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quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Então é Natal de Lua Cheia.


Vejo na noite uma linda lua cheia,
onde as estrelas brilham belamente,
nesta noite enluarada para a ceia,
as emoções escapam naturalmente.

Vi pelos caminhos lares iluminados,
na noite de luz nasce uma criança,
naquele pobre barraco nos alagados,
há crença de uma nova esperança.

Vago na noite com minhas reflexões,
passo pelos miseráveis nas travessas,
são como as mariposas nos lampiões,
destinos incertos para mortes certas.

Ouço sino da igreja, conto badaladas,
é o anuncio da hora do nascimento,
mas não avisa da morte na calçada,
do viciado condenado ao isolamento.

Há que ter solidariedade constante,
há que ter em todas as mesas o pão,
e ter uma fome de justiça vigilante,
então será o Natal real no coração.


Toninho
Dezembro/2015

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Que Natal seja festa de renovação de esperanças de um mundo melhor, mais justo, que todos os lares do mundo tenham o pão, mas que o sonho de justiça e solidariedade seja uma constante em todos os dias do Novo Ano. 

Faço uma parada nesta pagina até o fim do ano. O outro blog aqui: http://toninhobira.blogspot.com/ poderá ter novas postagens

Obrigado a você pela bela companhia neste ano e será muito bom estar com você em mais um ano nesta grande família.


Feliz Natal e Bom Ano Novo pleno de realizações.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

És tu.


Eu sempre te vejo junto à varanda,
sorriso alegre numa face iluminada,
os lábios a solfejarem uma ciranda,
que a sabiá da mata fica emudecida.

Quando é manhã o belo corpo reluz,
Então me cinjo pelos raios solares,
é admiração na silhueta, que seduz,
numa aventura viagem pelos mares.

Tuas lembranças acendem a alegria,
vem da foto que tanto faz inspirar,
quiçá extraídas do ventre da poesia,
são os versos teus, que busco recitar.

E se não bastasse esta fome de amar,
O vento uivante entoa uma canção,
que juntos cantamos naquele pomar,
entre as juras de amor com sedução.

És tu mulher, que no sonho imagino,
que na noite ajoelha-se numa vigília,
que me fazes sentir, como um menino
dormindo ao sabor de linda eufonia.

Toninho.

Dezembro/2015
Também estou aqui: toninhobira.blog
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Um bom e lindo fim de semana a todos.

sábado, 12 de dezembro de 2015

Pequena flor.






Pequena flor nasceu no meu jardim,
era como um grão de areia esta flor,
a minha flor miúda beleza carmim,
a presença marcante com o teu odor.

Pelas manhãs sentia o teu perfume,
Sempre já refeita dos raios solares,
uma fiel espectadora dos queixumes,
que lhe fazia aos estranhos olhares,

Às vezes um transeunte a agredia
com as mãos ácidas. Ela murchava.
Mas no sereno da noite já renascia,
como uma flor da vida e com alma.

Então nas quatro estações mutantes,
sentia a sua força de viver tão pura,
quedava-me aos encantos. E arfante
suspiro silenciosamente na ventura.

Toninho
Dezembro/2015

 
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Um bom fim de semana a todos. Grato sempre.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Desejos de amar.



Nasce o desejo louco de amar,
Oh, luta frenética neste sentir.
Insaciável preso naquele olhar,
vê-la sensualmente a desvestir.

Quisera uma falta suportável,
que não evocasse esta solidão,
mas vivo o frisson indomável,
que me trai no fogo da paixão.

Amarga condição desta vida,
o fogo se desfaz. Vem a paixão.
O que era a chama vira ferida,
cicatriz que sangra no coração.

Mas o tal tempo que tudo cura,
Sabe como cuidar da nostalgia,
Mesmo envolto numa tortura,
Leva esta dor com sua magia.



Toninho/2015
Dezembro

“A palavra dos homens é o material mais duradouro”. Se um poeta deu corpo à sua sensação passageira com as palavras mais apropriadas, aquela sensação vive através de séculos nessas palavras e é despertada novamente em cada leitor receptivo.
Schopenhauer

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Uma semana maravilhosa para todos.

sábado, 5 de dezembro de 2015

Deixe me sonhar.

