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segunda-feira, 11 de junho de 2012

Viagem solitaria no elevador.











Zezinho nasceu e vivia a infância feliz na roça, livre para ser criança, apenas vigiado pelos olhos da mãe com seus conselhos. Todos se conheciam pelo nome dos pais. Ele era Zezinho de Sô Chico.  Alem de brincar, as atividades, como cuidar do galinheiro, molhar a horta, tratar dos animais. Nos fins de semana a rotina às vezes era alterada com visitas de parentes da cidade, com suas historias. Mas para ele, não eram mais importantes que as suas, mas ficava curioso com elas.

O que mais o alucinava era ouvir sobre os elevadores, que levavam as pessoas que moram nas alturas e que eram mais rápidos do que subir nas arvores. Para Zezinho era impensável uma casa sobre a outra, com altura dez vezes maior que o pé de coqueiro. Este sonho ele levava no seu embornal de curiosidades. Sempre questionava a mãe, se era verdade a tal maquina e as casa sobre as outras.

Na época de uma vacinação na década de 60, viajou para a casa dos parentes, para tomar a tal vacina. Seu coração não cabia no peito. Depois da longa viagem, chega à cidade. Os olhos se maravilhavam com tudo, carros, prédios, bonde e muita gente. Estranhou a pessoas sem as saudações cordiais da roça. Ao chegar ao prédio, olhos embutiram entre alegria e medo. Segurava no vestido mãe, o suor nas mãos, o coração agitado. Primeira viagem para as nuvens com pessoas ainda mais estranhas mudas e sisudas que olhavam para o nada. Logo pensou na roça e sentiu saudade da roça cordial, onde todos se cumprimentavam.

Após alguns dias já de volta à roça, sentia dores no braço vacinado, que coçava como picada de formiga mijona. Sua mãe cuidava colocando uma folha da horta. Feliz em sentir o ar fresco pelos pulmões, falava com os pássaros os imitando, ouvia latidos de Capitão a brincar com o porco. Brincou com o gato Xadrez lhe roçando as pernas. Seus olhos brilhavam com lagrima de felicidade. Mas a mãe percebeu nos dias seguintes, que ele ficava horas parado, olhando para o alto do coqueiro, como se visse ou procurasse algum bicho. 

Intrigada perguntou:

- O qui ocê tanto óia no arto do coqueiro Zezinho?
_ Né nadica não mãe, é que eu tava pensano no elevador cá na roça, mas quando nós tava lá no elevador pensava na roça cá. Só isso mãe.

Toninho.
04/06/12

Outra participação no blog: escritosnalinguagemdocorpo.
Criar uma historia baseada na frase de Carlos Drummond de Andrade:
No elevador penso na roça, na roça penso no elevador.
 
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Informação:
Agora peço a todos os amigos, que dediquem suas orações 
à amiga Márcia Luconi, que enfrenta a dor da perda de 
seu marido, pelo qual oramos. Enviem forças para que 
ela possa refazer suas energias e voltar para nosso meio 
e tocar sua vida, como deve ser. Realmente não temos 
palavras para essa dor, mas temos todo nosso carinho 
para inundarmos os corações de nossos amigos.


16 comentários:

  1. Caro Toninho
    Um conto encantador com a sua marca registrada. Você faz sempre com maestria. Saudade dessa gente de alma pura da roça.

    A querida Luconi estamos irmanados com você em oração. Muita luz
    Obrigada Toninho
    Um lindo início de semana.

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  2. Caro Toninho
    A minha filha mexeu no meu perfil. Não sei como cancelar e voltar ao que era antes. Vou tentar recuperar e depois volto.
    Um abraço.

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  3. Quando estamos na cidade sonhamos com o campo, quando estamos no campo sonhamos com a cidade, mas penso que é porque precisamos dos dois para nos sentirmos completos.

    Sempre maravilhoso te ler, querido.

