Quando se preparava para sair, encontrou o padre, que vinha com cestas de verduras frescas doadas por algum fiel, correu a seu encontro, fez suas reverencias e logo disse que algo estranho havia acontecido na sacristia, que exalava cheiro de álcool e tinha uma garrafa caída no chão, mas não falou da figura da mulher.
Rapidamente os dois se dirigiram para o local, quando novamente o som do ronco se ouviu, Tom tremeu como vara verde e deu uma parada como carro freado bruscamente, mas o padre seguro no crucifixo, logo gritou bravamente, que se fosse o demo, que se afastasse em nome do Pai. Mas sem resposta ou outro tipo de repulsa, circularam pela sacristia,quando percebeu, que debaixo da pia estava o sacristão a dormir como uma criança, ao seu lado uma garrafa do vinho. Tom balançou a cabeça em sinal de incredulidade,pensou naquela mulher e nada disse, pediu bênçãos ao padre e seguiu sua caminhada assobiando a canção "Cachaça Mecanica" do Erasmo Carlos, como se nada houvera acontecido.
Quem era a mulher?
Ninguém sabia ninguém viu apenas o Tom teve a infeliz idéia de segredar a uma Candinha da cidade. O que se sabe naquela cidade das Minas tão Gerais, que depois deste fato o sacristão fora internado numa clinica em Barbacena, mas a candinha da cidade espalhou que a mulher era uma loira solteirona, que havia morrido há muito tempo apaixonada pelo sacristão, que naquele dia teria vindo e o seduziu e tomaram todo o estoque do vinho da igreja.
*Inspirado nesta interação de trova postada no Recanto das Letras (Código de texto T2312300) pelo magnífico Roberto Rego, na qual fiz a interação referida.
Toninhobira
12/07/2010
Marcadores:
cronica de Toninhobira Homem debaixo da pia
domingo, 11 de julho de 2010
De minha janela
Da janela num dia comum.
(imagem do Google-Anahisantos)
Era um dia comum destes tantos que nos acontecem por esta vida. Dia em que pessoas comuns perambulam sem saber a que vão ou onde, apenas andam. Uma leve chuvinha umedecia os jardins depois de uma estiada longa de verão. Neste dia comum assim de minha janela me permiti levar pela observação. Observa-se tudo, pássaros urbanos, pessoas, coisas, maquinas, bailar de arvores e maquinas em movimentos. As pessoas caminham cuidadosas, escorregões são possíveis, não convém cair num dia desses, cuida-se, olha, observa o melhor trajeto, cuidado com as bocas de lobo, pois pode ser fatal.
O vento fazia trajetória sentido sul, carregando folhas, papeis e tudo que podia voar. Sacolas plásticas de supermercado às vezes subiam como se fossem pipas, mostrando a falta de educação no destino de lixo de gente que vive emporcalhando as grandes cidades, outros se alojavam nas grades de escoamento das águas pluviais impedindo o curso normal das águas, criando pequenas lagoas, que logo seriam imensas. Criando uma enorme e triste indignação em ver e sentir o comportamento dos humanos para com seu meio.
Mais distante um pouco, o mesmo vento causava horrores às mulheres, numa insistência tarada de lhes arrebatar os vestidos. Uma luta se observava daquela mulher segurando sua sombrinha, que protegia da chuva, naquele instante tomadas de decisões eram precisas imediatas, como segurar a sacola de compras, a sobrinha que insistia em voar bem como o vestido que cismava em subir corpo acima. Uma luta desigual enfrentava aquela mulher. Na esquina os motoristas de Taxi, observavam e sonhavam com a vitoria do vento sobre aquele vestido. Sonhos e fantasias de um dia comum. E a mulher rodava como regravando Cantando na Chuva, luta desigual, situações inusitadas de um dia de vento e chuva na cidade.
Era sim um dia comum, onde pessoas comuns fazem coisas comuns.
Por muito tempo assim fiquei, na minha base de observação, abrigado da chuva e do vento.
Era um rei absoluto na minha posição, onde tirava do dia as mais estranhas emoções e reações da vida humana. A vida às vezes nos proporciona momentos assim, de pura inatividade, de ociosidade e ficamos a observar o movimento do mundo.
Foi então que percebi, que de tanto observar, acabei sendo observado.
