Escrevendo
as quintas desta semana apresenta a imagem de uma grade agredida pelo tempo e tomada pela vegetação, o que esconde esta grade é a convocatória que vem do blog somosartesanosdapalabra.
A
Casa que Virou Mata. Ninguém mais lembra quem morou ali.
O
portão de ferro, antes verde, virou laranja de ferrugem. As dobradiças gritam
quando o vento passa, mas ninguém empurra. O mato tomou conta. Trepadeira
abraçou a varanda, cobriu as janelas, escondeu o número. Só o telhado ainda
escapo.
Dizem
que foi a Dona Lourdes a última moradora. Criava orquídeas e esperava carta do
filho que foi tentar a vida em Salvador. As cartas pararam. As orquídeas ficaram.
O filho nunca voltou, mas tudo junho a casa se enche de flores roxas que ninguém
plantou.
Os
meninos da rua juram que à noite a luz da cozinha acende. Mas não tem energia
cortada há 20 anos. É só a lua batendo na ferrugem da geladeira velha, que
ainda está lá, de porta aberta, como boca contando segredo.
Outro
dia a prefeitura mandou derrubar. Chegou trator, chegou homem de prancheta. Só
que o trator atolou. O mato segurou. As raízes tinham virado alicerce. O homem
de prancheta escrevera que o imóvel havia sido tomado pela natureza e foi embora.
Hoje
a casa não é mais casa. Virou estufa. Virou ninho. Virou sombra para quem volta
da feira. Passarinho faz morada na chaminé. Gato de rua dorme no que restou do
sofá. E uma vez por ano, em dia de São João, aparece uma orquídea nova na
janela da frente.
Abandonada?
Não.
Ela
só trocou de família. Agora é mãe de tudo que precisa de abrigo.
Toninho
24/06/2026
Grato pela visita
Hola Toninho, una historia por un lado triste, nostálgica de esa madre que esperó a su hijo y su hijo que no regresó, por el otro llena de esperanza al transformarse en el hogar y cobijo de otros seres, de la naturaleza y esa orquídea que florece cada año, me ha gustado mucho.
ResponderExcluirMuchas gracias por participar de nuestra propuesta, un abrazo.
PATRICIA F.
Ese final es un giro inesperado y cercano, emoción a flor de piel
ResponderExcluirAbrazo.
Bom dia:- Texto lindo de ler. Imagem sublime de ver
ResponderExcluir.
Saudações poéticas
.
Olá Toninho! Que forma incrível de olhar para uma grade envelhecida pelo tempo. O seu texto mostra que a natureza nunca abandona os espaços, ela simplesmente os reinventa e transforma. Espetacular a analogia e a história que criou. Um abraço e um bom fim de semana! 😊
ResponderExcluirImpressionante teu olhar e inspiração!
ResponderExcluirFicou muito lindo esse olhar de quer nada mais nela há, mas tudo nela pode de abrigo servir... Lindo olhar!
Parabéns! abração, chica
Bárbaro de bonito! Amei! Por isso te amo!
ResponderExcluirMaravilloso... ya con la primera frase me ha atrapado el relato... la casa se convirtió en bosque.
ResponderExcluirNo puedo sentir más angustia que la espera de una carta o una noticia de un hijo que nunca llega.
Muy sentido tu relato. Felicidades.
Me ha gustado la manera que has tenido de reflejar los cambios de aquella casa. Y es que todo cambia y se transforma. Muy profundo tu relato, me ha encantado.
ResponderExcluirMe alegra volver a leerte despues de mi larga ausencia.
Un abrazo.
Maravilloso tu relato.
ResponderExcluirSalud.
Solo tengo que decirte que has escrito algo precioso que llega al alma. Gracias. Un abrazo, muy feliz noche
ResponderExcluirThis is such a beautiful little story. I love how the old house wasn’t seen as forgotten but as something that found a new purpose. The way nature slowly took over feels almost magical, like the house is still alive in its own quiet way.
ResponderExcluirHola Toninho,
ResponderExcluirUn cuento muy bonito de una casa que tiene su propia vida y que resulta ser hogar y refugio para los que los necesitan. Quizás el primer refugiado es el recuerdo de Doña Lourdes y la espera de que su hijo volviese.
Un saludo.
Olá Toninho,
Uma história muito bonita sobre uma casa que ganha vida própria e se torna um lar e refúgio para quem precisa. Talvez o primeiro refúgio seja a memória de Dona Lourdes e a espera pelo retorno de seu filho.
Atenciosamente.
Olhar poético que encanta e emociona a cada palavra lida e internalizada na alma.
ResponderExcluirBeijos!
Me gusta cómo transforma el abandono en una nueva forma de vida, con un mensaje lleno de esperanza y sensibilidad que invita a mirar la naturaleza y el paso del tiempo de otra manera.
ResponderExcluirUn abrazo
Olá amigo Toninho,
ResponderExcluirGostei muito da estória numa narrativa que nos leva a querer saber mais e mais sobre essa casa.
Que talento, amigo!! Parabéns pela sensivel criação!!
Beijos!
Me encanto la historia y me remite a ciertas ruinas en el noreste argentino en donde se puede ver como la vegetación crece entre las piedras haciéndose dueña de lo que alguna vez fue refugio y fortaleza construido por los jesuitas. Un abrazo
ResponderExcluirMeu amigo...Voltando para matar saudades e encontro este lindo e nostálgico texto. Como sempre um prazer. Um beijinho amigo
ResponderExcluirAmigo Toninho boa noite de paz!
ResponderExcluirUm lar de verdade que abriga a quem de fato precisa.
Muitos somos abandonados sem piedade alguma. Deus nos acolhe com amor.
Assim é o conto, assim é a vida.
Tenha dias abençoados!
Abraços fraternos
Olá, caro amigo Toninho, esse é o grande poeta
ResponderExcluirmineiro, meu amigo há muitos anos, que escreveu
essa belíssima crônica bordada com poesia da
melhor qualidade.
Um trabalho excelente que merece nossos aplausos.
Um ótimo final de semana, Toninho,
grande abraço, amigo.
Una historia que me ha conmovido peo me ha gustado cómo le diste la vuelta al argumento dándole una nueva vida llena de poesía.
ResponderExcluirUn abrazo
Un relato precioso! Solamente con esa imagen de.la casa siendo transformada por la naturaleza y el tiempo. Esa imagen es preciosa.
ResponderExcluirDespués esa triste historia de una madre que espera el regreso de su hijo, pero nunca llega.
Me ha encantado leerte. Un abrazo!
Bom dia Toninho.
ResponderExcluirParticipaste com um sublime texto poético , muito ao meu agrado!
Transformaste o abandono em afeto, mostrando como a natureza não só ocupa o vazio, mas o reinventa , conseguindo ,com o teu dom mágico, que a casa deixasse de ser ruína , sendo memória viva no meio do silêncio!
Parabéns!
5*****
Beijinho e ótima semana com paz e saúde.😘
Fiquei encantada com o seu jeito de contar esta história a propósito de uma cerca antiga. Quanta criatividade!
ResponderExcluirTudo de bom.
Um beijo.
UAU...que giro texto!!! 😘
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