Fui menino do
mato também.
Menino do mato foi como nasci,
num recanto de terra vermelha,
com um barro desta cor revesti
paredes nuas da cassa sem telha.
O sapé me vigiava como menino,
de cima da casa sabia das artes,
do menino do mato tão franzino
a espelhar-se o Pedro Malasartes.
Não conversava com passarinho,
nem viu de joelhos a tal formiga.
Mas tinha no quintal o cantinho,
onde curava do ataque de urtiga.
Mas fui menino do mato mineiro,
nadava com os peixes no córrego,
que desaguava em nosso terreiro,
onde podia montar num borrego.
O bom era ouvir do grilo falante,
as fofocas duma molenga cigarra,
junto de uma formiga devorante.
Fui o menino do mato da piçarra.
Toninho
21/11/2020.
Grato pela visita
Inspirado em Manoel de Barros.
