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sexta-feira, 16 de março de 2012

A flor do dia















 
 A flor do dia.

 Fecha-se a janela, que dá para o jardim.
Ficam minhas saudades aprisionadas,
Como num jarro a bela flor esquecida.
Sem raios solares morre desbotada.
Pequena flor seus últimos pingos de vida.

Desesper0-me ao ver a flor que murcha,
Sobre a borda da jarra, ela se debruça.
Na janela apenas o lamento triste agora.
Falsa simbiose da flor que se enamora.

Em meio a este abandono que emperra,
Logo a esperança de amar vai embora.
Sem nenhum tipo de alento nesta agonia,
Que faça esperar pela nova manhã de gloria.

Vejo os primeiros raios solares pela janela
Deflorando a manhã, alimentando o jardim.
Sob o olhar atento do beija-flor na festa amarela
De um girassol que se oferece aos raios solares.

Mas a flor que outrora me encantara
Agora ali alheia à fotossíntese, agoniza.
Esta flor descrente dos galanteios solares.
E o ultimo cuitelinho num rasante foi embora.


Toninho.
12/03/2012.

quarta-feira, 14 de março de 2012

O tear das Serras.












Inhazinha nasceu e viveu pelas terras mineiras nas primeiras décadas após abolição da escravatura. Uma linda mulher que encantava e inspirava os pintores da época na fartura do busto e no brilho alvo dos dentes.

Ela se tornara conhecida na operação de um tear. Com seus movimentos rápidos e sincronizados ela mais parecia uma aranha em meio aqueles fios que tomavam vida e encantavam os olhos espantados da população serrana, tal a perfeição e beleza de sua produção.

Quando arguida sobre sua perfeição com um sorriso nos lábios dizia:

_ O segredo na arte de tecelã está no amor que se toca nos fios e eles nos retribui dando vida ao tecido, o segredo é a suavidade dos toques das mãos num processo de caricias.

Mas Inhazinha tinha um sonho, que era retratar num tecido a beleza dos campos por onde ela vivia e às vezes passava horas nos movimentos e troca de cores de fios. Perfeccionista sempre julgava que não estava próximo ao que idealizara. Algumas vezes perdia a ternura e com fúria desconstruía todo trabalho de um dia, outras jogava tudo num velho baú herança de seus familiares.

Certa manhã sua amiga e vizinha percebeu certo silencio na casa de Inhazinha, então começou a gritar por ela. Sem nenhuma resposta, rapidamente foi para os fundos da casa, onde um gato dormia na janela, mas a porta estava fechada. Preocupada e com medo a vizinha Joana, arrombou a porta e para seu espanto encontrou Iazinha desacordada junto do tear e enrolada num lindo tecido, que mais parecia uma tela. Pelo chão, fios de todas as cores espalhados.

Joana movida pela emoção da beleza do que vira, explodiu num grito que fez acordar Inhazinha. Joana correu para lhe abraçar, por saber que ela estava viva. Então Inhazinha após tomar um copo de água, relatou de sua jornada noite adentro naquele tear desesperadamente na busca do tecido perfeito de seu sonho.

Visivelmente cansada Inhazinha confessou que na madrugada, quando já sem animo, sentiu um toque de uma mão suave sobre as suas e um clarão no quarto e naquele instante o tear parecia vivo e encantado com movimentos mágicos e suaves reproduzindo em tecido tudo que idealizara,quando pronto, movida de alegria e espanto enrolou-se no tecido e adormeceu.

Foi assim que naquela manha da Primavera, todos na região fizeram romaria para conhecer o tecido do sonho de Inhazinha, que sem muita admiração insistia em dizer que fora uma obra dos Céus.




Toninho.

segunda-feira, 12 de março de 2012

O amor que sinto.


Como me sinto amado.

O amor que sinto, é o que me move e faz crer na evolução da cumplicidade em direção reta e certa da perfeita sintonia, onde reina a harmonia. É sentir a energização em cada palavra de carinho, cada abraço na declaração afetuosa. Creio neste amor, ainda que às vezes cheio de contradições, mas que sempre me resgata dos inevitáveis momentos de angustia e solidão, como benção para o coração.

Amor misto de doação, que alicerça os dias e faz crer na superação de todas as mazelas e permite sonhar em cada manhã com o paraíso, onde as almas entrelaçadas se repousam como em retiro, adquirirem forças, para exercício da tolerância ás inevitáveis falhas do outro, sem haver apodrecimento da confiança e o esfacelamento da família. 

Sinto que o amor me abraça e faz cada dia mais inspirador na trajetória, reinventa emoções, faz voar como águia, cada vez mais ousada. Por ele arrisca-se em voos de manobras sincronizadas com o cotidiano, adubação necessária da relação na produção de frutos cada vez mais saborosos.

Belamente sinto-me amado como cantoria de pássaros, como brotação da semente plantada com amor, regada até criar vida. Sinto assim, como o olhar de uma mãe para o filho, que acabara de nascer, amor sem limites, sem medo da felicidade. Amor que azeita as engrenagens da relação. Por ele prazerosamente dedico o hino do amor. 

Não existem formulas para o amor, mas entende-se, que as formas de se doar e permitir amar, que faz do amor um bem maior, que tanto aspiramos. É assim exatamente assim na medida certa e perfeita, que sinto este fogo maravilhoso de me sentir amado e amar belamente e intensamente. 


Toninho.

 Bom começar uma semana falando de amor, para que este sentimento irradie sobre os dias e faça a revolução que tanto sonhamos.
Este texto participou de uma proposta no http://pensandoemfamilia.com.br/blog/ , que continua nesta semana. Sugiro passar por lá para ler um pouco sobre o sentir-se amado.