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terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Uma viagem no trem 2013.

 





Mais um ano termina com ele nossos sonhos, que nos acompanharam por todo ele, como amuletos. Fizeram crer em dias melhores aos quais nos dedicamos perseverantes na construção de uma vida mais vivida. Convivemos com amigos que se apagaram e outros se acenderam. Alternamos entre risos e lágrimas, mas fiéis amigos nesta longa viagem.

Viver é teimar. Teimar no amanhã da nova realidade, azeite que faz untar a roda da humanidade contra a inércia e ineficácia do sistema. O sistema é culpado sim. Nossos sonhos se alargaram para dar mais sentido à nossa passagem neste plano, onde nos tornamos próximos e coesos nas transições de estações. Numa delas arriaremos as malas. É o ponto final de uma linda e longa viagem.

Nesta viagem às vezes nos torturamos em busca de sonhos, que julgávamos exagerados e ou inconcebíveis. Mas o que seria de nós sem eles? Um rio que secou ou uma estação onde o trem não mais pára? É preciso ter sonhos e ala-los. Nesta viagem o trem nos proporciona fortes emoções. Maravilha estar na janela e vê-lo serpentear entre montanhas, em companhia dos que nos querem bem. Foi bom viajar com vocês.

Pois bem, estamos no final de mais uma viagem, alguns com uma bagagem grande, outros com a mínima, gente que não se permitiu amar, abraçar, conhecer novas pessoas, novas emoções. Apenas pongaram no trem e desceram vazios sem bagagem. Gente que por certo esperará um novo trem. Talvez descubram que o melhor da vida estava ali, mas se perdeu em dormir entre uma estação e outra.

Então queridos amigos desejo a cada um de vocês, uma nova e boa viagem no Trem 2014, que agreguem valores nas bagagens em mais uma travessia. Despedimo-nos aqui na estação 365, mas é um “até breve”, pois logo virá outro trem. Sinto cheiro, ouço apito. Pela correria parece que ninguém quer ficar por aqui. Não entendo a pressa, todos vão seguir viagem, de janelas ou corredor, todos numa só direção, que bem sei onde vai dar.

Feliz 2014 minha gente querida e meu muito obrigado pela companhia.
Um brinde à nossa amizade.

Tinha de terminar o ano com um trem, coisa de mineiro uai.

Toninho.
31/12/2013

sábado, 21 de dezembro de 2013

Eu fico pensando












O Menino nasce trazendo esperanças e outro morre numa viela estreita levando na mão apenas um pedaço de pão, mas cheio de emoção.
É Natal, há mesa farta e a mesa que tudo falta, nada de novo.

Então é Natal, gente esquecida num hospital do governo, gente que clama por mais atenção e no palácio sobra euforia e mentiras na hipocrisia.Então é Natal e um grupo de almas perfumadas sai com alguns brinquedos e alimentos, são os anjos do dia, que levam alegria aos seres invisíveis, esquecidos, abandonados sob um viaduto ou praça da cidade. Há caridade perfumando a noite destes pobres infelizes.

É Natal uma criança chora ao vir ao mundo, os pais felizes lhe dá o nome de Natalino, ou Jésus da Silva, carrega a esperança para a família, abrigada num barracão, lá no alto do morro, onde se deveria ter uma orientação no controle da natalidade, que assusta os números das estatísticas. Mas não, ali apenas procriam.


É Natal, há carga positiva de pensamentos espalhados pelos lares. Penso na felicidade em cada caixa que se abre, em cada embrulho multicolorido. Há endividamento estimulado, bem como há angustia dos desejos não atendidos. Na emoção misturam-se lembranças das pessoas que se foram para outro plano e outras que estão distantes. Há tristeza na noite, sorrisos escondem frustrações, na mesma sala há festa e solidão.

Sinos anunciam a hora sagrada do nascimento. No Céu uma estrela guia faz lembrar a determinação dos três reis magos. Nas casas a oração natalina em forma de agradecimento. Entre abraços e beijos, lágrimas se misturam na alegria, lembranças que assaltam o coração. Por que tanta tristeza uma noite feita para alegria? Até parece que nós humanos somos mesmos seres esquisitos. E neste clima acelera uma indignação de saber da desigualdade e da inoperância reinante.

Mas, durma em paz Menino e acorde feliz a brincar, que seu Pai o embala nesta noite de luz, a zelar para que seus dias sejam de alegrias.

Toninho.
21/12/2013

Feliz Natal a todos vocês que fazem parte de minha vida, que talvez nunca nos encontremos, mas já os levo em meu coração. Que a fraternidade seja nosso prato predileto, que nos revigore para a vida. Renovo o meu contrato de estar com vocês em mais um ano que se aproxima. Feliz 2014 com sonhos em penca na mais perfeita evolução e realização.
 
Nota:
Uma pausa, mas estarei a visita-los, pois adoro viajar com vocês, isto é, se eu conseguir,rsrs.(lembrei da querida Chica)
Beijos no coração.
 




segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

O que é o amor.


O que é o amor senão uma espera?
O ziguezaguear numa plataforma,
Com os olhos perdidos numa curva,
Movidos por uma esperança acesa
Vidas em encontros e despedidas.

Diz meu amor, se vale o desencanto,
Nas vindas e despedidas na estação,
Numa vigília em forma de angustia,
O amor busca sempre uma tradução.

Diz para mim do amor que professo,
Sob um céu cheio de estrelas fugidias.
Olhar para o paralelismo dos trilhos,
Infinitamente encontram as emoções.

Diz logo amor deste desejo de amar,
Em meio às sucessivas ausências,
Na solidão que no peito apavora,
Quando é noite na plataforma vazia.

Seria o amor esta ênfase dos poetas,
Mas que jamais conseguem traduzir?
Desesperado sacam versos da jaqueta,
Lançados sobre os trilhos, por concluir.

Toninho
06/12/2013.
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A todos uma boa semana com elevação do clima de Natal em sua mais perfeita tradução. 
Ainda não entendi por que algumas pessoas estão com dificuldades de comentar no blog. Não uso nenhum bloqueio.
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sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Uma palma no caminho II.
















Na beira da praia vi uma palma,
Onde desejei nossos nomes rabiscar,
Mas o espinho dos ciúmes me acalma,
E na palma da mão sinto sangrar.

A palma estática calada na vigia,
Sabedora da intenção e meu medo.
Zombava deste com a sutil ironia,
Somente ela sabia do meu segredo.

Numa palma sangrando escrevi,
Com um espinho da rosa amarela,
Traços firmes como de um bisturi,
Nas cinco pontas de uma estrela.

O sol como elemento a cicatrizar.
Letra por letra para a eternidade.
Momento de aflição no meu olhar,
Vi o nome fixado na perpetuidade.

Quando nesta praia vir a passear,
De soslaio mirarei aquela cicatriz,
Que bem traduz a arte de declarar,
Um grande amor que me faz feliz.

Toninho.
08/12/2013 
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Um bom fim de semana com paz e alegria, que flores nasçam em nossos caminhos e as almas sejam perfumadas, para um mundo melhor.
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Em tempo uma homenagem ao grande Mandela