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sábado, 15 de dezembro de 2012

B.C - Biografia das alegrias











Participando da II Blogagem coletiva de Natal da nossa querida amiga Roselia do: http://www.idade-espiritual.com.br/


Eu faço uma volta no tempo e encontro um menino feliz. Feliz no jeito de ver a vida como um eterno paraíso para brincar lá numa cidadezinha de interior de Minas, lhe vejo vestindo calças curtas com bolsos traseiros, onde ele carrega suas bolinhas de gude. Menino desbravando o mundo à sua volta, descobrindo os mistérios, correndo livre sem se preocupar com nada, usando o dia e a noite para descarregar suas energias, que eram tantas. 

E lá vai o menino feliz, sem apegos às coisas materiais. Menino correndo atrás da bola, caçando passarinho, comendo frutas no pé. A vida era o encanto de cada descoberta. Tinha na frente da casa uma serra como desafio para exploração, no sopé um rio que seguia preguiçoso para o banho, entrar escondido pelos pomares e sair carregado e jabuticabas, goiabas, mangas. Para menino era tudo uma alegria até chegar à casa e levar uma bronca da mãe com seus discursos de pecados e coisas erradas, que as famílias religiosas pregavam para educar os filhos, mas o menino ouvia e no outro dia fazia tudo de novo. 

Vejo o menino montado no cavalo Almofadinha, que seu pai criava. Correria pelo campo como se fosse o Jerônimo aquele Herói do Sertão, que ele ouvia pela Radio Nacional num radio colocado na cozinha com uma antena amarrada numa vara de bambu no terreiro, o som era estranho mais ouvia as proezas daquele herói, e as propagandas de coisas que não conhecia a não ser pelo radio, mas o encanto é total. 

Agora já vejo os olhos brilhantes de alegria do menino de frente a uma televisão de um senhor daquela rua, que deixava os meninos assistir sentados no alpendre da casa. Era bonzinho aquele senhor e assim o menino podia ver o filme do Rin-Tin-Tin, cada cena era imaginada com seu cão vira lata de nome Veloz. O som do Clarim reunindo os soldados para pegar um bandido, agitava o coração daqueles meninos que pareciam entrar pela cena. Na imaginação daqueles meninos estava o pedido ao pai para o presente de Natal que se aproximava, embora o senhor tenha dito que tinha que ter muito dinheiro, mas os meninos sabiam que o Papai Noel atendia menino que comportava bem na escola e que ia religiosamente à igreja aos domingos, então meninos sonhavam e esperavam.

Estou no fim do ano e olho para a rua e vejo o menino todo feliz, com seu boletim escolar nas mãos correndo pela rua gritando passei, passei. Era como um troféu para levar para a mãe e sonhar com um Natal de presentes. Então chega a noite de Natal, menino ansioso coloca sapatos perto da arvore e dorme. Na manhã de esperanças e alegrias o menino acorda e vê vários presentes como um carrinho de carregar terra, bola nova de coro, roupa nova e uma Conga novinha, tudo é festa naquela manhã e logo ele vai para a rua a exibir seu carrinho novo aos outros meninos. Não encontrou a televisão sonhada, mas sua felicidade com os presentes superou o sonho e se misturou aos meninos, para o dia que começava para novas artes e aventuras. 

 Toninho.


Grato Roselia por me fazer voltar no tempo e por assim participar nesta sua linda roda de amigos.
A todos um feliz fim de semana com paz e alegrias.
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Informações: Fonte Wikipedia.

1-Jerônimo, o Herói do Sertão, foi criada em 1953 por Moysés Weltman para a Rádio Nacional, bastante influênciada pelo faroeste americano a radionovela ficou 14 anos no ar.
2-No Brasil, fez grande sucesso a série produzida entre 1954 e 1959. Narrava a história de Rin Tin Tin, o cachorro que acompanhava uma unidade da Cavalaria dos Estados Unidos no final do século XIX, sediada no Forte Apache.
3- A marca Conga da Alpargata, foi lançada em 1959, sendo sucesso de vendas nas décadas de 1960 e 1970
4- Fotos do Google.

 

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Beba-me.









Beba-me como todo o prazer,
Que toda sua sede possa saciar.
Mas beba-me com todo ciência,
Em cada gota de seu silencio.

Beba a derradeira gota da terra
E prove todo prazer nesta hora
Lave a saudade nesta vontade.
Que o corpo queima na ansiedade.

Beba-me no desejo dos desesperados,
Perdidos no deserto com suas visões,
Criam Oásis que somem no vento.
Na sua vida de desejos ressecados.

Ainda que beba a infusão amarga,
Numa chávena ígnea a queimar,
o beijo sabor das folhas de hortelã
No ar impregnado do óleo de Cedro.

Se ainda assim a sede lhe maltratar,
Dentro do peito sentirá a ebulição,
Como uma derradeira perpetuação,
Para alegria e festa do seu coração.

Toninho.
Inspirado no Show “Beba-me” da fantástica cantora Elza Soares.
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Desejo um belo fim de semana a todos meus amigos.





segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Será que é saudade?



Será que é saudade?





  



Quando vem a hora de ir para a cama
Vêm as lembranças que ardem no peito
Eu  penso em ti sempre quando me deito
Assim que te levo em meus pensamentos

Quando o sol nasce e morre sobre o mar,
Meus olhos veem úmidos a tua silhueta,
Ora dirão que é loucura de uma paixão,
Ou mesmo coisa de uma louca obsessão.

Mas é certo quem em mim se criou,
Uma saudade certeira como a flecha,
Que apaixonada mira-se no seu alvo,
E perpetuam-se na estranha relação.

Com o clamor de presença constante,
Fica a alma em transe permanente,
Na noite onde me acabo na solidão.
Ainda ouço um grito de amor, amor.

Toninho.