Assim diria o grande poeta Drummond: “Eta vida besta!
Toninhobira
11/07/2010
(imagem do Google-Anahisantos)
Era um dia comum destes tantos que nos acontecem por esta vida. Dia em que pessoas comuns perambulam sem saber a que vão ou onde, apenas andam. Uma leve chuvinha umedecia os jardins depois de uma estiada longa de verão. Neste dia comum assim de minha janela me permiti levar pela observação. Observa-se tudo, pássaros urbanos, pessoas, coisas, maquinas, bailar de arvores e maquinas em movimentos. As pessoas caminham cuidadosas, escorregões são possíveis, não convém cair num dia desses, cuida-se, olha, observa o melhor trajeto, cuidado com as bocas de lobo, pois pode ser fatal.
O vento fazia trajetória sentido sul, carregando folhas, papeis e tudo que podia voar. Sacolas plásticas de supermercado às vezes subiam como se fossem pipas, mostrando a falta de educação no destino de lixo de gente que vive emporcalhando as grandes cidades, outros se alojavam nas grades de escoamento das águas pluviais impedindo o curso normal das águas, criando pequenas lagoas, que logo seriam imensas. Criando uma enorme e triste indignação em ver e sentir o comportamento dos humanos para com seu meio.
Mais distante um pouco, o mesmo vento causava horrores às mulheres, numa insistência tarada de lhes arrebatar os vestidos. Uma luta se observava daquela mulher segurando sua sombrinha, que protegia da chuva, naquele instante tomadas de decisões eram precisas imediatas, como segurar a sacola de compras, a sobrinha que insistia em voar bem como o vestido que cismava em subir corpo acima. Uma luta desigual enfrentava aquela mulher. Na esquina os motoristas de Taxi, observavam e sonhavam com a vitoria do vento sobre aquele vestido. Sonhos e fantasias de um dia comum. E a mulher rodava como regravando Cantando na Chuva, luta desigual, situações inusitadas de um dia de vento e chuva na cidade.
Era sim um dia comum, onde pessoas comuns fazem coisas comuns.
Por muito tempo assim fiquei, na minha base de observação, abrigado da chuva e do vento.
Era um rei absoluto na minha posição, onde tirava do dia as mais estranhas emoções e reações da vida humana. A vida às vezes nos proporciona momentos assim, de pura inatividade, de ociosidade e ficamos a observar o movimento do mundo.
Foi então que percebi, que de tanto observar, acabei sendo observado.
Assim diria o grande poeta Drummond: “Eta vida besta!
Toninhobira
11/07/2010
Marcadores:
cronica de Toninhobira De minha janela
sexta-feira, 9 de julho de 2010
Covardia perdeu o juizo
Quando Covardia perde o juízo.
Naquele dia Covardia estava desesperada convidou Ansiedade para passear e assim conhecer sua família e suas coisas lá nas Minas Gerais. Covardia convidou seus colegas, Inocência, Arrogância e Ignorância e saíram com Ansiedade pelos caminhos tortuosos que levam até Minas.
Fizeram uma linda viagem entre Rio e Minas, mas chegando a Minas Covardia estava um pouco alterada e começou a bater em Ansiedade, que desesperada chamava por Paciência e Clemência, mas estas não estavam por perto daquela chácara linda. Ansiedade sentia suas forças falharem. Foi quando apareceu mais um amigo de Covardia a tal de Violência que logo chegando, entrou na briga, mas não ajudou Ansiedade e também começo a maltratá-la impiedosamente. Inocência vendo aquela triste cena se retirou juntamente com Covardia, Arrogância e Ignorância, deixando sozinha a Ansiedade com Violência, que cada vez mais maltratava a pobrezinha ansiosa.
Covardia saiu de mansinho, pegou seu carro e sumiu levando consigo Inocência, mas deixando para trás a Arrogância e Ignorância.
Dias se passaram e não mais se ouviu falar de Ansiedade pelas bandas da cidade do Rio. Algumas pessoas disseram que a viram vagando por um campo da cidade, mas por mais que se procurou nunca mais encontraram, outros afirmavam que ela estava numa casa de campo em Minas passeando com seu filho Esperança, que afirmava ser filho de Covardia.