Participação na BC_ #Umaimagemem140caracteres Nº115, imagem escolhida pela Mari e Silvana clique nos nomes conheça e participe.

                     Depois que o trem partiu,
                     Caminhou para o jardim,
                     Lenta a mente a aspirou,
                     Deitou-se na relva fresca,
                     Com suas belas lembranças.
                     Ali adormeceu.

Toninho.
Dezembro/2015
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Um bom fim de semana a todos vocês.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Sutil adeus


Eu tinha a sede de saber a historia,
ele a necessidade de falar sobre ela,
sentia pavor da solidão, eu a sabia,
via seu olhar vazio naquela janela.

Hoje ele acordou silencioso, pressenti.
Não havia nos seus olhos o tal brilho,
seus movimentos lentos eram vazios,
faltava lhe um ímpeto nas emoções.

Seu sorriso parecia querer esconder,
uma verdade que somente ele sabia,
os meus olhos buscaram a entender,
mas soube a esconder com sabedoria.

Então nos despedimos como sempre.
Um leve aceno de mão um ate breve,
caminhei pensativo com meu fardo,
ele com as suas desilusões do passado.

Veio nova manhã promessas, sonhos,
pés nos caminhos olhares nas janelas,
mas aquela fechada traduzia tristeza,
os olhos turvaram entendi, era adeus.

Toninho
Novembro/2015
Outras coisas: Momentos e inspirações
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Uma boa semana a todos.



quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Onde está meu vale?


Cadê meu vale?


Já cri que, montanhas renasciam,
elas se foram como os passarinhos.
olhos lacrimejantes em penitencia,
a espera inútil, mas elas sumiram.

Hoje novamente querem me iludir,
na floração do vale que já agoniza,
sem peixe nunca mais a piracema,
na lama assassina perde sua vida.

Maldita toda lama a me confundir,
mata aniquila como lava de vulcão,
vejo pisoteada biosfera que sangra,
sob seu rastro de destruição a sede.

Já não sou o menino de olhos limpos,
nem minhas pernas podem navegar,
os passos perdidos atolados no barro,
contaminado pelo pó negro da serra.

A serra com suas entranhas abertas,
onde belos lobos Guarás se saciavam,
os vejo tristes enlameados e famintos,
seus uivos clamam o sacrifício final.


Toninho
Novembro/2105

Imagem Google Rio Doce antes e depois da lama assassina.

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sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Do outro lado da noite.



Quando vejo a noite tocar o mar,
o sol sair de mansinho a brilhar,
deixa sobre o mar rastro de luz,
que os poetas inspiram a cantar.

Olho para a lua no infinito Céu,
penso em ti como todas as noites,
e sei que estás a namorar a lua,
assim viajo na paz do teu olhar.

Há sintonia, que faz ter alegria,
sinto dentro do teu olhar. Sorrio.
Revivo as nossas belas fantasias,
deixo-me levar na luz da poesia.

Ainda que seja teoria a harmonia,
acende pelo corpo uma energia,
vem do pensamento que livre voa,
abraço-te ébrio de amor. Adormeço.

Toninho
Novembro/2015

Por aqui tambem: toninhobira.blogspot 

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Um feliz fim de semana a todos vocês.







segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Canto ao mar.




Há dias que é preciso mais de chão,
os momentos de languidez infinita,
olhar perdido à procura de solução,
no céu nuvens traiçoeiras desditas.

O manto negro que o mar vem cobrir,
um mar revolto com ondas violentas,
que desmaiam nos seus pés no porvir,
arrastam as dores como água benta.

Seus cabelos voam como as borboletas
numa primavera. Livres e coloridas.
Mas ela ali trancada numa gaveta,
imobiliza-se na dor vida esquecida.

E quando por fim toda a chuva cair,
entrega a oferenda à rainha do mar,
com esperança e fé vê o barco partir,
pula sob três ondas e põe se a clamar.

