Escrevendo à quinta-feira que para o dia 11 é proposto pela artesãodaspalavras, as imagens de tres janelas numa casa em um vale.
Um chalé para repor as energias por vinte dias. Era inverno e uma névoa cobria todo vale, que se via pelas janelas do chalé. Bebeto escrevia sobre o passado deles.
Bebeto, escritor, ocupava a mesa perto do vidro. Caderno aberto, mas a caneta falhando de frio, era girada entre as mãos. Ao lado, a garrafa de vinho artesanal pela metade, era o convite.
Da Janela lateral via a Lia, chefe de cozinha, vindo da horta com três tangerinas e folhas de alecrim. Usaria as cascas no vinho quente, para afugentar a friagem. Era sua especialidade os drinks. Eles eram naturalistas.
O vinho com casca de tangerina soltou vapor na chaleira. O cheiro trouxe a infância para os dois junto da janela frontal ao vale. Bebeto apontou o vale sumindo na neblina. Lembrou da bica d’água na casa da avó.
Lia descascando outra mexerica, lembrou do fogão de barro da mãe, dizendo, que subia com feijão-verde e descia com cheiro de alho no cabelo. A mãe ensinara sobre comida de cada estação nas suas panelas de pedras.
Havia um silêncio, mas poderia ouvir o correr das aguas do regato e os cantos misturados dos pássaros. Dentro do chalé eles eram duas crianças crescidas com lembranças vivas de um passado, movidos por gostos e sabores arraigados.
Bebeto voltou ao caderno e escreveu a última linha do dia, onde dizia, que de sua volta para escrever sobre o vale, mas que percebera, que o vale sabia mais deles e escrevera sobre eles. Lia encostou a cabeça no ombro dele.
Naquela noite o jantar
seria simples com pão, queijo da serra, e as cascas de tangerina fervendo com
vinho, cravo e um fiapo de canela. Ele escreveria até os dedos doerem. Lia
olhava para o cesto com lã, lembrando da mãe. O inverno presente. A janela
translucida mostrava, que toda estação é uma poesia.
Toninho
09/06/2026
Grato pela leitura

Hola Toninho, muchas gracias por sumarte a nuestra propuesta con un relato tan bonito y conmovedor, me emocionó leerlo y con la música de fondo que elegiste que le va a la perfección, puse sentir el aroma de ese vino caliente y mandarinas, de canela, de pan, realmente hermoso relato.
ResponderExcluirUn abrazo grande
PATRICIA F.
Tão lindo e cheio de ricos detalhes teu conto,Toninho! As paisagens convidativas bem como o jantar na simplicidade, acompanhado do vinho fervido com cascas de frutas e canela.Nada melhor. Clima ideal para ler, escrever e de todas formas, bem aproveitar! ADOREI! abração,boa noite, chica
ResponderExcluirOlá, Toninho
ResponderExcluirEscrever recordando o passando e, ao mesmo tempo, dando esse cunho de grande de autenticidade, fez-me, também a mim, voltar no tempo e saborear aquilo que a minha avó fazia quando a ia visitar. Saudades!
Abraço
Olinda
<un bello relato, casi de fantasía... hoy siguen un patrón de realismo magico. En chile tenemos un vino caliente que se prepara con naranjas , canela y clavo, le llamamos "navegado"... lo preparé hace 15 dias de Fresia, lugar ganadero y echero en un día de lluvia. Son fragancias y sabores que se meten en la piel.
ResponderExcluirSi, alguna vez estuve fuera del sanatorio, pero la vida quería más de mi...
que raro, algo hizo éste blog que lanzó cualquier cosa.
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