Um dia Inocência pensando naquela viagem e sentindo um vazio a lhe corroer a alma, saiu gritando, que Ansiedade estava sofrendo e que poderia não mais resistir às forças e fúria de Violência, assim poderia morrer ou já estaria morta, após abandonada por Covardia.
Inocência tanto gritou que seu grito chegou aos ouvidos de Justiça, que estava passeando lerdamente pelas praias da cidade maravilhosa, ao ouvir aquele grito, Justiça saiu em socorro de Inocência, que desesperada contou a sua historia daquela maldita viagem para Minas, juntamente com Ansiedade e outras figuras do submundo humano.
Foi então que se formou uma verdadeira batalha no sentido de proteger Ansiedade, procuraram por todos os lamaçais de Minas, e nada de sucessos, mas Inocência insistia que Ansiedade estaria por estas terras, ou mesmo entre estas terras.
Justiça apesar de lerda, mas incansável, se embrenhou pelas florestas e lagoas, se lançou em rios e nem um grito de Ansiedade, apenas ainda se ouvia o lamento de Inocência. Com bela dedicação de Justiça pela busca rapidamente Violência soube e assim fugiu para a mata com seus cães ferozes. Soube que Ignorância e Arrogância tinham voltados para o Rio e sentindo sozinhas apavoradas, procuraram por Covardia. Esta quis saber se Ansiedade ainda andava por Minas, mas Violência laconicamente disse que Ansiedade tinha se acabado e por isso estaria enterrada para sempre, que não mais poderia exigir suas certezas e seguranças para Esperança. Mas que Esperança continuava viva por lá.
O fato causou certo alivio a Covardia, mas ao mesmo tempo franziu sua larga testa e por um leve tempo sorriu aliviado, mas seu sorriso tinha um ar de arrependimento da longa viagem com Ansiedade. Mas ainda assim manteve sua postura de bom mocinho mau. Ela ate saiu pelas ruas procurando por Ansiedade, colocando anúncios em jornais e emissoras de radio e televisão.
Num acesso de culpa, um parente próximo de Inocência percebeu um comportamento diferente desta e após longa conversa pode saber da angustia de Inocência. Logo procurou a dona Justiça para relatar da historia da viagem de Ansiedade com Covardia e seus colegas Arrogância, Ignorância e do encontro macabro com Violência em Minas.
Assim toda historia do desaparecimento de Ansiedade passou a ser internacional, causando comoção aos mais duros seres humano. Dona Curiosidade estava em desespero, corria de um lado para outro e não conseguia obter informações.
Justiça numa ação rápida reuniu Covardia, Ignorância, Arrogância e Violência e colocados numa sala, para que juntos de Inocência fossem colocados a prova da verdadeira historia da viagem de Ansiedade com Covardia e assim descobrir o real paradeiro.
Assim que dona Culpa soube entrou em pânico e chorou uma lagrima comprida, sofrida que inundou toda Minas Gerais e se espalhou pelo Brasil num rio de lagrimas e sangue.
Mais tarde Ministério de Justiça advertiu que Ansiedade cheia de esperança, pode causar malefício e inclusive levando a morte.
E a violência aflora, meu coração apenas chora!
Com A se escreve amor e arma.
Com B se escreve bola e bala
Com C se escreve casa e cela (Fagner)
Toninhobira
07/07/2010
Naquele dia Covardia estava desesperada convidou Ansiedade para passear e assim conhecer sua família e suas coisas lá nas Minas Gerais. Covardia convidou seus colegas, Inocência, Arrogância e Ignorância e saíram com Ansiedade pelos caminhos tortuosos que levam até Minas.
Fizeram uma linda viagem entre Rio e Minas, mas chegando a Minas Covardia estava um pouco alterada e começou a bater em Ansiedade, que desesperada chamava por Paciência e Clemência, mas estas não estavam por perto daquela chácara linda. Ansiedade sentia suas forças falharem. Foi quando apareceu mais um amigo de Covardia a tal de Violência que logo chegando, entrou na briga, mas não ajudou Ansiedade e também começo a maltratá-la impiedosamente. Inocência vendo aquela triste cena se retirou juntamente com Covardia, Arrogância e Ignorância, deixando sozinha a Ansiedade com Violência, que cada vez mais maltratava a pobrezinha ansiosa.
Covardia saiu de mansinho, pegou seu carro e sumiu levando consigo Inocência, mas deixando para trás a Arrogância e Ignorância.
