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sexta-feira, 18 de maio de 2012

Mariama.















Mariama. 

1“O sorriso dela brincava na face tosca das mulheres dos colonos, escorria pelo verniz dos móveis, desprendia-se das paredes alvas do casarão”. Tudo em sua volta cheirava um pouco de alecrim do mato com alfazema, perto dela as coisas adquiriam um colorido fascinante e poder-se-ia, sentir o frescor da gruta, onde nascia a água pura e cristalina, que seguia sinuosamente por varas abertas de bambu até a porta da cozinha da casa. Sua voz suave e terna fazia lembrar cantigas para ninar crianças. Vinha dela um magnetismo, que nos envolvia e seduzia.

Assim era Mariama, uma linda mulher que morava naquele casarão branco avarandado de dois pavimentos, que se destacava naquela estrada poeirenta, que se ligava a estrada férrea para a capital. Poder-se-ia ver uma longa escada de madeira, que terminava no fim da varanda, em seu corremão pendentes vasos a enfeita-lo, todos com suas flores silvestres que inspiravam uma tela de pintor com a figura de Mariama debruçada na varanda, com sua longa cabeleira caída sobre os ombros que balançava com o vento de Maio, tudo aquilo nos envolvia com graça e emoção.

 Com sua voz inimitável estava sempre a cantarolar canções românticas, que falavam de amores perdidos e desilusões amorosas, o que contradizia com seu semblante leve e alegre com aqueles olhos negros e brilhantes como as estrelas naquele lugar de noites estreladas.  Sabedora da admiração ela sempre esboçava um sorriso provocante aos passantes daquela estrada. Mariama era a figura fugida de uma tela de pintor renascentista.

Hoje quem passa pelo casarão ainda se vê uma fumaça se perdendo no Céu. A escada sem flores, apenas uns gatos espreguiçadores. Sem Mariama uma varanda desbotada e sem vida. Por certo não mais verá Mariama, que numa manhã, de posse de duas malas, colocou seus delicados pés na estrada poeirenta e num trem de ferro foi morar na capital, sequer lançou um olhar para trás, para que nada lhe fizesse recordar os olhares apaixonados, que por ali ficaram perdidos e fixos naquela parada de trem. 

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·         1-Citação de Murilo Rubião em a Flor de vidro.

·         Proposta era criar um personagem baseado na citação do Rubião.

·           
      De Sueli Aduan.

Toninho
10/05/2012  


20 comentários:

  1. Nossa Toninho que lindo!
    Na suavidade da escrita, que brota tão delicada e bela, o poeta tece uma obra maravilhosa, a poesia.

    Beijão e bom dia querido

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  2. Puxa, Toninho! Que lindo isso!Criaste uma personagem maravilhosa e desenvolveste muito bem. Adorei ver a Mariama...Mulher que tanto amou e não foi amada...abração,chica e lindo fds!

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  3. Emocionante quadro escrito e cheio de saudades.
    abraços

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  4. Bom dia amigo Toninhobira, lí o tu conto gostei muito, como não poderia deixar de ser, tem o teu toque romãntico poético, A beleza natural de tua cidadezinha, a emoldurar. Mariama a mulher bonita de cabelos soltos ao vento , partindo para a cidade grande. Quem sabe em busca de um amor. Abraços Celina

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  5. Oi, amigo
    faz tanto tempo, né?
    Adorei seu lado prosista, me encantei tmb por Mariama
    beijos

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  6. Fiquei encantanda com a personagem...adorei!!
    Você faz magia com as palavras!!

    Tenha uma sexta-feira abençoada!!
    Beijinhos!♥

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  7. olá, Poeta de Minas

    A Mariana é realmente indescritivel. Obrigado por ter comentado no meu blog.

    Um abraço, paz e bem

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  8. Este comentário foi removido pelo autor.

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  9. Ola meu amigo Toninho,

    Que linda essa Mariama.
    Versos cheios de saudades e magias.

    Beijos amigo!

    Ótimo fim de semana!

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  10. Romantica, bela, cativando olhares, mas partiu em busca do que lhe faltava.
    Bela poesia na forma de conto.

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  11. Um conto emocionante...
    Vai ver Mariama sorria justamente para contradizer a sina triste que o destino lhe impunha... Vai ver ela ainda sonhava que a vida poderia ser bela...

    Aplausos meu amigo! Você se supera a cada dia...

    Carinhos...
    Beijos de flor.

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  12. Belo conto que vira poesia lirica no final. Marianna era uma amante do amor. À rigor.

    Te desejo uma ótima sexta-feira, um ótimo final de semana.
    Forte abraço.
    Tati.

    http://tatian-esalles.blogspot.com.br/

    Att.

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  13. Olá Toninho, Mariana saída da tela de um pintor renascentista, lindo demais, doce sensível porém decidida e determinada, Gostei muito da Mariana! Abraços

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  14. Narrativa poética escrita como quem pinta um quadro, a medida que vamos lendo vai se descortinando toda a beleza,
    muito bom, Toninho!

    Fique com Deus!Bjs.

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  15. °♪¸.♫♫♪
    Olá, amigo!
    Adoro tudo que leio no seu blog.
    Eu gostaria de saber escrever também...
    Bom fim de semana!
    Beijinhos.
    Minas
    ❤♪¸.•°`♡

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  16. Apesar de toda doce e florida moldura que a engalanava, Mariama não se contentava de ser apenas imagem fugida. Tomou dos pincéis e traçou longa estrada, sumiu-se nela para viver a vida.

    Delicioso conjunto este, de cena, conto e personagem, amigo Toninho.
    Bjos,
    Calu

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  17. Amei a descrição da personagem que criaste! Beijos!

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  18. Muito nostálgico e contagiante!!
    Lindo Toninho!!

    Beijos e boa semana!!

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  19. Você descreveu, com beleza, uma daquelas imagens especiais que costumamos ver por algum tempo e que, repentinamente, desaparecem. Saída de sonhos ou mesmo da realidade passageira, ora distante.

    Bjs.

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  20. Mas ficou lindo Toninho.
    Só você para escrever este texto com tal magnitude de um grande poema.

    Um carinhoso abraço.

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