    Beijinhos em vc e dê meus pêsames a sua amiga querida que perdeu o marido.A morte é sempre muito triste, por mais que nos digam que é a única certeza que temos.

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  4. Só pra enfatizar a volubilidade do ser humano.
    E como sempre, é muito bom te ler. Parabéns! (:

    Quanto a amiga Luconi, estamos em oração. Deus irá de ajuda-la a seguir. Desejamos toda força.


    Uma ótima tarde de segunda-feira. Uma excelente e abençoada semana. Cheia de paz, luz e inspiração.
    Grande abraço.
    Tati.

    http://tatian-esalles.blogspot.com.br/

    Att.

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  5. Lindo seu conto amigo...a simplicidade da roça versus a modernidade da vida na cidade, é de se intrigar mesmo.
    Que Deus dê alento a nossa querida amiga Luconi, que ela tenha forças de aceitar e seguir a vida adiante.
    Beijos e boa semana amigo,
    Valéria

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  6. Olá Toninho, parabéns pela participação, bacana o conflito entre a modernidade da cidade e a simplicidade da Roça! Abraços

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  7. Oi Toninho!

    Já vivenciei um fato parecido,Toninho.Quando moravámos na fazenda e tínhamos que levar alguém de lá para fazer algum tratamento no Rio,os pobres menininhos ficavam apavorados diante do elevador...e tenho certeza que preferiam subir nos coqueiros.

    Belo conto,amigo.
    Bjsssss,
    Leninha

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  8. Adorei o conto!!
    Vamos enviar vibrações de paz e superação à nossa amiga Luconi. realmente, sem palavras para essa dor.

    Abraços, amigo!♥

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  9. Que maravilha,Toninho. O homem e a insatisfação, o não saber o que quer...
    LINDÍssimo...

    E quanto à Luconi, estou pedindo forças e tudo de bom pra ela nessa hora triste. abração,chica

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  10. O homem é curioso e sempre desejante, nada o satifaz, e ,assim, vai movendo o mundo, para o melhor e para o pior.

    Quanto a sua amiga, junto-me em oração para que supere com forças este momento de tristeza.

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  11. Somos eternos insatisfeitos...Sempre em busca de algo mais. Bjos achocolatados

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  12. A roça é paz...é uma vida diferente...é calmaria...
    O texto fala do simples e esse simples é vida...

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  13. Amo esse seu jeito de falar de coisas simples com tanta profundidade!
    A vida é mesmo assim, não é mesmo?! A dualidade entre a simplicidade da roça e o glamour da cidade.
    Isso me fez pensar na saudade, que só existe em função de uma ausência, só sentimos saudade ou falta daquilo que não está ao nosso alcance..
    Penso que esse menino pode ser cada um de nós que já viveu em momentos diferentes e nos recordamos com carinho deles..
    É sempre um prazer diferenciado ler seus textos, me encanta sempre!

    Bjs!!

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  14. VENHO DESEJAR UM DIA DE MUITO AMOR!
    MUITOS AMORES,MUITOS BEIJOS,MUITOS CARINHOS E TUDO MUITO E DUPLICADO.e UM FELIZ DIA DOS NAMORADOS!
    SEU TEXTO COMO SEMPRE,TRAZENDO A REALIDADE EM VIDA ...MAIS UM PARA REFLEXÃO...
    DEIXO PARA A LUCONI UM BEIJO AZUL!!!!!!
    PRÁ VC DEIXO UM BEIJO QUASSSSSSSSSSSSE ESPECIAL!!!!!!!
    FELIZ DIA DOS NAMORADOS!!!!!!

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  15. Toninho,um conto muito interessante e beleza de participação!Que bom essa oração pela Marcia!Ela merece nosso amparo!bjs e boa semana!

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  16. To ninho, quando não temos conhecimento e algo assim, logo ele se torna algo de "outro mundo".
    Belo conto.
    Xeros meu amigo e já enviei minha oração a Márcia e os seus.

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Meu abraço de paz e luz.