Toninho
Novembro/2015
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Uma semana de paz e alegrias a todos.


segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Serra de Catas Altas em perigo.



A gente não entende até onde vai a fúria da mineração.
Uma empresa de mineração de nome Maybach vem causando um transtorno na vida dos moradores da pequena localidade de Catas Altas entre Santa Barbara e Mariana. A Maybach esta fazendo sondagens no sentido de explorar minerais nas serra que compõem o complexo histórico turístico de Caraças, mais precisamente na área das nascentes do rio Maquiné. Onde ainda se mantém o famoso convento do Caraça com seus capuchinhos e padres da Arquidiocese de Mariana. Serras não renascem, serras não gritam por socorro, mas a mãe natureza dá resposta terrível em forma de catástrofe à comunidade.

A serra é cartão postal daquela região tendo como ilustração velhos casarões conservados em seu sopé mantendo a histórica imagem. Ameaça terrível às nascentes dos rios e às cachoeiras do lugar. Temo pela exuberante fauna e flora, que meus olhos tanto se encantaram nas visitas.


Governo de Minas, onde anda sua autoridade e cultura? Como não intervir rapidamente, no sentido de frear estes loucos por minérios de ferro e outros minerais. Não basta o que se fez com a Serra do Curral no alto da Belo Horizonte? Vejam autoridades o visual daquela serra pelada agredindo os olhos, onde verde se via hoje uma mancha de cor avermelhada, com poeira espalhando pela cidade, tingindo o céu anil de Belo Horizonte, até não mais poder ver o belo horizonte. Até quando vamos assistir esta desenfreada corrida pelos minerais desta terra, sem nenhum critério?

A população se manifesta atos e protestos enquanto as autoridades apenas se dizem incapazes de veto, alegando que fará uma rígida fiscalização, como se isto realmente ocorresse contra estas grandes empresas de mineração. Não autoridades, o povo não lhes colocou no trono para esta apatia, este cumprimento cego das vontades dos poderosos.

Fico a imaginar o stress, o medo da família do Lobo Guará com as sucessivas explosões de dinamite na extração das jazidas. Com certeza sairão na busca desenfreada por lugar tranquilo e temo que não mais exista este lugar pela região, depois da fúria da Vale. Será que vale autoridades estes repasses em impostos como esmolas, ou mesmo um pagamento por algo errado que praticam? Amanhã quando não se vê serras, lobos, água, cachoeiras será que os royalties poderão recompor esse estrago?

Meu grito ao povo no sentido de acompanhar todo o processo, pois nossas serras não renascerão, nem os lobos preservados serão a sua atração daquele mosteiro incrustado entre serras. Hoje quando olho para as serras que os meus olhos tanto namoraram, que meus olhos nunca alcançaram o topo, sinto uma angustia danada de saber que o homem, não tem mais limites para com a natureza. Que o capital não pensa um mundo melhor no futuro. O progresso que eles pregam para a região é mesmo o fio da navalha, o abismo.

Povo simples, humilde, povo pobre que sonha com vida material melhor, que é enganado em sua simplicidade apenas para atender o capital. Eu penso, eu sofro, será que o capital vence mais esta maquiavélica batalha? Assim meu lobo Guará, o melhor a fazer é juntar todas suas tralhas e fugir, quem sabe para o Pico do Itambé, antes que do seu coro façam tapetes para expor em uma sala de uma empresa que representou seu fim. Oh, Minas Tão Gerais!


Reedição
Inspirado em relatos no jornal "uai on line" (Estado de Minas em 09/08/2010) sobre pedido de licença para exploração de minerais na região.

Toninhobira
10/08/2010.

Volta no tempo.em tempo

"Só quando a última árvore for derrubada, o último peixe for morto e o último rio for poluído é que o homem perceberá que não pode comer dinheiro." (Provérbio Indígena).

