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sábado, 26 de maio de 2012

Olhar na beira do cais.










 O Sol pela manhã ainda nem chegou naquele cantinho de praia. Ao longe visualizo a figura solitária daquela mulher com seu olhar debruçado sobre as águas. De longe ouço uma cantiga triste, já conhecida pelos moradores solidários, que assistem todos os dias este lamento pela manhã.
        Próximo dela ainda vejo pescadores também solidários. Eles na rotineira preparação de seus barcos, antes de se lançarem neste mar, entregues a toda sorte na esperança de redes cheias, para o sustento de suas famílias, bem como no excedente, atender a clientela da vila.
         Emoções afloram no instante curioso daquela mistura entre a cantiga melancólica daquela mulher e a dos pescadores carregada de crendices à Iemanjá, e outros seres que habitam este mesmo mar, que cantam em espécie de oração com pedidos, para que lhes façam sucedidos na volta do mar com seus barcos cheios de peixes e sem acidentes. O mesmo mar que nunca mais devolveu o homem daquela pobre mulher, que o viu entrar pelo mar numa manhã chuvosa e que agora perdida, ela se desespera e despenteia na beira do cais na espera inútil.
        Assim é a vida naquela vila de pescadores, um ritual repetitivo assistido por algumas gaivotas, que namoram os barcos com seus peixes. Sonhos que se misturam esperanças que embarcam e outras que deveriam desembarcar, todos tem uma forma de ser feliz ou crer na felicidade. Da janela já vejo o Sol, que se espelha no mar. O barco solitário que baila sobre as águas num lindo sobe e desce, agora leva bravos pescadores para mais uma aventura neste imenso mar, carregados de sonhos e desejos.
        Então vejo a mulher que retorna cabisbaixa em direção à vila, com seu vestido roto a cobrir aquele corpo, agora alterado pela gravidez daquele pescador, que talvez nunca possa receber nos braços sua amada e filho. E os barcos com seus valentes pescadores vão desaparecendo lentamente nas descidas e subidas das águas, os olhares desviam do mar e se voltam para a vila que aos poucos vai retornando na sua vidinha praieira, para tudo recomeçar numa nova manhã de esperanças e lagrimas.

Toninho.
24/05/2012.


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foto do site Olhares Paula Valentino. 

Desejo um bom fim de semana a todos amigos. 
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Obrigado Calu pela interação com Haikai.

Olhos perdidos
choram lágrimas amargas
corações partidos.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

A realidade da vida.











Se a boca fala do que o coração está cheio, queremos crer, que o coração seja alimentado tão somente de coisas boas e alegres, para que a saída seja sempre bem sucedida. Isto é real, por isso mesmo dizemos que palavras são como flechas, onde todo cuidado deve ser observado antes de coloca-las no arco para o disparo final. Ocorre que a vida também tem muito de fantasias, que nos alimentamos para torna-la mais leve nesta caminhada. E bom mesmo seria se fosse como a poesia de encantos e alegrias.
Mas há uma vida, que se vive com todas as mazelas e desencontros, que não pode ser relegada a segundos planos. É preciso viver próximo da realidade, pois que a vida lá fora não nos oferece rimas nem métrica. São estes momentos que julgamos difíceis e penosos, onde é preciso muita sabedoria, arte e cooperação para não se entregar aos desencantos ou mesmo depressão no meio da construção de um verso.
Assim é preciso viver o real, onde cada um doa o melhor de si para a própria formação como pessoa com todas suas possibilidades afloradas e assim num processo mais adiante, possa contribuir para com a sociedade, em que esteja inserido como partícula ativa, onde pessoas se interagem pela promoção de um todo equilibrado sem fantasias e aptos ao enfrentamento da vida nua e crua, mas em igualdade de condições. Pode parecer bem utópico ou coisa de louco, enquanto não for dado o primeiro passo rítmico em conjunto.
A realidade da vida é estar neste direcionamento social, saber da pobreza, da desigualdade, das diferenças de crenças e opiniões, entender as alegrias que se misturam com as tristezas, mas buscar sempre alternativas, que façam amenizar o próprio viver e o dia a dia dos que nos cercam. A realidade vai além de nossas portas e cercas de nossos jardins, ela está em cada esquina, no trabalho, nas escolas e ruas e morros de nossa cidade. Não podemos encapsularmos em nossa família, esquecendo a vida lá fora, pois somos parte de um todo, que jamais poderá ser ignorado. Assim viveremos sem medo de sermos felizes e bem próximos de uma realidade que julgávamos distante.


 Toninho.
23/05/2012.

 Livre no pensar:
Nunca te é concedido um desejo sem que te seja concedida também a facilidade de torná-lo realidade. Entretanto, é possível que tenhas que lutar por ele. (Richard Bach)
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Algumas interações que complementam o texto:


Profunda interação da amiga Chica: http://www.blogger.com/profile/18024789355281721651
Lindo e concordo,Toninho!! Não precisamos nos sentir culpados por estar bem e felizes.
Podemos,sim, ajudar para que mais pessoas assim se sintam e fiquem. 
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Visão da Denise: http://baliar.blogspot.com.br/
A mistura do real e do ideal nos remete à realidade que vc menciona tão bem, Toninho, da qual não dá pra fugir uma vez que somos partes dessa comunidade vital - que alicerça o ser que construímos nessas relações, na interação que nossos sentimentos e necessidades permitem e anseiam

segunda-feira, 21 de maio de 2012

O amor que se procura.







Imagem Google





O amor que se procura.

Procura-se o amor que faça festa,
Para uma vida cheia de ventura,
Que em face da ausência desta,
Possa renascer com toda candura.

Não me ofereça o amor de poeta,
que nasce e morre em plena rima.
Nem vida de casulo em borboleta,
A sugar néctar e morrer na faina.

Mas fale de amor bem claramente,
Como quem na vida se encanta,
Com fusão de cores em sol poente,
Quando a noite lança sua manta.

Não fale do amor de eternidade,
Como disseminadores de ilusões.
Pois quem jura muito a verdade,
Oculta mentiras e cria decepções.

Então ame com toda cumplicidade,
Para o amor não perder sua valia.
Pois a convivência testa a lealdade,
E amor não vem com garantia.


 Toninho.
17/05/2012.