Dias se passaram e não mais se ouviu falar de Ansiedade pelas bandas da cidade do Rio. Algumas pessoas disseram que a viram vagando por um campo da cidade, mas por mais que se procurou nunca mais encontraram, outros afirmavam que ela estava numa casa de campo em Minas passeando com seu filho Esperança, que afirmava ser filho de Covardia.
Um dia Inocência pensando naquela viagem e sentindo um vazio a lhe corroer a alma, saiu gritando, que Ansiedade estava sofrendo e que poderia não mais resistir às forças e fúria de Violência, assim poderia morrer ou já estaria morta, após abandonada por Covardia.
Inocência tanto gritou que seu grito chegou aos ouvidos de Justiça, que estava passeando lerdamente pelas praias da cidade maravilhosa, ao ouvir aquele grito, Justiça saiu em socorro de Inocência, que desesperada contou a sua historia daquela maldita viagem para Minas, juntamente com Ansiedade e outras figuras do submundo humano.
Foi então que se formou uma verdadeira batalha no sentido de proteger Ansiedade, procuraram por todos os lamaçais de Minas, e nada de sucessos, mas Inocência insistia que Ansiedade estaria por estas terras, ou mesmo entre estas terras.
Justiça apesar de lerda, mas incansável, se embrenhou pelas florestas e lagoas, se lançou em rios e nem um grito de Ansiedade, apenas ainda se ouvia o lamento de Inocência. Com bela dedicação de Justiça pela busca rapidamente Violência soube e assim fugiu para a mata com seus cães ferozes. Soube que Ignorância e Arrogância tinham voltados para o Rio e sentindo sozinhas apavoradas, procuraram por Covardia. Esta quis saber se Ansiedade ainda andava por Minas, mas Violência laconicamente disse que Ansiedade tinha se acabado e por isso estaria enterrada para sempre, que não mais poderia exigir suas certezas e seguranças para Esperança. Mas que Esperança continuava viva por lá.
O fato causou certo alivio a Covardia, mas ao mesmo tempo franziu sua larga testa e por um leve tempo sorriu aliviado, mas seu sorriso tinha um ar de arrependimento da longa viagem com Ansiedade. Mas ainda assim manteve sua postura de bom mocinho mau. Ela ate saiu pelas ruas procurando por Ansiedade, colocando anúncios em jornais e emissoras de radio e televisão.
Num acesso de culpa, um parente próximo de Inocência percebeu um comportamento diferente desta e após longa conversa pode saber da angustia de Inocência. Logo procurou a dona Justiça para relatar da historia da viagem de Ansiedade com Covardia e seus colegas Arrogância, Ignorância e do encontro macabro com Violência em Minas.
Assim toda historia do desaparecimento de Ansiedade passou a ser internacional, causando comoção aos mais duros seres humano. Dona Curiosidade estava em desespero, corria de um lado para outro e não conseguia obter informações.
Justiça numa ação rápida reuniu Covardia, Ignorância, Arrogância e Violência e colocados numa sala, para que juntos de Inocência fossem colocados a prova da verdadeira historia da viagem de Ansiedade com Covardia e assim descobrir o real paradeiro.
Assim que dona Culpa soube entrou em pânico e chorou uma lagrima comprida, sofrida que inundou toda Minas Gerais e se espalhou pelo Brasil num rio de lagrimas e sangue.
Mais tarde Ministério de Justiça advertiu que Ansiedade cheia de esperança, pode causar malefício e inclusive levando a morte.
E a violência aflora, meu coração apenas chora!
Com A se escreve amor e arma.
Com B se escreve bola e bala
Com C se escreve casa e cela (Fagner)
Toninhobira
07/07/2010
Marcadores:
cronica de Toninhobira Covardia perdeu o juizo
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Vida Moderna
Vida moderna
Ou de como se tem um mau dia
Nossas vidas acabaram se prendendo às novas tecnologias, e foi assim que os motores e cliques passaram a fazer parte de nossas vidas. É cada dia mais massacrante esta dependência, de ouvir o som de uma maquina o zumbindo em nossos ouvidos. Você já acorda direcionado ao acionamento de um controle remoto e este nem sempre está onde deveria, você vira tudo, se vira feito louco, pois já esta na hora do seu jornal matinal, onde está este maldito controle, que deixei aqui? E assim, você já acionou o controle remoto do seu stress amigo. Já não tem mais jeito, a gora é só uma questão de tempo, ou seja, rolarem os minutos cruciais de sua rotina. Grita pela casa. Ligue o liquidificador e processe estas frutas, que já estou atrasado e tome lhe stress. A filha menorzinha acorda e chora, pede mamadeira, sua mulher se aborrece. A televisão teve de ser ligada na mão dura mesmo e porque não fizera isto antes?