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Explico a reedição

Era o ano de 2010, precisamente 18 de Agosto, eu iniciava pela blogosfera, quando soube de um trabalho de pesquisa sondagem do subsolo em busca de minério de ferro e outros materiais, talvez o próprio ouro, na região de Mariana-MG. Como conhecia muito bem a região com sua reserva florestal, do patrimônio histórico e do habitat natural do lobo Guará (em extinção) protegido pela empresa CEMIG. 

O Governo mineiro fechou os olhos para o que todos temiam, ou seja, a exploração desenfreada das serras, como é comum das mineradoras. Nos anos subsequentes nas visitas à minha cidade natal Itabira-MG, ouvia noticias da exploração e expansão da mineração na região por meio de vários parentes alegres pelo trabalho na área da Vale do Rio Doce. Soube dos transtornos nas pequenas cidades e vilarejos da região. Devido circulação de caminhões pesados, causando danos às estruturas das construções antigas. Igrejas, casarões tiveram de ser escorados e recuperados. A boazinha da empresa fazia os serviços e doações em melhorias na região como a justificar sua presença no progresso da região. Mas o pior estava por vir como uma bomba relógio.

Lamentavelmente o pior aconteceu e o meu medo foi bem pior que os danos à natureza e historia. Agora choramos as vitimas a destruição de uma região no maior desastre ecológico conhecido em Minas Gerais. Um mar de lama partindo de Minas em direção ao mar do Espirito Santos e no seu caminho vai causando estragos irreparáveis por muitos anos aos rios, fauna e flora. É de doer, ver o povo expulso pela irresponsabilidade e perdendo tudo em material e historias, pois não tiveram de tempo de recuperar nada, apenas se livrar da morte, os que tiveram sorte.






Tragedia anunciada.

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Uma boa semana a todos.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Encontro marcado.



Minha participação na BC_ Botando a cabeça para funcionar Nº 25 que a Chica nos desafia com uma imagem para livre inspiração sempre nos dias 5, 15 e 25 de cada mês. Para ver outras inspirações visite aqui: chicabrincadepoesia. Agora a imagem do dia e minha leitura.


Aquilo já era um ritual de alguns anos na vida de Iracema, sentar-se numa cadeira trançada e ficar a olhar o jardim. Ali lhe era servido o chá. Permanecia absorta em pensamentos ao som de canto de pássaros no cair da tarde. Somente se retirava próximo à hora da Ave Maria para junto de um pequeno altar, onde fazia suas orações. Desde que Artur seu companheiro havia partido deste mundo. Desde então perdera seu entusiasmo e brilho. Mas estar no jardim, lhe devolvia um ar sereno, às vezes brotava um leve sorriso no canto da boca, sempre quando carinhosamente acariciava as flores do jarro posto sobre a mesa. Parecia que em transe acariciava a cabeleira branca do Artur.

Numa manhã de Setembro estava na janela do quarto, como sempre fazia ao acordar, olhar o jardim. Pela janela entrava a brisa fresca, vinda do rio que descia solto, bem como amava ouvir a sinfonia da passarada na laranjeira. Sua empregada de longos anos colhia hortaliças para o almoço. Ela percebeu que Iracema, acenava as mãos na direção do pomar. Não viu ninguém na direção. Curiosa ficou a observa-la, que após um aceno recuou da janela. Aproximou-se da janela e a chamou, para saber se ela estava bem. Iracema veio à janela com um sorriso e disse que Artur a estava esperando para passear. Então se deslizou sobre a cama e recostou-se com um olhar perdido até se fechar para sempre na imagem de Artur.

Agora todas as tardes durante a Primavera, a empregada com consentimento das duas filhas coloca a cadeira no jardim junto da mesinha de Chá e sobre esta o mesmo jarro com as flores que ela mais gostava, permanece ali silenciosamente em oração. É sua foram de manter vivas as lembranças de sua amiga. Assim elas têm um encontro marcado todos os fins de tarde, antes que ao longe o sino da capelinha anuncie a hora da Ave Maria.


Toninho
Novembro/2015

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Numa semana curta desejo a vocês eu bom fim de semana com paz e alegria.