quarta-feira, 10 de junho de 2026

De volta ao passado.

Escrevendo à quinta-feira que para o dia 11 é proposto pela artesãodaspalavras, as imagens de tres janelas numa casa em um vale. 

Um chalé para repor as energias por vinte dias. Era inverno e uma névoa cobria todo vale, que se via pelas janelas do chalé. Bebeto escrevia sobre o passado deles.

Bebeto, escritor, ocupava a mesa perto do vidro. Caderno aberto, mas a caneta falhando de frio, era girada entre as mãos. Ao lado, a garrafa de vinho artesanal pela metade, era o convite.

Da Janela lateral via a Lia, chefe de cozinha, vindo da horta com três tangerinas e folhas de alecrim. Usaria as cascas no vinho quente, para afugentar a friagem. Era sua especialidade os drinks. Eles eram naturalistas.

O vinho com casca de tangerina soltou vapor na chaleira. O cheiro trouxe a infância para os dois junto da janela frontal ao vale. Bebeto apontou o vale sumindo na neblina. Lembrou da bica d’água na casa da avó.

Lia descascando outra mexerica, lembrou do fogão de barro da mãe, dizendo, que subia com feijão-verde e descia com cheiro de alho no cabelo. A mãe ensinara sobre comida de cada estação nas suas panelas de pedras.

Havia um silêncio, mas poderia ouvir o correr das aguas do regato e os cantos misturados dos pássaros. Dentro do chalé eles eram duas crianças crescidas com lembranças vivas de um passado, movidos por gostos e sabores arraigados.

Bebeto voltou ao caderno e escreveu a última linha do dia, onde dizia, que de sua volta para escrever sobre o vale, mas que percebera, que o vale sabia mais deles e escrevera sobre eles. Lia encostou a cabeça no ombro dele.

Naquela noite o jantar seria simples com pão, queijo da serra, e as cascas de tangerina fervendo com vinho, cravo e um fiapo de canela. Ele escreveria até os dedos doerem. Lia olhava para o cesto com lã, lembrando da mãe. O inverno presente. A janela translucida mostrava, que toda estação é uma poesia.

 

Toninho

09/06/2026

Grato pela leitura


5 comentários:

  1. Hola Toninho, muchas gracias por sumarte a nuestra propuesta con un relato tan bonito y conmovedor, me emocionó leerlo y con la música de fondo que elegiste que le va a la perfección, puse sentir el aroma de ese vino caliente y mandarinas, de canela, de pan, realmente hermoso relato.
    Un abrazo grande
    PATRICIA F.

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  2. Tão lindo e cheio de ricos detalhes teu conto,Toninho! As paisagens convidativas bem como o jantar na simplicidade, acompanhado do vinho fervido com cascas de frutas e canela.Nada melhor. Clima ideal para ler, escrever e de todas formas, bem aproveitar! ADOREI! abração,boa noite, chica

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  3. Olá, Toninho
    Escrever recordando o passando e, ao mesmo tempo, dando esse cunho de grande de autenticidade, fez-me, também a mim, voltar no tempo e saborear aquilo que a minha avó fazia quando a ia visitar. Saudades!
    Abraço
    Olinda

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  4. <un bello relato, casi de fantasía... hoy siguen un patrón de realismo magico. En chile tenemos un vino caliente que se prepara con naranjas , canela y clavo, le llamamos "navegado"... lo preparé hace 15 dias de Fresia, lugar ganadero y echero en un día de lluvia. Son fragancias y sabores que se meten en la piel.
    Si, alguna vez estuve fuera del sanatorio, pero la vida quería más de mi...

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  5. que raro, algo hizo éste blog que lanzó cualquier cosa.

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