Vida moderna, vida que nos empurra ao abismo, e este elevador que demora, vá ver algum idiota, apertou todos os andares e são 20 e eu moro no segundo, e ele lerdamente vem contando passos, não sabe que tenho que estar cedo no meu trabalho? E uma voz misteriosa me segreda e orienta a descer as escadas, que é muito bom pela manha e são apenas dois andares. Pronto. Aumenta seu stress desce as escadas saltando degraus, esbarra no balde esquecido pela faxineira, ele rola escada abaixo e tudo lhe apavora, por quê? De chave na mão ao longe já aciona as portas do carro, tudo perfeito ele obedece, carro liberado, ronco de motor, emissão de monóxidos no ar logo cedo nos seus pulmões de seus vizinhos. Arranca, acelera, pisa,puxa, coloca avança, aperta outro controle, portão se abre e agora sua luta começa. Benze-se, segura com fé as fitas do Senhor do Bonfim amarradas ao seu retrovisor, buzina para um transeunte desatento, que corre para pegar o ônibus, que já se prepara para partir.
Dentro da sua casamata motorizada, se enerva com a falta de atenção dos pedestres, e segue seu caminho. Transito lento, vida moderna, todo aos seus carros vai começar a grande corrida para o nada. Ruas apertadas, sinais atrás de sinais, buzinas pipocam de todos os tons, o inferno esta formado, todos com seus tridentes, avançam pela avenida, na disputa desenfreada de logo alcançar a pista de transito rápido.
No radio uma emissora vai lhe guiando, pelos caminhos menos dolorosos, você aperta outro controle, muda para uma musica, mas não há musica, há uma banda cantando uma musica chata (Rebolation) com palavras errôneas de outro idioma, e você se aborrece, chateado com o péssimo gosto daquela emissora. Aperta irritadamente mais uma vez seu controle, automaticamente vai a uma próxima emissora, que dramaticamente relata os estragos das chuvas pela cidade, informando monstruosos engarrafamentos, você fica triste e impotente, pois é sua trajetória, seu dia começa a acabar.
Abatido, abre o porta luvas saca um CD do Vander Lee, seu disco preferido, isto vai lhe acalmar e ajudar a vencer esta terrível guerra matinal avança o dial para a musica: Onde Deus Possa me ouvir. Seu tempo cada vez mais curto e seu humor também. A musica lentamente vai lhe recompondo a paz e até uma ternura, você cantarola junto, aperta outro botão, diminui o ar, olha em volta e todos lhe parecem zangados, todos nos seus vidros escuros, como se escondessem um do outro, você está só naquela avenida recheada de pessoas solitárias stressadas nas suas maquinas.
Mais um sinal, mas uma esquina e você, se vê chegando ao trabalho. Olha o relógio que te vigia e condena. Com tempo escasso, aquele tradicional cafezinho da entrada fica adiado. Você entra no stress pela busca desesperada por uma vaga e só encontra aquela, que ninguém quisera, devido distancia e não ser calçada, mas é o que lhe resta, estaciona, reclama, aperta botão, tranca, confere, sai correndo debaixo da chuva fina para mais uma longa jornada dia adentro. Assim se constrói mais um homem barril de pólvora nesta correria cotidiana de nosso tempo moderno, fazendo com que pessoas comuns e normais se transformem em verdadeiros seres brutalizados, sujeitos a reações nunca delas esperadas.
Publicado no Recanto das Letras.
Toninhobira.
25/04/2010.
