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sábado, 21 de novembro de 2020

Fui menino do mato.

 


Fui menino do mato também.

 


Menino do mato foi como nasci,

num recanto de terra vermelha,

com um barro desta cor revesti

paredes nuas da cassa sem telha.

 

O sapé me vigiava como menino,

de cima da casa sabia das artes,

do menino do mato tão franzino

a espelhar-se o Pedro Malasartes.

 

Não conversava com passarinho,

nem viu de joelhos a tal formiga.

Mas tinha no quintal o cantinho,

onde curava do ataque de urtiga.

 

Mas fui menino do mato mineiro,

nadava com os peixes no córrego,

que desaguava em nosso terreiro,

onde podia montar num borrego.

 

O bom era ouvir do grilo falante,

as fofocas duma molenga cigarra,

junto de uma formiga devorante.

Fui o menino do mato da piçarra.

 

Toninho

21/11/2020.


Grato pela visita

Inspirado em Manoel de Barros.