Simplicidade na Manjedoura-
Original pintado com o pé por
por Domingos Dupé da Silva
Não era Natal nem
ano bom naquela casinha pendurada no morro da Paciência. A comunidade apavorada
com uma pandemia, que todos os dias ceifava vidas de crianças e adultos, lançados
em covas rasas.
Julinho encarcerado
no barracão, olhava por uma greta a cidade em movimento lá em baixo. Ao seu
redor, parecia que o tempo parara no clima de mortes. Apenas se ouvia grilos,
cigarras, até os pardais sumiram, a tristeza o corroía.
No canto do casebre
o simples presépio, era onde Julinho buscava forças para vencer o medo da morte.
Era um guardião da família, exigindo que todos ficassem em casa. Orava fervoroso
ao Menino pelo fim da pandemia, queria reviver a alegria do morro. Brincar com
os amigos e poder ir para a escola.
E foi diante do
presépio, que de joelhos em oração, viu um sorriso no rosto do Menino Jesus.
Assustado correu até a cozinha, a mãe ouvia no rádio a pilha notícias de uma
vacina salvadora. Ele contou a mãe o que vira, ela mesmo incrédula, disse que o
Menino ouve as preces das crianças.
Julinho se sentiu o
menino mais feliz do morro, por ter um Jesus que o ouvia. Ao olhar pela janela viu
enfermeiros de branco como anjos, subirem o morro com as vacinas e entrando em
cada barracão. Ansiosamente esperou pela visita com os olhos brilhando como
vagalumes. A vida lhe sorria e a liberdade batia na porta.
Toninho
23/12/2023.
Tempo de agradecer a todos que por aqui passaram neste ano e deixaram um carinho com suas visitas. Deus os abençoe e que possamos em 2024, reiniciar uma nova viagem. Minha gratidão a todos vocês pelo acolhimento.
Nota:
Novamente
meu Notebook (em garantia) deu defeito, mas vou postando pelo escritório nas
horas vagas.