Ou de como se tem um mau dia
Nossas vidas acabaram se prendendo às novas tecnologias, e foi assim que os motores e cliques passaram a fazer parte de nossas vidas. É cada dia mais massacrante esta dependência, de ouvir o som de uma maquina o zumbindo em nossos ouvidos. Você já acorda direcionado ao acionamento de um controle remoto e este nem sempre está onde deveria, você vira tudo, se vira feito louco, pois já esta na hora do seu jornal matinal, onde está este maldito controle, que deixei aqui? E assim, você já acionou o controle remoto do seu stress amigo. Já não tem mais jeito, a gora é só uma questão de tempo, ou seja, rolarem os minutos cruciais de sua rotina. Grita pela casa. Ligue o liquidificador e processe estas frutas, que já estou atrasado e tome lhe stress. A filha menorzinha acorda e chora, pede mamadeira, sua mulher se aborrece. A televisão teve de ser ligada na mão dura mesmo e porque não fizera isto antes?
Vida moderna, vida que nos empurra ao abismo, e este elevador que demora, vá ver algum idiota, apertou todos os andares e são 20 e eu moro no segundo, e ele lerdamente vem contando passos, não sabe que tenho que estar cedo no meu trabalho? E uma voz misteriosa me segreda e orienta a descer as escadas, que é muito bom pela manha e são apenas dois andares. Pronto. Aumenta seu stress desce as escadas saltando degraus, esbarra no balde esquecido pela faxineira, ele rola escada abaixo e tudo lhe apavora, por quê? De chave na mão ao longe já aciona as portas do carro, tudo perfeito ele obedece, carro liberado, ronco de motor, emissão de monóxidos no ar logo cedo nos seus pulmões de seus vizinhos. Arranca, acelera, pisa,puxa, coloca avança, aperta outro controle, portão se abre e agora sua luta começa. Benze-se, segura com fé as fitas do Senhor do Bonfim amarradas ao seu retrovisor, buzina para um transeunte desatento, que corre para pegar o ônibus, que já se prepara para partir.
Dentro da sua casamata motorizada, se enerva com a falta de atenção dos pedestres, e segue seu caminho. Transito lento, vida moderna, todo aos seus carros vai começar a grande corrida para o nada. Ruas apertadas, sinais atrás de sinais, buzinas pipocam de todos os tons, o inferno esta formado, todos com seus tridentes, avançam pela avenida, na disputa desenfreada de logo alcançar a pista de transito rápido.
No radio uma emissora vai lhe guiando, pelos caminhos menos dolorosos, você aperta outro controle, muda para uma musica, mas não há musica, há uma banda cantando uma musica chata (Rebolation) com palavras errôneas de outro idioma, e você se aborrece, chateado com o péssimo gosto daquela emissora. Aperta irritadamente mais uma vez seu controle, automaticamente vai a uma próxima emissora, que dramaticamente relata os estragos das chuvas pela cidade, informando monstruosos engarrafamentos, você fica triste e impotente, pois é sua trajetória, seu dia começa a acabar.
Abatido, abre o porta luvas saca um CD do Vander Lee, seu disco preferido, isto vai lhe acalmar e ajudar a vencer esta terrível guerra matinal avança o dial para a musica: Onde Deus Possa me ouvir. Seu tempo cada vez mais curto e seu humor também. A musica lentamente vai lhe recompondo a paz e até uma ternura, você cantarola junto, aperta outro botão, diminui o ar, olha em volta e todos lhe parecem zangados, todos nos seus vidros escuros, como se escondessem um do outro, você está só naquela avenida recheada de pessoas solitárias stressadas nas suas maquinas.
Mais um sinal, mas uma esquina e você, se vê chegando ao trabalho. Olha o relógio que te vigia e condena. Com tempo escasso, aquele tradicional cafezinho da entrada fica adiado. Você entra no stress pela busca desesperada por uma vaga e só encontra aquela, que ninguém quisera, devido distancia e não ser calçada, mas é o que lhe resta, estaciona, reclama, aperta botão, tranca, confere, sai correndo debaixo da chuva fina para mais uma longa jornada dia adentro. Assim se constrói mais um homem barril de pólvora nesta correria cotidiana de nosso tempo moderno, fazendo com que pessoas comuns e normais se transformem em verdadeiros seres brutalizados, sujeitos a reações nunca delas esperadas.
Publicado no Recanto das Letras.
Toninhobira.
25/04/2010.
Marcadores:
cronica de Toninhobira Vida Moderna
Assinar:
Postagens (Atom)



.jpg)
