quinta-feira, 16 de abril de 2026

O Lixo Sagrado de Tia Geraldina.

 
Escrevendoàs quintas com convocatória de Dafne com o seguinte tema:

               “O lixo de uma pessoa é o tesouro de outra. ” 

O Lixo Sagrado de Tia Geraldina.

 

Todos os dias Tia Geraldina ia até a lixeira da feira do produtor em Belo Horizonte. Com seu carrinho velho de supermercado para catar coisas, para aproveitar na alimentação de seus netinhos. Mas catava flores, brinquedos e coisas pelo caminho. Os feirantes diziam: "Lá vai a santa do lixo, que vê pelas ruas aquilo, que a gente finge não ver, mas tudo tem uma história. 

Na casa dela, de parede azul descascada, o lixo acumulava, com caixotes velhos fez um altar e um oratório. Um saco de aniagem coberto de purpurina era o manto para a imagem de Iemanjá, que ela achou num terreno baldio, com algumas avarias. As flores murchas iam para um copo d’água, ao lado da vela feita com resto de parafina.  

Seu neto mais velho questionava porque ela levava lixo para casa todos os dias.  

Ela respondia, sem tirar o olho para a imagem, que lixo era um nome que as pessoas davam para tudo que elas não queriam mais. Ainda dizia que tudo aquilo, foi Deus que fez e não merecia ser descartado de qualquer maneira. Que ela dava nova vida a elas. Olhou para um caixote e disse, que ele carregou alimentos para muita gente e fora descartado. As flores tinham levado carinhos para muitas pessoas. Até’ aquela santinha estava na chuva, mas merecia um abrigo.

Tia Geraldina dizia para eles que o lixo é sagrado, que sentia honrada em dar vida a tudo, que catava pelas ruas da cidade. Que as pessoas jogam fora o que elas não conseguem vender, mas para ela servia como cuidados. Ajoelhava em frente a imagem e fazia silenciosamente suas orações sob os olhos dos netinhos.

Numa manhã o netinho saiu com ela pelas ruas, olhando tudo e catava o que lhe chamava a atenção.

 

Toninho

15/04/2026

Grato pela visita.

Nota: A tia Geraldina existiu, mas a história não espelha toda verdade.











11 comentários:

  1. Essa tia Geraldina sabia das coisas!
    Devoção, gratidão e a certeza de que tudo podia ter valor enfeitavam a vida dela e a dos que por ela passavam. E, na certa, belo exemplo ao netinho ficará! Adorei! abração,chica

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  2. Aquí podemos encontrarnos con un detalle que hay que tener en cuenta.
    Es cierto que hay cosas que se tiran que otros pueden reutilizar, pero hay que tener cuidado ,no todo se debe acumular porque eso puede dar lugar a otras cosas las cuales tienen nombre.
    Un buen texto donde la lectura de él da un debate más amplio.
    Gracias por compartir
    Un abrazo.

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  3. Santa Tia Geraldina!
    Sábia e que sabia dar o devido valor a tudo que
    era descartado. Realmente, o que para uns é lixo para outros é a oportunidade de lhes dar uma nova vida.
    Lindo texto que nos trouxe a sabedoria de reciclar, como é chamado de uns tempos a esta parte. Mas não com tanto amor!
    Abraço, caro Toninho.
    Olinda

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  4. Geraldina protegía lo que los demás descartaban sin sentido... ¡Me encantó tu historia, Toninho! Y más aún el tono esperanzador del final, que muestra ese relevo generacional.
    Obrigada!
    Abraços

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  5. Hola Toninho,
    Creo que la abuela Geraldina tiene buen corazón, pero tiene que andarse con tino ya que puede caer en el síndrome de Diógenes. Me gusta mucho el relato y la originalidad de hacer hogar recogiendo basura.
    Un saludo

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  6. Olá meu amigo querido!
    Toninho, que história bonita… dessas que chegam devagar e ficam morando na gente
    Tia Geraldina parece dessas almas raras, que enxergam valor onde o mundo já desistiu de olhar. Há uma espécie de santidade silenciosa nesse gesto de recolher o que foi deixado para trás e devolver sentido, cuidado, dignidade. Não é sobre o “lixo”… é sobre o olhar. Fiquei tocada com esse altar improvisado, feito de restos e, ainda assim, cheio de presença. Como se ela nos lembrasse, com simplicidade, que o sagrado não está nas coisas perfeitas, mas no amor com que a gente as acolhe.
    E o netinho, caminhando ao lado dela… talvez já aprendendo, sem perceber, a ver com o coração.
    Sabe querido? Seu texto é daqueles que fazem a gente repensar o que descarta por fora e por dentro.
    Obrigada porque pude contemplar essa beleza.

    PS: tirei o gesso! Obrigada pelo carinho por lá, amei!!!

    Beijo com carinho
    Nanda

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    Respostas
    1. Que bom Fernandinha estar livre do engessamento e poder exercer sua nobre profissão e missão de cuidar. Cuide-se bem para cuidar. Bjs

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  7. Conmovedora historia. Un personaje entrañable que ve belleza aún en donde otros la niegan. Un abrazo Toninho

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  8. Tu personaje transmite esa calma y sabiduría que la época actual no permite. Todo es consume-gasta-desecha en bucle. Me encanta. Bss

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  9. No creo que la basura sea sagrada, pero si creo que merece otras vidas y la más importante es servir para que otros cubran sus necesidades y cumplan sus sueños, mirándolo así comprendo que para la Tía Geraldina, fuera sagrada.
    Un abrazo

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  10. Toninho hermosa historia la de la señora Geraldina me gusto la frase que dice: «basura» era el nombre que la gente le daba a todo aquello que ya no quería. La señora le daba una segunda oportunidad a los objetos y eso tiene un gran valor.

    Que tengas un buen día
    Abrazo

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