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quarta-feira, 8 de abril de 2026

Olhando estrelas na solidão.

 O que sentimos quando ninguém nos olha.

Participando da convocatória do projeto Escrevendoàs quintas 9 de abril, como promoção da nossa amiga Campirela em seu blog. Veja links dos amigos por lá.



Olhando estrelas na solidão.

 

Era uma noite de insônia, estava na janela observando o céu com suas mutantes nuvens, um silencio reinava, apenas cortado pelo bater de asas de algumas criaturas noturnas. Sentia o peso da solidão como uma sombra a me acompanhar independente de permissão.

Sentia um vazio, um eco sem som. Apenas um sussurro questionava o que eu era sem ninguém para me ouvir e acolher. Parecia um convite para viajar pelo coração sem medo ou razão, provocava um encontro comigo mesmo. A solidão não me parecia castigo, passei a sentir meu próprio canto, a paz no silencio.

O tempo parece, que não passava, então encontrei aquela criança curiosa, cheia de vida. As figuras desfilavam à minha frente. Tomado de nostalgia, passeava pela casa da avó, junto com meu cãozinho. Falei com os passarinhos, que cantavam felizes. Um cheiro de jasmim me envolvia, quando um aroma delicioso escapou das panelas pretas do fogão à lenha como uma sedução.

Um cheiro de óleo diesel me resgatou do passado, num instante em que uma estrela cadente riscou o céu. Assustado olhei para todos os lados, mas nenhuma alma viva presente na madrugada. A rua agora silenciosa e lá no céu uma Lua curiosa me alumiava.

Ali na janela a sós comigo, senti o peso das lembranças do menino em sua travessia e uma lagrima escapou do olho e agasalhou-se no peito, quando os primeiros raios solares desvirginavam a manhã.

 

Toninho

08/04/2026

Grato pela visita